Publicidade

quarta-feira, 10 de setembro de 2014 Fiba | 16:40

Brasil tem defeitos bem explorados e dá adeus à Copa do Mundo

Compartilhe: Twitter

Nenhuma partida é igual a outra. São todas únicas, com uma infinidade de características diferentes que as tornam próprias. Seria um erro, portanto, imaginar que o duelo da seleção brasileira diante da Sérvia pelas quartas de final da Copa do Mundo teria a mesma história do encontro anterior, lá na primeira fase. O resultado de 84 a 56 em favor dos europeus tratou de comprovar isso.

Tiago Splitter luta no garrafão. Brasil teve dificuldade imensa para atacar a cesta  (Foto: Fiba/Divulgação)

Tiago Splitter luta no garrafão. Brasil teve dificuldade imensa para atacar a cesta
(Foto: Fiba/Divulgação)

Houve um trecho em comum entre os dois embates: o terceiro quarto. Em ambos, o Brasil foi dominado nos dois lados da quadra e não conseguiu acompanhar o ritmo do rival, que movimentou o placar com uma freqüência absurda. Mas foi só isso.

No confronto da primeira fase, o time de Rubén Magnano teve um desempenho na metade inicial que beirou a perfeição. Por isso, se manteve vivo mesmo com a produção paupérrima apresentada na volta dos vestiários. Desta vez, houve equilíbrio antes do intervalo, o que tornou fatal uma queda tão acentuada assim.

Cada jogo é mesmo único.

A Sérvia entrou em quadra com duas mudanças em relação ao quinteto inicial que encarou o Brasil na primeira fase. As novidades foram o ala Nikola Kalinic, que não havia atuado um minuto sequer naquela ocasião, e o armador Milos Teodosic.

Esse último dispensa apresentações. É um craque. Aparece em qualquer lista dos melhores armadores do mundo fora da NBA. Mostrou um pouco disso nestas quartas de final, explorando ao máximo a dificuldade brasileira em marcar jogadas com bloqueios — algo que gerou muito bate cabeça durante toda a Copa do Mundo e que rendeu mais problemas desta vez.

Não foi à toa que Teodosic marcou 16 dos 37 pontos da Sérvia no primeiro tempo. Essa deficiência de se virar diante dos bloqueios fez com que o Brasil permitisse muitas infiltrações da turma de perímetro do outro lado. Quem também se aproveitou foi Nemanja Bjelica, dono de uma partidaça. Mais alto que os armadores e mais rápido que os pivôs, representava um grande problema quando atacava. Funcionou bem ainda como ala-pivô aberto, levando um grandalhão da marcação para longe da cesta, o que criou espaços para seus companheiros.

Milos Teodosic: craque sérvio explorou bem as falhas defensivas do Brasil (Foto: Fiba/Divulgação)

Milos Teodosic: craque sérvio explorou bem as falhas defensivas do Brasil (Foto: Fiba/Divulgação)

Com a bola nas mãos, o Brasil viu as portas completamente fechadas na área pintada com seus homens grandes. Mas eles exploraram bastante Marquinhos, que se aproveitou bem da concentração de marcadores lá embaixo para aparecer e definir, movimentando-se bastante ao invés de se limitar apenas à linha de três. Algo que já tinha sido bem feito em outras oportunidades. Até mesmo contra a Sérvia.

Mas o grande mérito dos europeus foi anular completamente uma das maiores forças do Brasil, que tinha dado resultado naquele primeiro tempo avassalador do último duelo entre os países: os pontos fáceis em contra-ataque. Foram raros os momentos nos quais os comandados de Magnano conseguiram imprimir velocidade no sistema ofensivo. Quando fizeram isso duas vezes seguidas, passaram à frente. Abriram 32 a 29, pouco antes do intervalo.

Magnano mexeu pouco no time durante o primeiro tempo. Deixou no banco caras que costumavam participar mais tempo do jogo. Um deles foi Larry, que tanto ajudou Raulzinho a colocar uma pressão absurda na bola dos rivais nos segundos quartos em outras partidas, aumentando os contra-ataques — justamente o que faltou desta vez.

A Sérvia fez oito pontos seguidos e chegou à metade do duelo vencendo por cinco: 37 a 32. Com os mesmos defeitos da primeira metade, os brasileiros viram o adversário continuar em melhor momento no início do segundo tempo. Até que uma falta de Anderson Varejão e duas técnicas marcadas em cima de Marquinhos e Tiago Splitter no mesmo lance acabou definindo a disputa. Os europeus tiveram a chance de arremessar seis lances livres seguidos. Acertaram cinco. Mataram o jogo.

Depois disso, o que se viu foi um Brasil com pressa para definir os ataques, definidos de maneira precipitada. Melhor para a Sérvia, que aproveitou o desespero para construir uma vantagem ainda mais folgada, carimbando a vitória e a passagem à semifinal com autoridade.

Brasil cai nas quartas de final. Placar dilatado não anula boa campanha (Foto: Fiba/Divulgação)

Brasil cai nas quartas de final. Placar dilatado não anula boa campanha (Foto: Fiba/Divulgação)

Acabou o Mundial para o Brasil. Mas antes que se inicie qualquer caça às bruxas, é importante colocar as coisas sob uma perspectiva correta. Foi uma boa campanha. Sim, boa. Que alcançou as quartas de final e que incluiu vitórias sobre outros adversários fortes — incluindo o próprio responsável pela eliminação. Teve pontos críticos, é verdade. Muitos deles destacados neste espaço desde os amistosos de preparação. Mas passou longe da porcaria que alguns poderão tentar pintar. Nada de oito ou oitenta.

O placar dilatado não é normal, mas também não quer dizer nada. Para não viajar tão longe na história, fiquemos com uma lembrança de 2013, quando o San Antonio Spurs massacrou o Miami Heat em uma das partidas da final da NBA. Acabou não conquistando o título.

Cada jogo é único.

Autor: Tags: , ,

15 comentários | Comentar

  1. 65 Vinicius Bezerra 11/09/2014 11:58

    Luiz,
    Você não acha que para as olímpiadas deveríamos trocar o Larry, Machado e Giovanonni por Rafael Luz, Cabloco e Bebê?

    Quanto ao Magnano, o que você acredita que ele fará?

    Abraços

    Responder
    • Luis Araújo 11/09/2014 16:20

      Não sei se seriam exatamente esses os nomes que cortaria desta seleção. Aliás, para ser justo, gostei do Larry em vários momentos ao longo dos amistosos e da campanha. Teve lá sua utilidade, saindo do banco e ajudando a formar uma segunda unidade muito intensa na defesa, que forçava muitos desperdícios dos rivais. E Giovannoni acabou sendo o “stretch four” de confiança do Magnano na reta final. O ala-pivô que sai para contribuir com chutes de longe.

      Mas eu concrod com o que você falou sobre os jovens. A tendência é que esses três que vc citou apareçam mais vezes na seleção principal. O importante é que mais gente além deste trio possa se candidatar a um lugar no time de 2016. Afinal de contas, o grupo brasileiro nesta Copa do Mundo era um dos mais velhos. Precisa ter renovação. Pra ontem.

      sobre Magnano, acredito que ele está bem atento a isso também.

      Abraços

      Responder
  2. 64 Sol Bazzon 11/09/2014 11:29

    Luis, será que o basquete brasileiro precisa de apoio psicológico? Eu acompanho ambos , vôlei e basquete e vejo uma capacidade grande do voleibol de reverter situações adversas, mas poucas vezes vi isso no basquete. Lamentei muito depois de assistir ao jogo de ontem. Abraço

    Responder
    • Luis Araújo 11/09/2014 16:26

      Oi, Sol. Tudo bem?
      Eu acho que qualquer ajuda psicológica é sempre ótima no esporte de alto nível, em qualquer modalidade.
      Neste jogo contra a Sérvia, acho que o descontrole deixou a derrota mais elástica, naquele momento das duas faltas técnicas seguidas. Mas era jogo pra perder de qualquer jeito porque os sérvios estavam anulando tudo o que o Brasil tinha de bom.
      Por outro lado, em outros jogos anteriores que o Brasil venceu, o time mostrou força mental pra sair de algumas situações desconfortáveis. Na partida da primeira fase contra a própria Sérvia, viu a vantagem de quase 20 pontos ir para o ralo, entrou no último quarto perdendo, mas conseguiu dar um jeito de vencer.
      Abraços

      Responder
  3. 63 Jones Mayrink 11/09/2014 11:14

    Luis, parabens pela cobertura
    foi muito o mundial
    tirste por ver que poderíamos chegar na final e até quem sabe biliscar uma vitória dos USA!
    Jogo ontem com chances enormes de vitória, contra a França mais ainda( nosso jogo encaixa contra o deles).
    E na final contra os USA tinhamos chance tambem…
    mas a minha pergunta que fica é…..
    alguem realmente viu o Splitter nesse mundial ? no jogo do ontem ele estava muito mal….
    não vou dizer que amarelo, mas deu uma arregada
    huertas não sei explicar o que houve

    Responder
    • Luis Araújo 11/09/2014 16:29

      Valeu pelo elogio, Jones. Que bom que tem curtido os textos sobre o Mundial.
      Sobre as chances do Brasil, não sou tão otimista assim, não. O jogo até encaixa contra a França, mas não sei como seria depois disso. De qualquer maneira, não adianta mais pensar nisso porque o time acabou sendo uma presa bem fácil diante da Sérvia, que anulou todos os pontos fortes brasileiros.
      Sobre o Splitter, não acho que tenha deixado tanto assim a desejar. Fez um Mundial bem correto e apareceu muito bem em diversas situações. As atuações do Marquinhos têm muito a ver com a inteligência de acioná-lo do Splitter.
      Abraço

      Responder
  4. 62 thiago 11/09/2014 9:50

    Brasil fz um bom mundial. Pra mim se não tivessem tomado aquelas faltas técnicas, o time perderia, mas não por essa quantidade absurda de pontos.
    minha preocupação é a renovação dessa seleção.
    vc que segue mais de perto o basquete, acha que temos alas de bom nível pra servir à seleção???
    pra pivô teoricamente temos o faverani e o Bebê, pra armação o Raul e o Rafael.
    E pras alas?

    Responder
    • Luis Araújo 11/09/2014 16:31

      Temos o Bruno Caboclo, 20ª escolha do último Draft da NBA. Vai tentar a sorte no Toronto Raptors. Vamos ver.
      Mas é isso: a gente pesca um nome aqui, outro ali, e só. A renovação precisa aparecer mesmo. Pra ontem.
      Abraços

      Responder
  5. 61 Caio Aquino 10/09/2014 21:22

    Parabéns a Seleção Brasileira, fizemos boas partidas, tivemos vitórias importantes e mostramos que temos condições sim, de brigar por medalha nas olimpíadas de 2016.

    Só fico triste, pois considero que perdemos de um time pior que o nosso e com a desclassificação da Espanha, as chances de fazer uma final seriam grandes.

    Abs!

    Responder
  6. 60 Mauro Albuquerque 10/09/2014 21:01

    Torci contra o basquete masculino que há muito não nos dá alegria, pela discriminação que a mídia cometeu com o basquete feminino, em virtude de suas melhores jogadoras terem saído do eixo Rio-São Paulo e terem vindo para o Nordeste, sendo campeãs nacionais em 2013 e vice este ano pelo Sport Club do Recife. Agora estão no América de Recife, e novamente farão um bom papel no brasileiro, mas com certeza a mídia continuará a dar ênfase a estes “mão de pau”.

    Responder
  7. 59 Daniel 10/09/2014 20:22

    Pessoal, a quanto tempo não tínhamos um time lutando assim, inclusive ganhando da Argentina que foi campeã mundial. Coisa feia mesmo foi no futebol.

    Responder
  8. 58 Léa 10/09/2014 20:13

    Valeu pelo empenho de trazer de novo o incentivo ao basquete…

    Responder
  9. 57 ACF 10/09/2014 19:33

    espero que não tenha faltado dinheiro para premiação.

    Responder
  10. 56 Cassio 10/09/2014 19:30

    Reconheço que não fomos mal. O duro é saber que perdemos a partir de duas faltas técnicas. Jogador de seleção não pode tomar falta técnica num jogo pau a pau como estava.
    Mas valeu, melhoramos muito. Agora é esperar as Olimpíadas.

    Responder
    • Luis Araújo 10/09/2014 19:51

      isso foi mesmo bastante prejudicial. Não poderia ter acontecido. Os cinco pontos em lances livres naquele momento mataram o jogo.
      Abs

      Responder
  11. 55 Juca 10/09/2014 19:29

    Ainda tem coragem de dizer “excelente campanha”, perder da Sérvia de 85 a 56…rsrs. No último campeonato disseram que algumas “estrelas” não participaram e por isso perderam. Agora todos estavam jogando, qual é a desculpa?

    Responder
    • Luis Araújo 10/09/2014 19:50

      Quem falou em “excelente campanha”? Falei que foi uma BOA campanha, só. E expliquei porque entendo assim ao longo do texto.
      Recomendo a releitura.

      Responder
  12. 54 Guedes 10/09/2014 19:25

    Valeu seleção em 28 anos não chegávamos tão longe, Parabéns

    Responder
  13. 53 mauro loureiro 10/09/2014 19:10

    Basquete esta se levantando, o placar elstico é que não foi legal, vamos continuar com o trabalho. não baixem a cabeça.

    Responder
  14. 52 Quest 10/09/2014 18:22

    O Brasil no basquete, jogou como nunca… perdeu como sempre. O Basquete é muito chato, não pode nem encostar no adversário que já é falta. Melhor deixar esse tipo de jogo para os americanos mesmo.

    Responder
    • Fábio Henrique 11/09/2014 0:59

      Você é um ignorante que provavelmente já entrou em uma quadra de basquete com sua chuteirinha ridícula de futsal e tentou jogar com os caras que entendem.
      Ao invés de tentar acompanhar a marcação com a perna (que é a dificuldade da modalidade) você tentou marcar enfiando o bração na bola, feito um burro desesperado. É falta meu amigo. Com essa cabeça melhor vc continuar com sua chuteirinha, achando que sabe jogar bola.

      Responder
    • Luis Araújo 10/09/2014 18:52

      Jesus Cristo, esse comentário é uma das coisas mais absurdas que já li na minha vida.

      Responder
      • Sergio 10/09/2014 20:16

        kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

        Responder
  15. 51 julio cesar 10/09/2014 18:15

    Foi uma ótima participação dos basquete masculino, pois fazia muito tempo que não chegávamos tão longe, Pena que em nossa cultura só a vitória com medalhas é que é valorizadas… Parabéns a nossa seleção.

    Responder
  1. ver todos os comentários
 

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

* Campos obrigatórios


 

Responder comentário


* Campos obrigatórios