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Arquivo da Categoria CBB

sexta-feira, 20 de março de 2015 CBB, Fiba | 16:37

Quem ainda acredita na CBB?

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Carlos Nunes, presidente da CBB (Foto: Divulgação/CBB)

Carlos Nunes, presidente da CBB (Foto: Divulgação/CBB)

Já se passaram alguns dias, mas não dá para deixar passar batido por aqui a última da CBB (Confederação Brasileira de Basketball). A Fiba ainda não confirmou a vaga do país nos torneios masculino e feminino das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, porque ainda não recebeu da entidade duas parcelas do valor total de US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,25 milhões), referente ao convite para a disputa da Copa do Mundo do ano passado, que aconteceu na Espanha.

história foi publicada no UOL no início da semana, após apuração de Fábio Aleixo e Fábio Balassiano. Diante disso tudo, vale a pena voltar um pouco no tempo e relembrar algo de outubro de 2013.

Na época, a CBB tinha acabado de enviar à Fiba uma carta formalizando o desejo de ficar com um dos convites para a Copa do Mundo masculina. Carlos Nunes, presidente da entidade, disse o seguinte: “Fizemos o dever de casa. Entregamos tudo e vamos esperar a decisão, mas está tudo bem encaminhado. Temos o apoio de todo mundo, de todos os patrocinadores”.

Deu certo. Como se sabe, o Brasil foi para a Espanha e chegou às quartas de final. A surra que levou da Sérvia na partida de eliminação não apaga a boa campanha da equipe. Acontece que Nunes falou que estava tudo bem encaminhado também com os patrocinadores. Então pagar pela vaga não seria um problema, não é verdade?

Tem mais. Ele ainda prometeu que as contas seriam equilibradas com os novos patrocínios que entrariam a partir de janeiro de 2014. “Estamos bem apoiados. Vamos superar os momentos difíceis tranquilamente”, declarou. Poucos meses depois, o balanço financeiro da CBB apontou dívida acumulada de R$ 9,5 milhões.

É improvável que as coisas tenham melhorado desde então. A dívida de agora com a Fiba deixa isso bem claro.

Ainda dá para acreditar na CBB?

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terça-feira, 6 de janeiro de 2015 CBB, Euroliga, Fiba, NBA, NBB, NCAA | 08:00

Dez pontos para se ficar de olho em 2015

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Há muita coisa no basquete que merece atenção neste ano que acabou de começar, algo que chega até a ser óbvio de se afirmar para quem está acostumado a acompanhar o esporte. De todas elas, o blog separou dez pontos especiais a serem verificados ao longo dos próximos meses. Veja quais e porquê.

Desenvolvimento de Kawhi LeonardO prêmio de MVP das finais de 2014 confirmou a ascensão do ala do San Antonio Spurs e colocou as expectativas em torno dele lá no alto para a atual temporada. Será que Leonard continuaria liderando o time dentro de quadra, o que provavelmente o levaria ao All-Star Game pela primeira vez e poderia até fazê-lo entrar na disputa pelo prêmio de MVP do campeonato? Por enquanto, ainda não. Os números nas estatísticas pessoais até são maiores em relação aos anos anteriores. O problema é que uma lesão no ligamento da mão direita tem o impedido de entrar em quadra desde o meio de dezembro. Ainda não há previsão para o retorno.

Kawhi Leonard: ala do San Antonio Spurs está fora de combate (Foto: Getty Images)

Kawhi Leonard: ala do San Antonio Spurs está fora de combate (Foto: Getty Images)

Dallas Mavericks e Houston Rockets reforçados A concorrência no Oeste é pesada demais. Todo mundo sabe disso, principalmente depois de o Phoenix Suns ter ficado fora dos playoffs na última temporada, apesar das 48 vitórias que somou. É por isso que os dois rivais texanos não perderam a chance de se reforçarem no decorrer do campeonato. O Mavericks foi atrás de Rajon Rondo, que surpreendentemente tem conseguido pontuar muito mais do que nos tempos de Boston Celtics. Já o Rockets buscou Josh Smith, dispensado do Detroit Pistons, em uma tentativa de melhorar uma defesa que já vinha funcionando bem. São duas apostas, até pelo estilo de jogo e pelos riscos de não se encaixarem. Mas as duas equipes sabem que os conformistas correm o grande risco de não chegarem a lugar algum nesta conferência.

Detroit Pistons sem Josh Smith – Não é exagero dizer que o time mudou da água para o vinho nos dois lados da quadra desde que Stan Van Gundy decidiu mandar Josh Smith para o olho da rua. Nos cinco jogos que disputou desde então, o Pistons não só venceu todos como conquistou a vitória com tranquilidade. A menor vantagem nesta série de vitórias foi de dez pontos, obtida sobre o Indiana Pacers. Com essa sequência, dá até para sonhar com uma vaga nos playoffs no Leste, onde é possível se classificar com campanha negativa.

A corrida contra o tempo do Oklahoma City Thunder A campanha anda na casa dos 50% de aproveitamento, o que seria bom o bastante para garantir vaga com segurança nos playoffs do Leste, mas insuficiente para o alto padrão de exigência do Oeste. As derrotas se acumularam bastante no início da temporada, no período em que Russell Westbrook e Kevin Durant estavam lesionados. Mas ambos estão recuperados agora, o que é ótimo sinal para a missão do Thunder de subir às primeiras colocações na classificação da conferência. Nos 11 jogos em que Westbrook e Durant jogaram juntos, a equipe teve nove vitórias e apenas duas derrotas.

Kevin Durant e Russell Westbrook: ausência dos craques prejudicou campanha do Thunder (Foto: Getty Images)

Kevin Durant e Russell Westbrook: ausência da dupla prejudicou o Thunder (Foto: Getty Images)

LeBron James x David Blatt – Os elogios daquela fase inicial de trabalho e o clima leve visto durante a passagem da equipe pelo Rio de Janeiro, em outubro, ficaram para trás. Contratado pelo Cavs antes de LeBron anunciar seu retorno, o treinador tem sofrido para ver em quadra a filosofia ofensiva que dizia tentar emplacar, sem conseguir extrair o melhor funcionamento dos três astros à disposição. Na defesa, então, a situação é muito pior. Os adversários não encontram dificuldade para pontuar. Como se isso tudo não fosse o bastante, Blatt já se viu cornetado algumas vezes por LeBron, que até chegou a declarar que deixaria o time no mercado de agentes livres em julho se fosse ele o problema. O que parecia um sonho para os torcedores em Cleveland, por enquanto, está mais próximo é de um pesadelo.

Jahlil Okafor, o número 1? – O pivô de Duke já aparece na maioria das projeções de especialistas como a primeira escolha do Draft deste ano. Dono de 2,11m de altura, é forte no jogo ofensivo de costas para a cesta, com um repertório muito bom de ferramentas para produzir pontos e inteligente para se virar nos momentos em que a marcação dobra. A defesa, no entanto, precisa ser aprimorada.

Jahlil Okafor: pivô de Duke tem impressionado na NCAA (Foto: Getty Images)

Jahlil Okafor: pivô de Duke tem impressionado na NCAA (Foto: Getty Images)

Agora vai, Real Madrid? Apesar do título nacional em 2013, as duas últimas temporadas terminaram com gosto amargo para o clube da capital espanhola. Com um grande elenco à disposição, chegou à final da Euroliga nos dois anos anteriores, mas foi derrotado em ambas as oportunidades. Nikola Mirotic partiu para se juntar ao Chicago Bulls na NBA, mas o Real Madrid foi buscar o ala argentino Andrés Nocioni e o pivô mexicano Gustavo Ayon. Será que chegou a vez de finalmente passar do quase?

Disputa pelo trono no Brasil O Flamengo ganhou tudo o que disputou em 2014 e ainda teve a chance de disputar três partidas de pré-temporada nos EUA, contra Phoenix Suns, Orlando Magic e Memphis Grizzlies. Nenhuma outra equipe brasileira passou perto de ter o mesmo brilho. Aí Bauru se movimentou bastante no mercado antes da atual temporada. Contratou muito bem, já faturou o Paulista e a Liga Sul-Americana e desponta como a maior ameaça ao reinado dos cariocas no Brasil e nas Américas.

Jovens terão mais espaço no NBB? A boa campanha do Minas, que preferiu dar mais tempo de quadra aos atletas que revela ao invés de investir pesado em medalhões, tem mostrado que é possível apostar nos jovens sem comprometer a competitividade. Ainda assim, entre os 20 jogadores com maior média de minutos por partida neste NBB, apenas três são brasileiros e ainda não atingiram os 30 anos de idade: Davi (armador do Basquete Cearense), Léo Meindl (ala de Franca) e Ricardo Fischer (armador de Bauru). Quando isso vai mudar?

Pré-Olímpico Conforme o próprio Rubén Magnano, técnico da seleção brasileira masculina, havia dito em dezembro, ainda não há a certeza sobre a participação do Brasil nas Olimpíadas de 2016 — apesar de elas acontecerem no Rio de Janeiro. Caso não tenha a vaga garantida, o Brasil terá de conquistá-la no Pré-Olímpico das Américas deste ano, que acontecerá no México. Neste caso, com quem o treinador poderia contar? Será que vem drama por aí?

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014 CBB, Fiba, NBA, NBB | 17:45

Magnano diz ter jovens no radar para a seleção. Desde que joguem

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Rubén MagnanoO técnico Rubén Magnano apareceu no almoço que a CBB organizou em São Paulo para comemorar os 50 anos da conquista da medalha de bronze nas Olimpíadas de 1964, nesta terça-feira. Em uma conversa de cerca de 15 minutos com os jornalistas, ele falou basicamente sobre o Mundial da Espanha. Fez um balanço positivo da campanha, que terminou diante da Sérvia nas quartas de final. O raciocínio completo pode ser encontrado na matéria publicada no iG Esporte.

Além disso, Magnano também comentou sobre as possibilidades de renovação do elenco, uma vez que muitos dos que integraram a equipe brasileira no Mundial já atingiu a casa dos 30 anos. Isso para não lembrar que o grupo que foi à Espanha é praticamente o mesmo que disputou as Olimpíadas de Londres, em 2012. Há jovens no radar do treinador?

“Com certeza”, respondeu Magnano. “Estou sabendo de como eles andam. Posso dizer que avalio essa situação dia a dia. Mas espero que nossos jovens consigam jogar nas equipes onde estão hoje. Não adianta estarem em um time e não jogarem. Assim, é difícil alguém chegar na seleção e contribuir. Atrapalha muito, tenho certeza disso. Mas estou muito esperançoso nos jovens que estão fazendo um bom trabalho. Vamos ver se darão certo na seleção.”

Quando o comandante da seleção brasileira trata como fundamental que os atletas estejam jogando em seus times, pensar imediatamente na dupla do Toronto Raptors torna-se algo inevitável. Bruno Caboclo e Lucas Bebê só entraram em quadra até agora naquela vitória sobre o Milwaukee Bucks, na qual ambos pontuaram e deixaram impressão positiva, relativamente. Em um time que compete pelas primeiras posições do Leste, é provável que eles continuem atuando poucas vezes.

Surpresa zero. Todo mundo sabia, antes mesmo do início da temporada da NBA, que Bruno e Lucas seriam tratados pelo Raptors como projetos para o futuro, algo completamente natural para dois calouros. Eles próprios tinham ideia de que a situação seria assim, que precisariam ter muita calma e olhar as coisas pensando no futuro. Isso serve também para a seleção brasileira. Pelo o que disse Magnano, é difícil que ambos sejam lembrados já nas próximas convocações. Paciência. Faz parte do processo do qual fazem parte agora.

Raulzinho: elogios do chefe (Foto: Fiba/Divulgação)

Raulzinho: elogios do chefe (Foto: Fiba/Divulgação)

Além deles, há alguns outros jovens brasileiros espalhados pelos campeonatos do mundo. Rafael Luz e Augusto Lima, por exemplo, têm algum destaque em suas respectivas equipes na Espanha e já foram lembrados por Magnano em outras oportunidades. Quem também atua no país europeu é Raulzinho, que acabou sendo levado para o Mundial e agradou bastante o treinador. “Penso que ele tem muita chance de assumir a condução da seleção muito em breve”, declarou.

Mas a questão da renovação parece ficar comprometida quando se olha para o que acontece dentro do país. Entre os 20 jogadores com maior média de minutos por partida neste NBB, apenas três são brasileiros e ainda não atingiram os 30 anos de idade: Davi (armador do Basquete Cearense), Léo Meindl (ala de Franca) e Ricardo Fischer (armador de Bauru).

Por que isso acontece?

“Acho que é uma questão a ser resolvida diretamente com os treinadores”, disse Magnano. “Acredito neles. Se não colocam os moleques, é porque eles não são capazes de produzir tudo o que os experientes produzem. Mas não acho que seja um problema do Brasil. Acontece na NBA, na Europa e em qualquer outro lugar. E se não joga, não adianta. A competição é muito importante para a formação de um atleta. Por sorte, existe a LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete) no Brasil. Todos os meninos até 22 anos podem jogar e desenvolver alguma coisa. Pessoalmente, preferia ter uma quantidade maior de jovens em ação no NBB. Mas não posso dar uma resposta concreta com relação a isso”, finalizou.

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014 CBB | 09:00

“A tendência é ir piorando”, diz Hortência sobre seleção feminina

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Vinte anos após comandar o basquete feminino brasileiro ao histórico título mundial na Austrália, Hortência viu a seleção comandada por Luiz Augusto Zanon se despedir da competição na Turquia logo nas oitavas de final, com três derrotas em quatro jogos. Resultado que aumenta a lista de insucessos recentes do país em torneios de primeiro nível, juntando-se às participações sem destaque no Mundial de 2010 e nas Olimpíadas de 2012.

Na visão de Hortência, o futuro não é nada animador. Pelo contrário. “A tendência é ir piorando”, disse a ex-jogadora, em conversa por telefone com o blog.

Hortência: cobrança forte em cima da base (Foto: Divulgação/CBB)

Hortência: cobrança forte em cima da base (Foto: Divulgação/CBB)

“Isso é culpa de quem? Do técnico? Da geração de jogadoras? Não. Está assim porque não teve trabalho de base. Aí tem de falar com o Vanderlei (Mazzuchini, que ocupa o cargo de diretor de seleções da CBB). É ele quem faz todo o planejamento. Veja o quanto os times de base treinam antes de jogar as competições. Não adianta treinar por 15 dias só. Por isso que não dá para chegar no adulto e cobrar. As meninas não têm culpa nenhuma. Nem mesmo o técnico”, observou.

Trabalho de base. Hortência bate nesta tecla por entender que é necessário mudar com urgência a maneira como as coisas são conduzidas neste sentido.

“Não basta só mandar atletas para as competições, tem de treinar as meninas e prepará-las para que encarem de igual para igual qualquer adversário”, defendeu. “O que aconteceu na seleção? Eu e a Paula saímos, depois a Janeth saiu. Aí, o nível começou a cair, e o Brasil não conseguiu mais ir bem nos principais torneios. Não adianta falar que essa equipe na Turquia foi mal, apontar o dedo para o técnico ou para as jogadoras. O que precisa é existir um trabalho melhor de base.”

A juventude do grupo convocado por Zanon não diz nada para Hortência, que usa um exemplo do que acontece em um outro esporte para justificar seu ponto de vista. “Qual é a faixa etária da seleção feminina de vôlei? Uns 25 anos. A da seleção de basquete é por aí também. Não é que as nossas jogadoras são jovens, elas são é inexperientes. Nove delas nunca haviam disputado um Mundial antes. Mesmo já tendo 25 anos. Então não adianta a gente querer resultado”, argumentou.

Hortência em ação pela seleção brasileira (Foto: Divulgação/CBB)

Hortência em ação pela seleção brasileira (Foto: Divulgação/CBB)

A relação com o vôlei não parou por aí.

“Se pegar uma jogadora de basquete de 20 anos, uma de vôlei da mesma idade e comparar quantos jogos internacionais as duas fizeram, a diferença será muito grande. As meninas precisam jogar, jogar e jogar. Viajar o mundo disputando partidas. É duro encarar uma seleção que nunca enfrentou antes. Fazer amistoso uma semana antes do início de uma competição não adianta nada”, afirmou Hortência, que apontou como exemplo positivo o Mundial sub 19 de 2011.

Naquela época, a ex-jogadora exercia na CBB o cargo de diretora das seleções femininas — tanto a adulta como as de base. Tudo o que ela tinha em mente para a competição no que diz respeito a planejamento foi possível de ser realizado.

“As jogadoras ficaram treinando por seis meses em Jundiaí com dinheiro do Ministério (do Esporte) e viajaram para Ásia e para a Europa. No Mundial, só parou na semifinal porque enfrentou os EUA. Se não, teria ido à decisão. Com essa equipe de base que conseguimos fazer o planejamento correto e executá-lo todo, fomos bem”, lembrou.

Quem acabou sendo eleita a melhor jogadora daquele Mundial foi Damiris, um dos exemplos citados por Hortência de bons valores individuais na atual seleção feminina que sofrem por não haver qualidade em quantidade.

“A Damiris está na WNBA, foi a melhor jogadora e levou o Brasil ao terceiro lugar do Mundial sub 19 e não jogou (bem). A Érika está entre as principais pivôs do planeta, foi titular do All-Star Game da WNBA neste ano e também não jogou. Sinto que elas têm potencial maior do que demonstraram, mas uma jogadora só não adianta. A bola precisa chegar até elas. Basquete é um jogo de equipe. Elas se esforçaram bastante, era visível a vontade delas. Mas só isso não é suficiente. Então está na hora de começar a pensar em 2020, 2024. Para 2016, não dá tempo mais”, comentou.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2014 CBB, Fiba | 09:00

Adrianinha se despede da seleção prometendo continuar lutando pelo basquete feminino

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A derrota para a França nas oitavas de final não só interrompeu a caminhada brasileira no Mundial feminino como colocou um ponto final em uma trajetória individual importante. O jogo foi o último de Adrianinha pela seleção. Aos 35 anos, a armadora jura que, desta vez, a despedida é definitiva.

Adrianinha conversa com Zanon após seu último jogo pela seleção (Foto: Fiba/Divulgação)

Adrianinha conversa com Zanon após seu último jogo pela seleção (Foto: Fiba/Divulgação)

“Em 2012, havia anunciado (a aposentadoria da seleção), mas o Zanon me chamou para participar do projeto e eu vim”, disse Adrianinha ao site da CBB. “Agora estou com 35 anos, tenho uma filha de oito anos e quero ter mais um filho. O que eu podia fazer para contribuir, eu fiz. Agora é a vez dessa meninada que está vindo aí. Elas demonstraram dedicação, que podem crescer muito e evoluir. Para mim foi uma honra ter participado nesses dois anos do começo do processo de renovação.”

Adrianinha fez parte da conquista do bronze olímpico em 2000, feito que ela aponta quando questionada sobre o momento inesquecível da carreira. Caçula do elenco naquela oportunidade, participou de apenas uma partida e anotou dois pontos. Depois, já com espaço maior para mostrar serviço, ajudou o Brasil a ficar em quarto lugar nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, e no Mundial de 2006, realizado dentro do país.

Fora da seleção, a armadora sagrou-se campeã mundial interclubes pelo Osasco em 1998, rodou por alguns times da Europa e chegou a atuar na WNBA, defendendo as cores do Phoenix Mercury.

Apesar de falar em tom de despedida, Adrianinha deixa claro que esse não é o fim de linha para ela no basquete. Muito pelo contrário. A ideia é justamente continuar trabalhando no meio da modalidade quando deixar as quadras de vez.

“Quero aprender a ser técnica e ensinar basquete. Já fiz dois cursos da Escola de Treinadores da CBB e estou fazendo um curso no COB (Comitê Olímpico Brasileiro) sobre os fundamentos da administração esportiva e vou me preparar para todas as oportunidades que aparecerem, seja como técnica ou trabalhando em uma confederação ou no COB. O basquete feminino precisa de mais gente lutando por ele. E é para isso que vou me dedicar agora”, finalizou.

De fato, toda a ajuda de gente capacitada é bem-vinda para o basquete feminino brasileiro, que tanto agoniza nos tempos atuais. As colegas de profissão e a modalidade como um todo agradecerão bastante se Adrianinha tiver fora das quadras êxito semelhante ao que teve dentro delas ao longo das últimas décadas.

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014 CBB, Fiba | 19:52

Produção pobre no ataque determina queda brasileira no Mundial feminino

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O Mundial feminino chegou ao fim para a seleção brasileira nesta quarta-feira. Apesar de ter estabelecido uma defesa forte durante a maior parte do tempo diante da França, a equipe de Zanon esbarrou nas suas limitações do outro lado da quadra e encontrou muita dificuldade para atacar. Com a derrota por 61 a 48, despediu-se da competição nas oitavas de final.

Foi um jogo que começou cheio de erros de ambas as partes. Juntas, brasileiras e francesas tiveram apenas cinco arremessos certos em 28 tentados ao longo do primeiro quarto, que terminou com vantagem de 12 a 10 para o time europeu. Mas não demorou muito no segundo período para a diferença no marcador ficar maior.

Francesas comemoram classificação às quartas do Mundial (Foto: Fiba/Divulgação)

Francesas comemoram classificação às quartas do Mundial (Foto: Fiba/Divulgação)

A França se desgarrou e foi para o intervalo ganhando por 26 a 15. A distância de 11 pontos não seria o fim do mundo na maioria dos duelos. No basquete, isso não costuma ser nada. Mas neste caso, em um embate de cestas raras e com toda a dificuldade do Brasil para produzir no ataque, recuperar 11 pontos era, sim, missão extremamente complicada.

Defensivamente, as jogadoras comandadas por Zanon fizeram novamente um bom trabalho. Impuseram pressão sufocante na bola e forçaram dez desperdícios das francesas no primeiro tempo — número que é muito bom. Por outro lado, o time conseguiu converter apenas quatro arremessos de quadra durante os 20 minutos iniciais. Algo inadmissível.

No segundo período, especificamente, o Brasil fez só cinco pontos. Três vieram de um tiro do meio da rua de Adrianinha. Os outros dois saíram das mãos de Nádia, que aproveitou assistência da veterana armadora e finalizou com uma bandeja. Aí não dá mesmo. Não há defesa que sustente um ritmo tão pobre.

Pode-se dizer que a partida nesta quarta mostrou as características mais fortes que a seleção brasileira já havia apresentado neste Mundial. O ataque praticamente não ofereceu perigo fora do garrafão, o que gerava uma dificuldade enorme para pontuar quando não se conseguia estabelecer as ações lá dentro. Neste duelo em especial, esse fator teve a contribuição da ausência da pivô Érika, referência desta equipe, teve problemas com faltas e ficou a maior parte do tempo no banco de reservas.

Durante a segunda metade, em meio a um ritmo de jogo bem mais solto, o time brasileiro pontuou com facilidade um pouco maior. Mas em momento algum conseguiu ameaçar a classificação francesa às quartas de final — a quarta consecutiva do país em Mundiais.

Clarissa tenta entrar no garrafão francês. Brasileiras sofreram para atacar (Foto: Fiba/Divulgação)

Clarissa tenta entrar no garrafão francês. Brasileiras sofreram para atacar (Foto: Fiba/Divulgação)

Já o Brasil se despediu nas oitavas porque basicamente sofreu demais para atacar diante do rival. Problema que já havia aparecido em partidas anteriores da competição. Dentro das quatro linhas, foi esse o ponto que mais pesou para que a caminhada na Turquia chegasse ao fim. Por outro lado, é possível dizer que coisas positivas foram apresentadas. A boa defesa por pressão é um exemplo.

Como o próprio Zanon já havia dito, o processo de renovação desta equipe ainda está em andamento. Por isso, ele preferiu não estipular nenhum tipo de meta no Mundial em termos de resultado. Daqui a dois anos, nas Olimpíadas, é possível que a seleção esteja mais madura e em um nível de competitividade um pouco maior.

Mas só um pouco. Engana-se quem imagina que existe a possibilidade de brigar por uma medalha. No escalão de forças do basquete feminino no planeta, o Brasil não está nas cabeças. Virou mero figurante nos últimos tempos, daqueles que poderão considerar uma vitória o simples fato de sobreviver à primeira fase nas competições mais fortes do mundo.

Aí, já passa longe de ser culpa do trabalho de Zanon ou do que as jogadoras comandadas por ele executam ou deixam de executar em quadra. Neste caso, deve-se olhar para fora das quatro linhas e direcionar críticas para quem está no comando da modalidade e vem tratando o basquete feminino com tanto descaso nos últimos anos.

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terça-feira, 30 de setembro de 2014 CBB, Fiba | 16:40

Damiris rejeita rótulo de promessa e se vê mais agressiva na WNBA

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Se a primeira impressão é a que fica, Damiris então despertou expectativas bem altas em muita gente. No Mundial sub 19 de 2011, a ala-pivô comandou a seleção brasileira à medalha de bronze e acabou sendo eleita a MVP (melhor jogadora) da competição. No ano seguinte, foi selecionada no Draft da WNBA pelo Minnesota Lynx, time que havia conquistado o título da liga no campeonato anterior.

Damiris juntou-se ao Lynx apenas na última temporada. Titular em 23 dos 30 jogos que disputou com a equipe, teve médias de 6,0 pontos e 5,1 rebotes em cerca de 22 minutos por partida. Todas as conquistas pessoas no início de carreira fizeram a ala-pivô de 21 anos ser vista como a grande esperança de glórias da seleção feminina no futuro. Ponto de vista com o qual ela não concorda. “Não sou mais uma promessa, sou uma realidade”, disse a jogadora ao blog — em entrevista conseguida em parceria com o Bradesco, patrocinador do basquete brasileiro.

Leia a entrevista completa abaixo:

Damiris em ação no treino da seleção brasileira (Foto: Murat Ozturk/CBB/Bradesco)

Damiris em ação no treino da seleção brasileira (Foto: Murat Ozturk/CBB/Bradesco)

BLOG: O garrafão aparece como ponto forte deste time brasileiro no Mundial. Quanto você acha que o setor será determinante para o funcionamento da equipe em quadra?

Damiris: Acredito que com a chegada das jogadoras da WNBA, incluindo a mim, o setor das pivôs ficou bem mais forte e isso ajudará bastante o time. Eu, Nádia e Clarissa somos jovens, mas contamos com a grande experiência da Érika. O Zanon (treinador) e o Cristiano (Cedra, auxiliar técnico) organizaram muitas jogadas favorecendo o trabalho de pivôs. Ele (Zanon) gosta muito de pivôs em movimento, fazendo corta-luz e com bastante agressividade.

BLOG: Quais pontos você entende ter desenvolvido no seu jogo desde as Olimpíadas de 2012?

Damiris: Melhorei a minha agressividade no jogo, mas principalmente a parte psicológica. Hoje aceito o erro e me recuperar rápido para tentar uma próxima vez. Com isso, a minha porcentagem de acertos melhorou bastante.

BLOG: Quanto a temporada na WNBA, em um time tão forte como o Minnesota Lynx, te ajudou dentro e fora de quadra?

Damiris: Foi uma experiência fantástica. Foi onde aprendi que a intensidade do jogo tem que estar sempre em alta, porque todos os nossos adversários jogam assim.

BLOG: Você representa uma grande promessa para o basquete feminino do Brasil. Como você encara esse tipo de responsabilidade?

Damiris: Não sou mais uma promessa, sou uma realidade. Não sinto nenhuma pressão, nem pesa a responsabilidade. Tenho os pés no chão. As minhas companheiras e a comissão técnica estão sempre disponíveis para me ajudar, assim as coisas se tornam mais fáceis.

BLOG: Como a presença de jogadoras experientes como Adrianinha e Érika influencia um grupo tão jovem em uma competição tão importante?

Damiris: Influencia em várias situações. As duas sempre falam de coisas que aconteceram em outros Mundiais para não repetirmos hoje. São vários toques importantes e valiosos. Para nós, tão jovens, jogar ao lado de Adrianinha e Érika é sempre uma motivação.

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CBB, Fiba | 15:37

Garrafão dominante, defesa forte e Patrícia levam Brasil às oitavas do Mundial feminino

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O Brasil conseguiu se garantir nas oitavas de final do Mundial feminino, evitando uma eliminação precoce na primeira fase com derrotas em todos os jogos. Nesta terça-feira, o time de Zanon explorou bem a vantagem física em relação ao adversário e venceu o Japão por 79 a 56.

Brasileiras comemoram vitória e vaga nas oitavas (Foto: Fiba/Divulgação)

Brasileiras comemoram vitória e vaga nas oitavas (Foto: Fiba/Divulgação)

O triunfo e a consequente classificação foram resultados do sucesso que as brasileiras tiveram para impor ações em quadra que não haviam sido bem exploradas até então. Já tinha sido registrado por aqui o quanto a equipe vinha sofrendo para acionar as jogadoras de garrafão, ponto mais forte do atual elenco, e a produção ofensiva deficiente do perímetro.

Desta vez, as coisas foram bem diferentes. Na área pintada, por exemplo, o Brasil sobrou. Fez 40 pontos lá dentro, contra apenas 18 das japonesas. Além disso, venceu a batalha dos rebotes por 41 a 28 — o trio Érika, Damiris e Clarissa foi responsável por 25 deles. Mas não foi só por aí que o time se criou. Pelo contrário.

Quem mais se destacou na vitória desta terça-feira foi a ala Patrícia, responsável por 27 pontos, quatro rebotes e dois roubos de bola. A jogadora de São José acertou 11 dos 17 arremessos que tentou no embate, o que representa um aproveitamento de 64,7%.

Tão interessante quanto o bom rendimento é a observação da distribuição variada dos pontos de Patrícia. Destas 11 bolas certas, três foram chutadas de trás da linha dos três pontos, três aconteceram de média distância e as outras cinco saíram de dentro do garrafão.

“Fizemos um jogo bem coletivo, com todas as jogadoras solidárias em quadra e eu tive ajuda das minhas companheiras para conseguir este bom rendimento”, disse a ala após o jogo.

Patrícia: 27 pontos bem distribuídos pela quadra (Foto: Fiba/Divulgação)

Patrícia: 27 pontos bem distribuídos pela quadra (Foto: Fiba/Divulgação)

Há de se exaltar também o trabalho do time de Zanon no outro lado da quadra. Se o ataque cometeu 15 desperdícios de posse de bola, o que não é um número baixo, a defesa forçou 23 erros das rivais. O que não chega a ser novidade, já que República Tcheca e Espanha tiveram 19 (cada uma) diante das brasileiras nas duas rodadas anteriores.

Outro ponto positivo foi a demonstração de alguma força mental durante o momento mais crítico do duelo. Isso porque o Brasil, depois de controlar o placar desde o início e dar toda a pinta de que venceria sem maiores problemas, viu a vantagem de dois dígitos ser reduzida a apenas quatro pontos no terceiro quarto. Em outros tempos, seria um prato cheio para o adversário deslanchar de vez e ganhar. Mas não foi o caso. As rédeas foram retomadas e a diferença no marcador voltou a ser ampliada.

O desafio pelas oitavas de final acontece já nesta quarta-feira, às 13h (de Brasília) diante da França — que ficou em segundo lugar do Grupo B após vencer o Canadá na última rodada. Em caso de vitória, que seria extremamente improvável, o oponente nas quartas deverá ser a seleção dos EUA, que carrega uma dose de favoritismo ainda maior do que o masculino neste Mundial.

Salvo uma grande surpresa, a caminhada deste time brasileiro não irá muito mais longe neste Mundial. O que chega a ser natural, já que a seleção atravessa um momento de reformulação e ainda tem uma série de outros aspectos a evoluir daqui para frente. Mas algumas coisas apresentadas na vitória sobre o Japão mostraram uma luz no fim do túnel.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014 CBB, Fiba | 21:58

Brasil precisa explorar melhor seu garrafão em jogo de vida ou morte no Mundial

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Muito antes do Mundial, Zanon já havia dito que não se poderia cobrar nenhum resultado da seleção brasileira feminina na competição. O treinador falou isso para explicar que o time atravessa uma fase de renovação e que a programação é que os frutos deste processo só sejam colhidos em 2016. Mas o uso da frase pode ser ampliado e ilustrar exatamente a situação do confronto desta terça-feira, contra o Japão.

O cenário é simples. Uma vitória sobre o Japão às 8h (de Brasília) desta terça-feira classifica a equipe às oitavas de final. Isso porque o adversário também perdeu para República Tcheca e Espanha nas rodadas anteriores. Em caso de derrota, o Brasil se despede da Turquia sem uma única vitória. Seria um resultado fraquíssimo na história do país em Mundiais femininos.

Érika luta por rebote dentro do garrafão (Foto: Fiba/Divulgação)

Érika luta por rebote dentro do garrafão (Foto: Fiba/Divulgação)

As derrotas nos dois primeiros jogos passaram longe de surpreender quem entende o estado em que se encontra o basquete feminino no país, depois de participações tão fracas no Mundial de 2010 e nas Olimpíadas de Londres, em 2012.

Na estreia, perdeu da República Tcheca por 68 a 55. O time de Zanon mostrou um ataque muito pouco eficiente, sem conseguir acionar o garrafão de maneira ideal e com dificuldades para chegar à cesta fora dele. O aproveitamento de 26% nos arremessos diz muita coisa neste sentido. Apesar de os 13 pontos não representarem uma diferença tão elástica assim no placar, as brasileiras foram mantidas sob domínio das rivais o tempo todo. Isso apesar de terem conseguido forçar 19 desperdícios ofensivos do oponente, dois a mais do que os 17 que cometeu, e vencido a batalha dos rebotes por 44 a 36.

O outro jogo foi um passeio. Tudo bem que o Brasil até fechou o primeiro quarto um ponto à frente, explorando o jogo interno com Clarissa e Érika. Mas depois que as portas dentro da área pintada foram fechadas, obrigando o aparecimento de novas maneiras de se pontuar, aconteceu o que o mundo inteiro esperava para o embate. A Espanha virou, disparou e acabou vencendo por 83 a 56. Fácil, fácil.

Ao longo das duas primeiras partidas, o time fez 39 cestas. Apenas 12 delas vieram em bolas arremessadas de fora do garrafão, das quais sete foram de três pontos. São números que ajudam a ilustrar o quanto a produção ofensiva do perímetro é deficiente. Um ajuste neste sentido seria extremamente bem-vindo, é claro.

Mas o grande lance, na verdade, é outro: conseguir se impor perto da cesta, algo que até agora aconteceu muito pouco. Não era segredo para ninguém que o Brasil teria as pivôs como ponto forte no time que levou ao Mundial. Algo natural para quem dispõe de Clarissa, Damiris, Nádia e, principalmente, Érika. Para vencer o Japão, o garrafão precisa ser melhor explorado. É lá que os arremessos sairão com alguma facilidade. Zanon e suas comandadas não podem permitir que o oponente encontre com tanta moleza uma maneira de impedir a ligação com quem estiver na área pintada, como fizeram tchecas e espanholas.

Brasil precisa de vitória sobre o Japão para avançar (Foto: Fiba/Divulgação)

Brasil precisa de vitória sobre o Japão para avançar (Foto: Fiba/Divulgação)

É por aí que passam as chances de uma vitória sobre o Japão que carimbaria a vaga nas oitavas. Mas é apenas uma possibilidade. Pode acontecer isso tudo e, ainda assim, o Brasil sair de quadra derrotado. Por isso, vale a pena lembrar do que Zanon disse lá atrás sobre a cobrança por resultado, ainda que a frase seja usada de uma maneira diferente.

O placar desta terça-feira não será determinante para nada. Não se pode fazer qualquer análise em cima de um único jogo. Se perder é vexame, se ganhar está bem? Nada disso. Se o Brasil chegou a esse ponto, é porque alguma coisa não vem bem já há algum tempo.

Não se pode mesmo cobrar resultado desta seleção. Mas já passou da hora de o basquete feminino brasileiro ser melhor tratado por quem o administra.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014 CBB, Fiba | 09:00

Não cobrem resultados da seleção feminina no Mundial

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A seleção brasileira feminina já está na Turquia, onde disputa o Mundial a partir deste sábado. O time comandado por Luiz Augusto Zanon faz parte do Grupo A, ao lado de República Tcheca, Espanha e Japão. Vale lembrar que três times avançam por chave. O primeiro vai direto para as quartas de final. Os outros dois terão de passar pelas oitavas.

Será uma competição de tiro muito curto. Começa neste sábado e termina no domingo da outra semana. Em termos de resultado, o que dá para esperar da equipe brasileira na Turquia ao final destes oito dias?

Seleção feminina já treina na Turquia para o Mundial: (Foto: Murat Ozturk/CBB/Bradesco)

Seleção feminina já treina na Turquia para o Mundial: (Foto: Murat Ozturk/CBB/Bradesco)

Nada. Quem disse isso foi o próprio Zanon, em entrevista ao blog em janeiro, assim que assumiu o comando do São José no NBB. Ao ser questionado sobre o assunto, ele respondeu o seguinte:

“Fizemos uma evolução com as meninas novas e vamos continuar dando experiência a elas, para que continuem melhorando e amadurecendo no jogo. Faremos vários amistosos antes do Mundial, mas não vamos esperar resultado nenhum na competição. Nosso objetivo é a evolução delas. Isso é algo que estamos muito cientes, precisamos acelerar esse processo. Na LBF (Liga de Basquete Feminino), algumas meninas que jogaram muitos minutos na seleção estão sem tanto tempo de quadra em suas respectivas equipes. É uma situação meio conflitante. A gente vai ter que refazer algumas situações. Mas este é um processo que começou em abril (de 2013) e vai até 2016. Só vamos poder enxergar resultado no fim do ciclo.”

Não chega a ser um discurso surpreendente. Renovação sempre foi a palavra de ordem de Zanon desde que ele assumiu o cargo. O que faz todo sentido, tendo em vista os fracos resultados obtidos pela seleção feminina nas últimas competições importantes que disputou.

A escolha do elenco que terá à disposição na Turquia vai ao encontro deste ideal de renovação pregado pelo treinador. As 12 jogadores convocadas por ele para o Mundial foram as seguintes:

Armadoras: Adrianinha (América Basquete), Débora (São José) e Tainá (América Basquete)
Alas: Ramona (São José), Jaqueline (Santo André), Joice (São José), Patrícia (São José) e Tatiane (América Basquete)
Pivôs: Clarissa (Americana), Damiris (Minnesota Lynx/WNBA), Érika (Atlanta Dream/WNBA) e Nádia (Atlanta Dream/WNBA)

Érika: pivô é referência da equipe brasileira (Foto: Getty Images)

Érika: pivô é referência da equipe brasileira (Foto: Getty Images)

As únicas que não fizeram parte da conquista do Sul-Americano em agosto foram as três pivôs que atuam na WNBA e a armadora Adrianinha, peça mais experiente do elenco com 35 anos — dez a mais do que a média do grupo. Ela que já tinha anunciado aposentadoria da seleção em 2012, após as Olimpíadas, mas voltou atrás.

Ela e Érika, outra que já passou dos 30 anos (tem 32), serão as responsáveis por conduzir as mais jovens neste Mundial, que será o maior teste até agora deste processo de renovação comandado por Zanon.

Todas as atletas vão entrar em quadra tendo a vitória como objetivo, é lógico, e muitas vêm dando declarações bem animadas, mostrando que estão com a expectativa lá no alto, o que também é lógico. É esse o espírito que elas devem apresentar mesmo. Mas é importante quem estiver do lado de fora ter noção do momento que o basquete feminino atravessa.

Ao contrário da equipe masculina, não dá para esperar que o time de Zanon consiga chegar ao Mundial já em condições de encarar qualquer rival de igual para igual. O julgamento deve ser feito sobre o que as jogadores apresentarem de melhor em relação àquilo que elas mesmas mostraram no passado.

Esqueçam o resultado final. É o estágio de evolução das atletas que realmente estará em jogo na Turquia. O que não diminui a responsabilidade delas e da comissão técnica.

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