LeBron 30
LeBron James é um destes raros jogadores que todo mundo tinha a exata noção do quanto seria bom antes mesmo de entrar na NBA. Em uma época na qual a comunicação não contava com o mesmo poder de alcance dos dias atuais, tempos de internet discada e sem redes sociais, falava-se de uma maneira bem pouco comum por aqui das coisas incríveis que ele fazia no campeonato colegial norte-americano. Se nem mesmo hoje esses jogos têm tanta atenção assim, imagine como era a situação em 2003.
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Fazer sucesso na NBA nunca foi uma possibilidade para LeBron James. Era uma certeza. Enquanto os times de campanha ruim na temporada 2002/03 sonhavam em conquistar a primeira escolha do Draft para selecioná-lo, um executivo da Adidas chegou a dizer que Kobe Bryant não era nada perto dele quando tinha a mesma idade.
Pois é. As comparações começaram cedo e nunca desapareceram. Pelo contrário. Ficaram ainda mais intensas com o passar dos anos. Melhor que Kobe? Novo Jordan? Lembra Magic Johnson? Ou será que tem mais o jeitão de Oscar Robertson?
Outra coisa que acompanha LeBron antes mesmo do ingresso na NBA são as controvérsias. Quando fez 18 anos, ganhou da mãe uma Hummer H2, carrão da época. O presente foi dado a partir de um empréstimo que usou o futuro profissional dele como garantia de pagamento. Pouco depois, ele posou para fotos com camisas de uma loja de roupas e ficou com elas em troca da divulgação. As ações vão contra as regras da Associação Atlética Colegial de Ohio, que o baniu do restante do campeonato. Ele recorreu da decisão e conseguiu transformar a pena para apenas duas partidas de suspensão.
Mais tarde, já na NBA, carregou consigo o estigma de amarelão por muito tempo. Muito mais pela omissão nos segundos finais da partida, por procurar passar a bola a um companheiro ao invés de ele próprio decidir, do que pelos erros em si. Depois, viu-se no meio de um furacão quando optou por trocar o Cleveland Cavaliers pelo Miami Heat em 2010.
Assim como fez na época Dan Gilbert, dono da franquia do Ohio, muita gente encarou a escolha como um atalho para ser campeão, já que seria muito mais fácil conquistar títulos ao lado de estrelas como Dwyane Wade e Chris Bosh. A revolta ficou ainda maior por parte dos torcedores em Cleveland pela maneira como ele se mandou: fazendo o anúncio um programa de televisão, transmitido ao vivo para os Estados Unidos e muitos outros países ao redor do mundo, incluindo o Brasil.
Juntando isso tudo, o povo da cidade gritou “Scottie Pippen” na primeiro encontro com ele como jogador do Heat. O insulto em si foi muito pouco inteligente. Ser chamado pelo nome do camisa 33 do Chicago Bulls é motivo de orgulho para qualquer um que pisa em uma quadra de basquete. Mas dá para entender qual recado a torcida tentou passar: que LeBron preferiu exercer um papel de escudeiro no time de Wade ao invés de chegar ao título em uma equipe que poderia chamar de sua.
Nada como a ação do tempo para fazer as coisas mudarem e acontecerem de uma maneira que um dia parecia impensável. O estigma de amarelão foi enterrado aos poucos, com algumas atuações impecáveis em momentos críticos em 2012 e em 2013, anos nos quais ele conseguiu o tão sonhado anel de campeão da NBA sendo o líder do Heat. Em julho, a mágoa das pessoas em Cleveland se transformou de novo em amor com a decisão dele de voltar para o lugar que chama de casa e de tentar dar às pessoas que cresceram ao seu lado a sensação de comemorar um título que até hoje nunca veio.
Só as comparações que não cessaram. Deverão ficar até ainda mais volumosas daqui para frente, especialmente quando ele alcançar coisas que Kobe e Jordan conseguiram na reta final de suas respectivas carreiras. Mas, no fundo, elas pouco importam.
LeBron não é Kobe. Ou Jordan. Ou Magic. Ou Robertson. Ninguém. Ele é alguém que construiu uma trajetória única dentro do basquete, reunindo algumas das melhores características que grandes craques do passado tinham dentro de quadra e enterrando as controvérsias fora dela.
LeBron é LeBron. Simples assim.
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