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segunda-feira, 16 de março de 2015 NBB | 00:31

Bauru conquista o continente de maneira invicta e segue 100% na temporada

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Depois do timaço que foi montado, era de se imaginar que Bauru viria forte para disputar todos os títulos ao longo da temporada. Ainda assim, não dá para não se impressionar com o que os comandados de Guerrinha têm conseguido nos últimos meses. Primeiro, venceu o Paulista. Depois, a Liga Sul-Americana. Neste domingo, foi a vez de conquistar a Liga das Américas de maneira invicta ao bater o Pioneros de Quintana Roo por 86 a 72 no Maracanãzinho. Por enquanto, aproveitamento de 100%.

Bauru, campeão de tudo por enquanto na temporada (Foto: Fiba/Divulgação)

Bauru, campeão de tudo por enquanto na temporada (Foto: Fiba Americas/Divulgação)

Não foi um duelo tranquilo diante dos mexicanos, longe disso. Assim como já tinha acontecido com o Flamengo no dia anterior, Bauru também encontrou problemas para conter o pivô Justin Keenan, sobretudo na primeira metade, e chegou a ficar em desvantagem na reta final do terceiro quarto. Entrou no último com liderança de apenas três pontos.

As bolas de três foram a principal aposta da equipe brasileira no confronto, o que não é surpresa para ninguém. Tem sido assim durante toda a temporada, e não dá para apontar essa característica como algo negativo. Não para quem ficou com o troféu das últimas três competições que disputou e vem de 20 vitórias consecutivas no NBB.

No jogo deste domingo, talvez fosse o caso de explorar um pouco mais as definições perto da cesta, onde o Pioneros bateu cabeça várias vezes para acertar a marcação. Na última posse de bola antes do intervalo, por exemplo, o pivô reserva Thiago Mathias fez uma cesta depois de receber a bola com bastante espaço dentro do garrafão, em um lance no qual a defesa rival já estava postada de maneira equivocada desde o início.

Ao todo, Bauru chutou 34 vezes de trás da linha de três pontos e acertou 12, o que representa um aproveitamento de 35%. O índice não é ruim, mas poderia ter sido melhor se muitos desses arremessos tivessem sido executados em situações de menor pressão, depois de rodar um pouco mais a bola no perímetro.

Por outro lado, a estratégia forçou Keenan a sair de perto da cesta para contestar vários destes tiros de longe, o que acabou sendo fundamental para a vitória brasileira na batalha dos rebotes por 41 a 26. Destes, 15 foram de ataque, gerando novas oportunidades de pontuar em momentos críticos do embate.

Rafael Hettsheimeir: 30 pontos e oito rebotes na decisão (Foto: Fiba Americas/Divulgação)

Rafael Hettsheimeir: 30 pontos e oito rebotes na decisão (Foto: Fiba Americas/Divulgação)

Alguns outros números ajudam a ilustrar essa situação de maneira um pouco mais clara. O pivô Rafael Hettsheimeir, por exemplo, marcou metade dos seus 30 pontos de trás da linha de três pontos. Além disso, ele pegou oito rebotes. Foram três a menos que Murilo, que apanhou 11. Já Keenan conseguiu somar apenas quatro, o que chega a ser compreensível para quem teve de se deslocar mais de uma vez para tentar atrapalhar os chutes de três nos cantos da quadra.

O excesso de arremessos de longa distância tem sido alvo de muita reclamação dentro do basquete brasileiro nos últimos tempos– com razão na maioria dos casos, é bom que se diga. Mas o time que hoje é o melhor do país e que acaba de chegar ao topo do continente construiu sua trajetória bem-sucedida tendo justamente as bolas de três como carro-chefe.

Há uma lição muito simples nisso tudo: o problema, na verdade, não é a estratégia, e sim a maneira como ela é colocada em prática. Tão importante quanto espalhar atiradores de elite pelo perímetro é saber tirar proveito das situações que surgem em seguida. Bauru provou mais uma vez neste domingo que sabe fazer isso muito bem. Talvez seja o grande mérito da equipe treinada por Guerrinha, além do sacrifício de qualquer vaidade por parte dos jogadores.

“Isso é resultado da química com que esse time se entrosou em tão pouco tempo”, disse o técnico. “É um projeto novo, de cinco meses, e que já estamos colhendo resultados. Queremos mais e vamos trabalhar para isso. Temos condição de jogar de igual para igual com qualquer equipe da Europa. Estamos muito felizes, conquistar a Liga das Américas é a realização de um sonho”, completou.

Jogar em condição de igualdade com qualquer europeu é uma ideia que será colocada a prova no segundo semestre, com a disputa do título da Copa Intercontinental diante do campeão da Euroliga. Antes disso, há o desfecho do NBB. E não é preciso pensar muito para se chegar à conclusão de quem é o grande favorito para erguer o troféu da competição nacional, não é mesmo?

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domingo, 15 de março de 2015 NBA | 19:34

Lucas Bebê dá passo importante, mas precisa manter paciência

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Foram apenas 23 minutos de ação até agora na temporada de novato na NBA, distribuídos em seis partidas. Sem espaço na rotação do Toronto Raptors, o pivô Lucas Bebê foi mandado para a D-League. Logo na primeira apresentação pelo Fort Wayne Mad Ants, ele teve um impacto enorme na vitória por 119 a 95 sobre o Delaware 87ers. Foram 18 pontos, 19 rebotes e quatro tocos em cerca de 27 minutos — algo extremamente animador para quem não vinha recebendo oportunidades para mostrar serviço.

“Senti um pouco a falta de ritmo, claro, assim como o entrosamento, porque cheguei dois dias antes do jogo, mas fui muito bem recebido por todos e isso ajudou”, disse Lucas após o duelo, através da sua assessoria de imprensa. “Tenho recebido muito apoio dos fãs dos Raptors, dos brasileiros, dos meus companheiros, e sei que preciso ter paciência, trabalhar duro para conquistar o meu espaço. Quero aproveitar ao máximo essa oportunidade de jogar na D-League, mostrar o que posso fazer, dar o meu melhor para voltar mais preparado para Toronto.”

Arrebentar na D-League é ótimo para qualquer jogador disposto a tentar convencer o mundo que merece espaço na NBA, mas não é garantia de nada. Basta lembrar do que aconteceu com um outro brasileiro em um passado não tão distante assim.

No início da temporada 2012/13, o pivô Fabrício Melo foi mandado à D-League pelo Boston Celtics e teve algumas atuações monstruosas no primeiro momento. Chegou até a emplacar um triplo-duplo de 15 pontos, 16 rebotes e 14 tocos certa vez. Na época, o técnico Doc Rivers, que ainda comandava o time de Massachusetts, afirmou que esperava mesmo ver o brasileiro tendo sucesso nesta experiência. “Não tem muitos caras grandes lá, então espero que ele seja dominante. Acredito que ele não verá ninguém do tamanho dele, ou então poucos jogadores assim”, disse.

Aos poucos, o desempenho de Fabrício passou a impressionar cada vez menos. O final da história todo mundo conhece, não é mesmo? O pivô não conseguiu alcançar o sucesso na NBA. Acabou vindo ao Brasil em seguida para jogar no Paulistano, mas logo saiu do clube. Hoje, ninguém sabe onde ele está, nem o que a carreira dentro do basquete ainda pode oferecer.

É por isso tudo que o mais recomendável neste momento é frear a empolgação em torno da boa estreia de Lucas Bebê na D-League. Causar impacto neste primeiro teste é melhor do que passar batido, obviamente. Mas não será esse o único fator determinante para quem sonha em conquistar a confiança do técnico Dwane Casey e ganhar minutos em um time competitivo da NBA.

No fim das contas, o melhor para ele é seguir à risca o discurso pós-estréia: manter a paciência e seguir trabalhando duro por espaço. Os números expressivos na D-League representam um passo importante de uma caminhada muito longa.

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NBB | 18:11

Bauru x Flamengo: a decisão que não vai acontecer

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“Bauru está muito bem mesmo. Jogamos duas vezes contra eles e perdemos. Foram jogos parelhos, mas a verdade é que eles ganharam ambos. Precisamos tomar alguns cuidados. Jogaremos em casa a fase final da Liga das Américas e temos antes de pensar no Pioneros de Quintana (México). Mas Bauru está com um time bastante perigoso mesmo e será um desafio enorme caso a gente se encontre na final.”

Foi isso o que o ala argentino Walter Hermann disse ao Triple-Double em Franca, durante o fim de semana do Jogo das Estrelas do NBB, ao ser questionado sobre um possível encontro com Bauru na decisão da Liga das Américas. Era natural que esse tipo de pergunta fosse feita aos jogadores do Flamengo. Campeão nacional e continental na última temporada, o clube carioca vinha vendo o rival paulista se consolidar como uma grande ameaça ao reinado construído com as conquistas recentes.

Walter Hermann e o Flamengo caíram antes da final da Liga das Américas (Foto: Fiba/Divulgação)

Walter Hermann e o Flamengo caíram antes da final da Liga das Américas (Foto: Fiba/Divulgação)

Neste sábado, a festa estava preparada para o Flamengo aproveitar o fator casa e carimbar a vaga na partida pelo título das Américas contra Bauru, que já havia passado sem sustos pelo Peñarol, da Argentina, por 80 a 61. Mas a festa da torcida local no Maracanãzinho e os planos de quem pretendia ver o duelo entre os dois brasileiros foram frustrados pelo Pioneros de Quintana Roo, do México, que levou a melhor na prorrogação pelo placar de 82 a 81.

Deu até a impressão de que o Flamengo não teria tantos problemas assim. Tudo deu certo no início para a equipe comandada por José Neto, que sobrou e abriu dois dígitos de liderança no placar no primeiro quarto. Apesar de a superioridade ter desaparecido no período seguinte, o time foi para o intervalo ainda em vantagem por 42 a 40. Isso graças em grande parte ao ala Marquinhos, que anotou 18 dos seus 27 pontos nos 20 minutos iniciais.

Mas, com o equilíbrio restabelecido, o Pioneros conseguiu levar a partida da maneira que julgava mais conveniente. Além de forçar 17 erros, fechou as portas dentro do garrafão e obrigou o Flamengo a insistir em definir as coisas na linha de três pontos. O aproveitamento de apenas seis acertos em 28 tentativas nestes chutes dos brasileiros mostra que a estratégia deu resultado.

No último quarto, o Flamengo fez algo parecido. O oponente também teve dificuldades no acesso ao garrafão e se viu obrigado a recorrer às bolas de fora. O problema é que algumas delas caíram, mesmo em momentos nos quais o arremesso não parecia tão promissor assim. Foi um baque e tanto para quem vinha sofrendo horrores para conter o pivô Justin Keenan, que somou 25 pontos, seja perto do aro ou em tiros de longe.

Comandados de José Neto erraram bastante contra o Pioneros (Foto: Fiba/Divulgação)

Comandados de José Neto erraram bastante contra o Pioneros (Foto: Fiba/Divulgação)

Apesar de todos os problemas, o time da casa teve a chance de vencer e manter vivo o sonho da torcida local de testemunhar um bicampeonato continental. Algumas chances preciosas foram desperdiçadas ainda na reta final do último quarto, com o placar empatado. Mas a série de erros nos dois lados da quadra custou caro demais.

O reinado do Flamengo nas Américas chegou ao fim. Um novo campeão está prestes a ser conhecido sem que fosse possível ver o choque de forças com Bauru.

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quinta-feira, 12 de março de 2015 LBF | 15:43

“Pode ser que ajude um pouco o basquete feminino brasileiro”, diz Clarissa sobre vaga na WNBA

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O prêmio de MVP do Jogo das Estrelas da LBF (Liga de Basquete Feminino) foi apenas a cereja do bolo para Clarissa. Uma das jogadoras de maior impacto dentro do país já há algum tempo, a pivô de 27 anos partirá para os Estados Unidos assim que encerrar a participação com Americana no torneio nacional. O destino será o Chicago Sky, vice-campeão da última temporada da WNBA. Notícia que ela imagina ser capaz de causar algum tipo de impacto não apenas na própria carreira.

“Pode ser que ajude um pouco o basquete feminino brasileiro no sentido de dar motivação a atletas do futuro e a mostrar que coisas boas também acontecem por aqui, que há evolução”, disse Clarissa ao Triple-Double. “Talvez isso possa gerar mais patrocínios à modalidade, permitindo maior investimento para elevar a qualidade do campeonato de uma maneira geral.”

Clarissa: pivô tem sobrado na LBF há algum tempo (Divulgação/LBF)

Clarissa: pivô tem sobrado dentro do Brasil há algum tempo (Divulgação/LBF)

As portas que se abriram não surpreenderam quem a acompanha de perto no dia a dia. “Ela merece muito”, afirmou a ala-pivô Damiris, companheira de Clarissa em Americana e que também atua na liga norte-americana, defendendo o Minnesota Lynx. “É uma batalhadora e me ajudou muito desde sempre, seja me incentivando ou puxando a minha orelha nos momentos em que foi preciso, me dizendo que eu precisava treinar mais forte. Espero que ela tenha sucesso e continue no time por muito tempo.”

Com relação ao Chicago Sky, Clarissa admitiu conhecer apenas “algumas coisas”. Sabe que o vice-campeonato de 2014 representa uma ascensão de um time que se classificou apenas duas vezes para os playoffs. Entre as futuras colegas de elenco, destacou a talentosa ala-armadora Elena Delle Donne, eleita a melhor novata da WNBA em 2013, e a ala Tamera Young, que joga pelo América na LBF. “Vou ainda ficar mais por dentro de tudo até chegar lá”, prometeu a brasileira.

Na atual edição da LBF, a pivô tem médias de 16,4 pontos, 11,2 rebotes e 2,3 roubos de bola por partida. É ela quem lidera o ranking de eficiência da competição, com um índice de 24,3. Graças em grande parte às suas atuações, Americana venceu 15 dos 16 jogos que disputou e aparece no topo da tabela de classificação.

Clarissa e Damiris lado a lado na seleção brasileira (Foto: Divulgação/Fiba)

Clarissa e Damiris lado a lado na seleção brasileira (Foto: Divulgação/Fiba)

Mas tudo isso ficará para trás assim que ela chegar nos Estados Unidos, onde o nível de competitividade é muito maior. “Devo chegar e fazer o que faço sempre, que é dar o meu melhor no dia a dia e trabalhar duro. Vejo as coisas como se fosse um jogo de vídeo-game, em que as fases são cada vez mais difíceis e você vai aprendendo durante a caminhada”, comparou Clarissa.

Nas vezes em que foi submetida a testes mais desafiadores aos que está acostumada a enfrentar, ela respondeu relativamente bem. As médias com a seleção brasileira no Mundial do ano passado foram de 10,2 pontos e 7,0 rebotes por jogo. Nas Olimpíadas de 2012, os números tinham sido ainda melhores: 12,6 pontos e 9,0 rebotes por partida. Resta saber como ela se sairá na próxima fase do vídeo-game.

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NBA | 01:47

Vaga nos playoffs já está fora do alcance, mas nem tudo é desesperador para o Lakers

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Passou batido na terça-feira, mas ainda vale o registro. Apesar da vitória sobre o Detroit Pistons por 93 a 85, o Los Angeles Lakers terminou a noite já eliminado da corrida pelos playoffs da Conferência Oeste. Isso porque o New Orleans Pelicans venceu seu compromisso momentos antes e não pode mais ser alcançado pelos californianos, que não viam as chances de classificação se reduzirem a zero tão cedo assim desde a temporada 1957/58.

Sim, pois é. A franquia ainda estava em Minneapolis na época. O elenco começou a jornada treinado por George Mikan, um ex-pivô que foi a grande estrela do Lakers no tricampeonato do início daquela década. Ele acabou sendo demitido no meio do caminho e substituído por John Kundla, técnico que comandou os três títulos consecutivos e que voltou para tentar recolocar a equipe nos trilhos. Não conseguiu. A campanha foi de 19 vitórias e 53 derrotas, o que representa um aproveitamento de 26,4% — o mais baixo até hoje.

Lakers

O atual Lakers que se cuide, então. Graças à vitória sobre o Pistons, a campanha nesta temporada tem rendimento de 27%. Ainda não é a pior da história, mas está quase lá. Isso significa que o índice consegue ser bem inferior ao do campeonato anterior, que já havia frustrado demais uma torcida que se acostumou a brigar entre as grandes forças da NBA. Afinal de contas, essa é só a segunda vez que a franquia fica dois anos seguidos fora dos playoffs.

“Sendo bem sincero, eu não penso sobre isso”, afirmou o técnico Byron Scott, logo após a confirmação de que todas as chances de classificação foram para o espaço. “Estou pensando apenas no processo deste time de continuar melhorando e seguir com o que conversamos sobre os dois lados da quadra. Do primeiro dia da temporada até hoje, nós melhoramos defensivamente. É isso o que estou buscando durante todo o campeonato, então é algo que me deixa feliz. Precisamos continuar fazendo isso nos próximos 19 jogos”, completou.

Dá para entender o que Scott quer dizer. O time que ele comanda tem a terceira pior eficiência defensiva da liga, com uma média de 107,5 pontos sofridos a cada 100 posses de bola. O desempenho é muito parecido com o do ano anterior, quando a equipe de Mike D’Antoni permitiu aos rivais 107,9 pontos a cada 100 ataques, marca que também foi a terceira mais alta. Mas se forem considerados apenas os jogos disputados após o “All-Star Game”, o Lakers consegue aparecer acima de outras nove equipes neste quesito.

A evolução citada pelo treinador de fato ocorreu. Além disso, há gente no elenco conseguindo aproveitar as oportunidades que recebem para mostrar alguma qualidade, como por exemplo o armador calouro Jordan Clarkson. Comemorar essas pequenas conquistas é quase tudo o que se tem a fazer mesmo em tempos tão problemáticos.

Julius Randle: fratura na perna direita logo na estreia

Julius Randle: fratura na perna e fim de temporada na estreia

Afinal de contas, duas das principais esperanças que o torcedor do Lakers tinha de dias melhores estão fora de combate e só voltam na temporada que vem. Kobe Bryant lesionou o ombro e precisou passar por uma cirurgia em janeiro. Já Julius Randle, ala-pivô selecionado na sétima escolha do Draft depois de levar Kentucky ao vice-campeonato universitário, fraturou a perna direita logo no seu primeiro jogo entre os profissionais.

Para voltar a ser um time competitivo no próximo ano, tudo o que o Lakers pode fazer neste momento é esperar que a dupla se recupere da melhor maneira possível e que o ritmo de derrotas não diminua tanto assim até o fim da fase de classificação. Isso porque a escolha de primeira rodada no Draft só se tornará realidade se permanecer entre as cinco escolhas iniciais. Em caso contrário, ela ficará com o Philadelphia 76ers.

Mas se der para isso tudo acontecer sem que a atual campanha fique marcada como a pior da franquia em todos os tempos, melhor.

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quarta-feira, 11 de março de 2015 NBB | 09:00

Paco García: “Mogi foi uma surpresa no ano passado. Agora, todo mundo espera algo da gente”

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Não é difícil entender a razão pela qual o trabalho de Paco García ganhou notoriedade e deixou tanta gente admirada ao longo da temporada passada. Foi sob o comando do espanhol de 47 anos que Mogi das Cruzes escreveu uma das histórias mais surpreendentes já vistas no basquete nacional recentemente. Após se classificar aos playoffs do NBB com a última das 12 vagas possíveis, o time ignorou completamente a condição de azarão ao eliminar Pinheiros e Limeira, considerados amplamente favoritos naquelas séries. A campanha terminou na semifinal diante do Flamengo, mas não sem antes vencer uma vez os cariocas, que foram campeões.

Paco García orienta time de Mogi das Cruzes durante pedido de tempo (Foto: João Pires/LNB)

Paco García orienta time de Mogi das Cruzes durante pedido de tempo (Foto: João Pires/LNB)

“Mogi foi uma surpresa no ano passado. Agora, todo mundo espera algo da gente”, disse Paco ao Triple-Double, em uma conversa de aproximadamente 15 minutos que aconteceu durante o fim de semana do Jogo das Estrelas do NBB, em Franca. Além daquele quarto lugar, a mudança na expectativa geral sobre a equipe ocorreu também pelas adições de impacto ao elenco — como, por exemplo, o ala Shamell e o pivô Paulão.

Por outro lado, muita gente importante na trajetória improvável de 2014 saiu. Os únicos que permaneceram foram o armador Gustavinho, o ala Filipin e o ala-pivô Thomas, jogadores que Paco gosta de chamar de “três mosqueteiros”. Ele reconhece que o grupo à disposição hoje é bem diferente em relação ao do ano anterior: superior em qualidade individual, mas sem a mesma leitura defensiva. É aí que entra o papel do espanhol. “Um técnico precisa se adaptar ao material que tem nas mãos, e eu tento fazer isso”, afirmou.

Veja a conversa inteira abaixo:

Triple-Double: Mogi das Cruzes vem de nove vitórias nos últimos dez jogos no NBB. Depois de alguns altos e baixos na temporada, dá para dizer que o time finalmente encontrou a melhor forma?

Paco García: Não está sendo uma temporada fácil. Depois da excelente campanha no ano passado, precisamos reconstruir o time quase que por completo. Saíram muitos jogadores e chegaram outros, aí começou um processo difícil de entrosamento. Foi ainda mais complicado porque Paulão machucou o joelho, Gustavinho ficou afastado por quatro meses e a saída do Alemão foi um problema. Ficamos fazendo ajustes o tempo todo por causa disso. Agora, depois de oito meses, começamos a encontrar a recompensa, que é o entrosamento da equipe. Tem também a recompensa pessoal como treinador, que é ver o caminho que marcamos no ano passado, de jogar em equipe, também pode ser seguido neste ano, com jogadores de melhor qualidade individual.

Triple-Double: Esse maior entrosamento no ataque passa por Shamell rodar mais a bola e conseguir envolver os demais?

Paco García: Não tínhamos essa qualidade individual no ano passado. Tínhamos jogadores muito fortes perto do garrafão, como Sidão, Alemão, Jeff Agba e Marcus Toledo. Neste ano, temos jogadores sem tanta vocação defensiva assim, mas não deixo de cobrar deles essa entrega na marcação. Shamell é uma estrela, não exijo nada no ataque dele. Dou completa liberdade, ele sabe quando tem de chutar. Minha função é fazê-lo chegar bem nos minutos finais das partidas porque ele é o cara para definir. A exigência é para ajudar na parte de trás. Ofensivamente, Shamell é um dos jogadores de maior qualidade que encontrei na minha carreira como técnico.

Shamell: estrela do NBB à disposição de Paco em Mogi (Foto: João Pires/LNB)

Shamell: estrela do NBB à disposição de Paco em Mogi das Cruzes (Foto: João Pires/LNB)

Triple-Double: A ausência de Gustavinho deixou um buraco no elenco entre os armadores. Você precisou colocar alguns jovens do sub-22 e até improvisar Shamell em alguns momentos. Qual foi o tamanho deste impacto para o time?

Paco García: Shamell jogou no Campeonato Paulista como quatro, pois tínhamos até três pivôs machucados na época. Já na Liga Sul-Americana, em alguns momentos, precisou jogar como armador. É muita posição para um mesmo cara, é muita exploração, não? Mas ele sempre teve boa resposta nestes casos. Gosto de construir times com gente capaz de cumprir ao menos duas posições. Temos um armador que pode jogar sem a bola, como Elinho. Filipin e Shamell podem atuar como dois e três. Tyrone é um três e um quatro. E os pivôs podem jogar como quatro ou como cinco. Então essa versatilidade acrescenta muito. Quando se tem jogadores machucados, é possível que o time siga jogando. Muita gente disse que sentiríamos quando as lesões aconteceram. O maior orgulho que temos é que a equipe continua na mesma linha. Estamos em quarto lugar do NBB, fazendo bom trabalho, com muita seriedade. É um orgulho grande como técnico também.

Triple-Double: Nesta linha de jogadores versáteis, o quanto Tyrone e Gerson te permitem testar formações diferentes em quadra?

Paco García: Tyrone pode marcar jogadores das posições dois, três e quatro, o que permite muita flexibilidade tática e física. Gerson pode ser cinco, mas também pode atuar ao lado de Paulão, deixando um time muito alto em quadra. A minha prioridade depois do primeiro ano em Mogi era melhorar a equipe fisicamente. Demos um passo importante no ano passado e estamos dando um outro neste ano também.

Tyrone: versatilidade para defender até três posições (Foto: Cleomar Macedo/Divulgação)

Tyrone: versatilidade para defender até três posições (Foto: Cleomar Macedo/Divulgação)

Triple-Double: Com o que tem em mãos, é possível estabelecer alguma meta em termos de resultado? Há uma meta de superar o que foi feito na temporada passada?

Paco García: O que está claro é que o time é diferente em relação à última temporada. Aquela equipe era física e com uma leitura defensiva que foi perfeita em muitos momentos. No ataque, aproveitávamos ao máximo cada momento. Era difícil ver arremessos nossos serem dados com uma mão na frente, por exemplo, rodando bastante a bola. A inteligência do técnico é se ajustar às circunstâncias do elenco. Não podemos jogar como no ano passado, mas devemos aproveitar as coisas boas que temos agora. Não sabemos onde vamos chegar ao final do campeonato, mas todo mundo aqui dentro do elenco sabe o que pode e que não pode fazer. Essa é uma leitura boa. São situações diferentes. Mogi foi uma surpresa no ano passado. Agora, todo mundo espera algo da gente.

Triple-Double: Você chegou a classificar o ataque de Bauru como um “cobertor curto” para a defesa de Mogi na época da final da Liga Sul-Americana. Com base no que viu desde então, imagina que já teria uma resposta para controlar um pouco mais essa situação em um eventual encontro nos playoffs?

Paco García: Bom, agora aconteceu essa desgraça da lesão do Jefferson. Pessoalmente, sinto muito essa ausência dele. É um bom cara, alguém por quem tenho muito apreço dentro e fora da quadra. Aproveito até para enviar uma mensagem de força. É difícil ficar fora de combate por seis meses. Bauru vai sentir a falta de um jogador com as características dele, é inevitável isso. Mas é um time que tem jogadores com muita qualidade individual. O primeiro jogo sem Jefferson teve Gui Deodato como principal destaque, um jogador que não vinha tendo tanto espaço. Eles vão precisar fazer ajustes, mas são a equipe mais em forma do campeonato hoje, como as 20 vitórias consecutivas mostram. Vamos ver. A liga é muito longa. Ainda há mais três meses de competição, tempo de desgaste. Eles ainda vão jogar a fase final da Liga das Américas. Tem ainda os playoffs, que são um campeonato à parte. Tudo pode acontecer.

Daniel Alemão: indisciplina e saída d Mogi (Foto: Cleomar Macedo/Divulgação)

Daniel Alemão: indisciplina e saída d Mogi (Foto: Cleomar Macedo/Divulgação)

Triple-Double: A derrota na final da Sul-Americana ficou marcada também pelo desentendimento com Daniel Alemão, um pivô que ajudava muito nos rebotes. Qual foi o impacto da saída dele para o time dentro de quadra?

Paco García: Seria estúpido dizer que um jogador como Alemão não é importante. Claro que é. Mas, em um esporte coletivo, a disciplina é absolutamente inegociável. Se não há disciplina, acabou tudo. Ele não aceitou algumas normas de comportamento da equipe dentro e fora da quadra e teve de sair. Depois disso, o time fez um esforço grande para continuar forte nos rebotes. Precisamos mudar algumas situações, mas a vida continua. Ninguém é imprescindível. Na minha concepção, a equipe deve seguir forte independentemente de quem saia.

Triple-Double: Ao mesmo tempo, a saída de Alemão possibilitou que Thomas voltasse a encontrar mais espaço na rotação. É um jogador de características bem diferentes. Como isso afetou a equipe?

Paco García: Thomas é um dos três mosqueteiros do time desde quando cheguei, ao lado de Filipin e Gustavinho. É um dos meus homens de confiança. Ele entende o jogo, e isso é muito importante. Ele assume um papel dentro de quadra. Faz a parte dele e ajuda o resto, sem se incomodar se vai atuar por cinco minutos em um dia e 25 no outro. Ele sabe da importância que tem. Sabe que não são os minutos que importam, e sim o que pode dar ao time.

Triple-Double: Falando sobre Filipin, a impressão que se tem ao assistir os jogos de Mogi durante a temporada é que você confia bastante nele para a função de líder da pontuação da segunda unidade. É isso mesmo?

Paco García: Ele é um desses caras que você sempre gostaria de ter dentro de um time. Posso falar hoje que, em alguns anos, estaremos falando sobre Filipin como técnico. Ele entende o basquete e será um grande treinador, e isso será um orgulho para mim. É um jogador que aceitou perder a titularidade do ano passado, com a chegada do Shamell, e isso não é fácil. Se precisa atuar como titular, como aconteceu no último jogo, ele atua. Precisa sair do banco? Ele cumpre a função dele do mesmo jeito. E não confio apenas na pontuação a ele. Há outras situações, como a marcação, que fazem dele alguém confiável. É uma peça muito importante.

Paco García orienta um time que mudou muito nos últimos meses (Foto: Cleomar Macedo)

Paco García orienta um time que mudou muito nos últimos meses (Foto: Cleomar Macedo/Divulgação)

Triple-Double: Você vem de um país onde o basquete é muito forte. Neste terceiro ano de trabalho no Brasil, o que pode dizer sobre o nível interno de jogo?

Paco García: Um técnico europeu precisa de adaptação. Seria absurdo da minha parte fazer com que o basquete do meu time no Brasil se adapte ao basquete do meu país. Precisa se fazer uma mistura. Eu preciso me adaptar, mas também precisa que os jogadores em uma equipe se adaptem às exigências do treinador europeu. Aí se consegue uma boa mistura. Falo com orgulho disso, porque não é fácil. Fora da quadra, gosto de sair, gosto de tomar uma cerveja, gosto de festa. Sou espanhol. Mas, no trabalho, não existe risada. Dentro das quatro linhas, a exigência deve ser máxima. Se todos entendem isso, tudo fica mais fácil. Alguns atletas caem durante o caminho, outros continuam. Mas é preciso se acostumar com as características daqui. Uma das primeiras surpresa que vi quando cheguei ao Brasil é que aquele jogador que não mata bola praticamente não é respeitado. Mas ele pode fazer outras coisas. Podem passar, podem marcar. Agora sim estamos entendendo que os jogadores podem fazer coisas tão importantes quanto conseguir pontos.

Triple-Double: Essa filosofia de explorar ao máximo as utilidades de um jogador remete ao que Gregg Popovich faz no San Antonio Spurs. É algo que te serve de modelo para o seu trabalho?

Paco García: Sim. Um técnico precisa se adaptar ao material que tem nas mãos, eu tento fazer isso. Chegou Paulão, chegou Shamell. Fui o primeiro a aceitar que não será possível jogar como no ano passado. Não sei se será melhor ou pior, mas será diferente. O nosso trabalho é esconder ao máximo as deficiências e explorar as coisas boas dentro do elenco.

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NBB | 00:40

Título da LDB coroa trabalho do Basquete Cearense que já era campeão

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“O símbolo desse time não sou eu, é todo mundo.” Foi isso o que o armador Davi Rossetto disse em entrevista ao SporTV nesta terça-feira, logo após o Basquete Cearense vencer o Flamengo em Fortaleza por 63 a 58 e se sagrar campeão invicto da LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete). Em uma competição na qual fala-se bastante em destaques individuais, de jovens capazes de conquistar olheiros da NBA para construírem a carreira fora do país, esse tipo de discurso impressiona. Mas a importância que cada peça da equipe nordestina deu ao espírito coletivo durante a campanha não é novidade.

Em conversa com o blog ao final da fase de classificação, o técnico Espiga e o ala Alexandre Paranhos já haviam falado sobre isso. A vaidade no elenco é zero, algo que permitiu ao time, por exemplo, manter a invencibilidade antes do quadrangular semifinal mesmo sem contar com Davi. O mesmo jogador que brilhou diante do Flamengo com 29 pontos e sete rebotes — números que o fizeram ganhar o prêmio de MVP da decisão.

Davi Rossetto, o destaque da decisão da LDB (Foto: Luiz Pires/LNB)

Davi Rossetto, o destaque da decisão da LDB (Foto: Luiz Pires/LNB)

O que o resultado do jogo desta terça significa então, no final das contas? Que venceu quem conseguiu jogar melhor como um time? Sim. Que se trata de uma conquista importante para o Basquete Cearense e para a região do Nordeste como um todo? Sem dúvida. Foi um prêmio para um trabalho que apostou em jogadores sem espaço em outros clubes e que agora atrai a atenção de gente que não estava acostumada a olhar para lá.

Tudo isso é verdade, mas é importante também manter os pés no chão na hora de se analisar o campeão da LDB — algo que seria indispensável independentemente de quem vencesse a decisão. Olhar apenas para o resultado e concluir que o time ganhador tem a melhor base do país é errado. Isso já foi falado por aqui em outras oportunidades, mas vale a pena sempre esclarecer essa questão. O título é importante, obviamente, porque a disputa pelo troféu ajuda a instigar o espírito competitivo dos jovens atletas. Mas é apenas uma das várias questões que devem ser levadas em consideração.

Dá para dizer que o Pinheiros, por exemplo, que caiu na semifinal, tem motivos para lamentar a campanha no sub-22? De jeito nenhum. O time paulista terminou a competição sabendo que há pelo menos três jogadores promissores que podem muito bem ajudar a equipe principal em um futuro próximo — Lucas Dias, Georginho e Humberto. Não é uma vitória e tanto?

E o Flamengo, então? Mesmo com uma atuação aparentemente discreta, Cristiano Felício saiu de quadra nesta terça com 19 pontos e 20 rebotes. São marcas bem expressivas e que poderiam ter sido ainda mais impressionantes se o pivô não tivesse encontrado tanta dificuldade para se virar diante da defesa adversária. No intervalo, ele chegou até a dizer que não estava conseguindo achar um companheiro livre quando a marcação dobrava, o que precisa ser corrigido na sequência da carreira. Dá para imaginar que tipo de monstro ele pode se tornar no dia que isso acontecer?

Felício, por exemplo, não foi formado no Flamengo. Davi também não se desenvolveu durante a adolescência no Basquete Cearense, assim como a maioria dos seus companheiros campeões. É por isso que o julgamento de um trabalho de base a partir apenas do resultado de uma competição como essa é um erro.

Cristiano Felício: futuro brilhante pela frente (Luiz Pires/LNB)

Cristiano Felício: futuro brilhante pela frente (Luiz Pires/LNB)

Também não parece correto rejeitar casos como os de Felício e Davi, que já fazem parte da rotação dos times adultos em seus respectivos clubes há algum tempo — apesar de, neste caso, ser possível entender os argumentos contrários. Qualquer decreto sobre um jogador realmente precisar ou não disputar a LDB seria subjetivo. A decisão, no final das contas, fica sob responsabilidade dos envolvidos diretos mesmo. Se os técnicos destes atletas e eles próprios entendem que a competição ainda tem algo a contribuir no processo de formação, quem conseguiria provar o contrário?Afinal de contas, a letra D da sigla do campeonato quer dizer “desenvolvimento”.

A competição é tão interessante quanto necessária para o basquete brasileiro por permitir situações novas aos jovens que a disputam. Aqueles que não jogam em lugar nenhum, como Pezão, podem conquistar a admiração de algum clube do NBB e seguirem em frente no esporte. Os que têm poucos minutos entre os adultos podem usar o tempo maior de quadra para se aperfeiçoarem. E mesmo os que atuam bastante no time principal podem encarar uma situação diferente de competição, muitas vezes sendo protagonistas ao invés de coadjuvantes — isso para não dizer o quanto os demais podem se beneficiar ao encararem gente assim.

No caso do Basquete Cearense, muitos atletas campeões da LDB são usados regularmente pelo técnico Alberto Bial na equipe que disputa o NBB. Mais do que trabalhar jovens para utilizá-los hoje e no futuro, o time nordestino viu a aposta em jovens que estavam desacreditados dar resultado. Espiga mesmo citou o exemplo do pivô Rômulo quando conversou com o blog. “Ele está com a gente há três anos. Chegou pesando 140 kg e sem oportunidade de jogar. Nós acreditamos nele. Ele também acreditou em si mesmo, e hoje colhemos juntos”, lembrou.

É uma história que ajuda a mostrar o sucesso do trabalho que foi feito ao longo dos últimos meses. O título acabou apenas coroando um projeto que já era campeão.

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terça-feira, 10 de março de 2015 NBB | 15:41

Perfis da LDB – Cristiano Felício e o potencial incrível no radar da NBA

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Georginho, Lucas Dias e alguns outros jovens podem até estarem usando a LDB (Liga de Desenvolvimento) para se apresentarem a olheiros da NBA e a outros tipos de analistas. Cristiano Felício, não. O pivô de 2,08m já tinha brilhado na edição passada do campeonato sub-22, quando liderou o Flamengo ao título, e integra regularmente a rotação de garrafão do técnico José Neto na equipe principal. Está longe de ser uma novidade, mas o impacto dentro de quadra faz dele alguém impossível de ser ignorado.

As médias de Felício nesta temporada da LDB são de 17,1 pontos e 14,7 rebotes por partida. Não à toa, ele lidera o ranking de eficiência da competição com um índice de 25,8 por jogo — muito acima dos 22,4 de Lucas Dias, seu perseguidor mais próximo.

Cristiano Felício, líder do Flamengo em quadra na LDB (Foto: João Pires'/LNB)

Cristiano Felício, líder do Flamengo em quadra na LDB (Foto: João Pires’/LNB)

“É um menino com potencial incrível”, disse ao blog o ala-pivô Olivinha, companheiro de Felício no elenco principal do Flamengo. “É muito atlético, e isso ajuda bastante. Gosta de trabalhar, está sempre fazendo treinos específicos e escuta muito os mais experientes, o que também é um ponto a favor. Tem muito a crescer ainda, mas acredito que está no caminho certo.”

A forma recente na LDB tem ajudado a mostrar continuidade no processo de crescimento do atleta. Em junho, ele foi eleito o melhor jogador do Eurocamp, evento na Itália que reuniu alguns dos mais talentosos jovens até 23 anos do mundo. Acontecimento que definitivamente o fez aparecer em posição um pouco mais privilegiada no radar de olheiros da NBA.

O Draft Express, por exemplo, escreveu o seguinte sobre ele após o Eurocamp de 2014: “Durante os três dias de atividades, buscou rebotes de maneira efetiva e usou sua força e capacidade atlética para finalizar dentro do garrafão. Além de tudo, mostrou um arremesso promissor, o que é um desenvolvimento significativo para alguém que se encontra de certa forma preso entre as posições quatro e cinco.”

Pouco tempo depois, na excursão que o Flamengo fez pelos EUA para partidas de pré-temporada da NBA, Felício voltou a causar boa impressão. Teve apresentações bem sólidas neste período de testes exigentes que encarou. Talvez essa indefinição sobre a posição ideal seja a grande questão para o próximo passo da carreira, que consiste em levar para o adulto o mesmo impacto que tem causado há um tempo no sub-22.

Ainda é preciso aprimorar a defesa e terminar de evoluir o jogo ofensivo longe da cesta, algo que o tornaria mais apto a atuar como um ala-pivô. Mas, definitivamente, há um potencial bem interessante dentro de Felício. O futuro pode ser brilhante, e o desempenho na LDB é um forte indicativo disso.

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segunda-feira, 9 de março de 2015 NBB | 22:14

Perfis da LDB – Pezão e a luta incansável contra os grandões no garrafão

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O Náutico não conta com uma equipe no NBB e foi eliminado logo na fase de classificação da LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete), mas um jogador em especial do time nordestino chamou a atenção durante sua participação na competição sub-22. O nome dele é Wilmar Borges Garcia, mais conhecido como Pezão. Trata-se de um pivô com médias de 17,5 pontos e 9,2 rebotes por partida, números que o colocam em quarto na lista dos cestinhas e em terceiro entre os reboteiros. Além disso, é o sexto em eficiência, com índice de 17,4 por jogo.

Pezão em ação pelo Náutico (Foto: Raphael Oliveira/LNB)

Pezão em ação pelo Náutico (Foto: Raphael Oliveira/LNB)

“Todo atleta sonha em ir para o NBB, e comigo não é diferente”, disse Pezão ao blog, logo após a derrota do Náutico para o Pinheiros que encerrou a participação do clube na temporada da LDB. “A partir disso, me motivo todos os dias a treinar mais, a chegar antes para trabalhar o meu chute e as bolas embaixo da cesta. Tudo para melhorar meu desempenho geral e convencer algum time do NBB que estiver me vendo a me dar uma chance. Me motivo também a ajudar a equipe a ganhar, pois quanto melhor a gente for, mais os outros podem olhar com carinho e virem atrás do que dá certo por aqui”, completou.

Pezão apresentou capacidade atlética muito boa nos duelos da LDB, algo que o ajudou na luta por espaços no garrafão. Ele mesmo tratou de reconhecer isso ao descrever o estilo dentro de quadra. “Minha principal característica é jogar de dentro para fora e de fora para dentro, tudo muito rápido. Pego muito rebote e me destaco mais na defesa do que no ataque. Tenho como ponto fraco o drible. É algo que preciso trabalhar para melhorar”, reconheceu.

Evoluir tecnicamente para conseguir se tornar uma ameaça longe da cesta acaba virando uma necessidade ainda maior para Pezão por causa da altura de 1,98m — o que é baixo para um pivô. “Na verdade, sou um ala-pivô”, esclareceu. “Acabo fazendo a posição cinco aqui no time porque a técnica (Mônica dos Anjos) quer ter um time mais baixo e mais rápido em quadra. Já cheguei até a atuar como três”, observou.

Ao olhar o jovem de 22 anos em quadra brigando com algum sucesso por rebotes nos dois lados a quadra, é inevitável não pensar como seriam as coisas se ele tivesse alguns centímetros a mais. Ainda assim, Pezão conseguiu superar essa desvantagem para assumir papel de protagonista na LDB. O desafio agora é fazer o mesmo entre os adultos para conseguir realizar o sonho de jogar no NBB.

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NBA | 01:02

Mais um triplo-duplo para a coleção de Westbrook. Dá para alcançar o que Michael Jordan fez?

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RWRussell Westbrook é o assunto do momento na NBA e não é à toa. Ao longo da semana, o armador do Oklahoma City Thunder tornou-se o primeiro jogador a alcançar o triplo-duplo em quatro partidas seguidas desde 1989, quando Michael Jordan emplacou sete em sequência. A série foi interrompida na quinta-feira, justamente diante do Chicago Bulls, mas ele não demorou para retomar o que estava fazendo.

Na vitória do Thunder sobre o Toronto Raptors neste domingo por 108 a 104, Westbrook anotou 30 pontos, pegou 11 rebotes e distribuiu 17 assistências — número que o fez igualar o recorde pessoal no fundamento. Foram, portanto, cinco triplos-duplos nos últimos seis jogos. O feito chama a atenção, é claro. Mas impressiona um pouco menos quando se olha para o que o melhor de todos os tempos fez 26 anos atrás.

Michael JordanPois é. Jordan registrou triplo-duplo dez vezes em um intervalo de 11 partidas entre março e abril de 1989, antes ainda de se consagrar campeão da NBA pela primeira vez. Isso significa que Westbrook teria de atingir dois dígitos em três fundamentos nos próximos cinco compromissos do Thunder para igualá-lo — algo improvável, em que pese a excelente fase do armador.

O curioso é que as atuações monstruosas na reta final da fase de classificação não bastaram para Jordan tirar das mãos de Magic Johnson o prêmio de MVP da NBA em 1989. Pelo o que tem jogado, Westbrook seguramente está na corrida pelo troféu neste ano, mas ainda é difícil imaginá-lo superando a concorrência de James Harden ou de Stephen Curry no final da contas.

 

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