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quarta-feira, 17 de setembro de 2014 NBA | 20:06

Explosivo, carismático e bom de bola. Rasheed Wallace era assim

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14 de abril de 2013. Restava pouco mais de uma hora para o início do jogo entre New York Knicks e Indiana Pacers no Madison Square Garden. Muitos jornalistas estavam concentrados no vestiário do time mandante, conversando uns com os outros descontraidamente à espera de algum atleta que pudesse aparecer por ali. Enquanto isso, Rasheed Wallace estava na quadra arremessando já havia algum tempo.

Era um procedimento frequente. O já experiente ala-pivô não atuava desde dezembro de 2012 por causa de uma fratura no pé esquerdo e usava essa série longa de arremessos antes dos jogos como um teste para avaliar sua condição.

Rasheed Wallace encerrou a carreira no Knicks (Foto: Getty Images)

Rasheed Wallace encerrou a carreira no Knicks (Foto: Getty Images)

Em um determinado momento, Rasheed entrou no vestiário. Todos os vários jornalistas que ali estavam ficaram mudos na hora. Passaram a rodar os olhos pelo local buscando alguém que aceitasse a missão de tentar fazer aquele grandalhão de 2,11m e cara de poucos amigos falar. Até os mais experientes, aqueles acostumados a cobrir o Knicks há anos, estavam hesitantes.

Foram apenas alguns segundos de silêncio absoluto, mas a tensão foi tão grande que pareceu uma eternidade. Até que um destes jornalistas mais experientes resolveu dar o primeiro passo. Ele se aproximou de Rasheed cuidadosamente, buscou o tom mais carinhoso possível em suas cordas vocais e perguntou docemente: “Sheed, você aceita conversar hoje?”

A resposta foi curta e grossa: “Não”, disse o ala-pivô enquanto dobrava algumas roupas e as colocava em uma bolsa, junto com alguns outros pertences. “Nem depois do jogo?”, ele ouviu, antes de devolver um “não” ainda mais seco que o anterior.

“Por que não?”, insistiu o corajoso jornalista. “Porque eu não vou jogar, então não há nada que eu possa dizer”, encerrou o atleta, que pegou a bolsa e deixou o vestiário. A leveza voltou ao ambiente imediatamente. Aqueles que lá já estavam se divertiram no fim das contas. “O Rasheed é assim”, diziam.

Aquela partida terminou com vitória tranquila do Knicks sobre o Pacers. As equipes trataram o duelo como uma disputa direta pelo segundo lugar na classificação da Conferência Leste para os playoffs. Rasheed só queria poder jogar e se aposentar no seus próprios termos. A carreira teria de terminar por conta própria, não por força de uma lesão.

Rasheed Wallace foi campeão em 2004 com o Detroit Pistons (Foto: Getty Images)

Rasheed Wallace foi campeão em 2004 com o Detroit Pistons (Foto: Getty Images)

Mike Woodson, então comandante do Knicks, disse que o ala-pivô estava bem perto de retornar. Isso de fato aconteceu. No dia seguinte, Rasheed participou da derrota fora de casa diante do Charlotte Bobcats por 106 a 95. Fez dois pontos nos exatos três minutos e cinquenta segundos em que esteve em quadra.

Foi um jogo de despedida. Dois dias depois, veio o anúncio da aposentadoria. Foi o fim da carreira de uma das figuras mais marcantes da NBA ao longo da última década e meia. Algo que ficou evidente nesta quarta-feira, quando o ex-jogador comemora 40 anos de idade.

Além do Knicks, Rasheed passou por Washington Wizards (chamado de Bullets na época), Portland Trail Blazers, Atlanta Hawks, Detroit Pistons e Boston Celtics. Torcedores de quase todos esses times se manifestaram nas redes sociais para homenagear a data e lembrar de maneira carinhosa do ala-pivô.


Ele tinha cara de poucos amigos mesmo, uma personalidade explosiva e adorava reclamar tanto com os árbitros que é dono do recorde de faltas técnicas em uma única temporada da NBA. Mas jogava demais. O temperamento ficava em segundo plano e acabava contribuindo para o status de ídolo diante dos torcedores dos times pelos quais passou ao longo da carreira.

Rasheed era assim.

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segunda-feira, 15 de setembro de 2014 Fiba, NBA | 17:40

Joelhos resistem bem, mas parte técnica de Derrick Rose preocupa após a Copa do Mundo

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Kyrie Irving conquistou o prêmio de melhor jogador da Copa do Mundo. Kenneth Faried foi selecionado junto com ele para o quinteto ideal, algo que poderia acontecer tranquilamente com Anthony Davis e Klay Thompson. James Harden e Stephen Curry tiraram chutes da cartola em momentos difíceis. DeMarcus Cousins lutou bastante dentro do garrafão. Rudy Gay fez as vezes do ala-pivô que sai para chutar de longe e espaçar a defesa adversária. No geral, muita gente teve contribuição importante ao longo da campanha que culminou no bicampeonato mundial dos Estados Unidos. Mas um dos comandados de Mike Krzyzewski acabou chamando a atenção de maneira negativa.

Ele atende pelo nome de Derrick Rose. O armador do Chicago Bulls deixou claro na Espanha que ainda está bem longe de apresentar o nível de basquete que o levou a se tornar, em 2011, o mais jovem a conquistar o prêmio de MVP da temporada da NBA.

Derrick Rose: atuações apagadas na Copa do Mundo (Foto: Fiba/Divulgação)

Derrick Rose: atuações apagadas na Copa do Mundo (Foto: Fiba/Divulgação)

Rose não se cansou de amassar o aro durante a Copa do Mundo. Ao longo dos nove jogos que disputou, tentou 59 chutes e converteu apenas 15. Isso resulta em um aproveitamento baixíssimo de 25,4%. De trás da linha de três, arriscou 19 bolas e acertou uma única — desempenho de 5,3%. Foi tijolada atrás de tijolada, como se percebe.

Em cerca de 17 minutos de atuação por partida, registrou médias de 4,8 pontos, 3,1 assistências e 2,0 desperdícios de posse de bola. Ninguém cometeu tantos erros quanto ele. No que diz respeito a eficiência, teve 3,8 por duelo, número que só supera os 2,9 de Mason Plumlee. Mas o pivô do Brooklyn Nets acabou sendo limitado a sete minutos por jornada.

Tão importante quanto o olhar sobre as estatísticas é a lembrança das condições nas quais Rose chegou ao Mundial. Antes da competição, ele participou de apenas dez embates ao longo das duas últimas temporadas da NBA. As cirurgias nos dois joelhos levantaram um questionamento muito grande sobre como seria a reação das articulações. Antes mesmo de Krzyzewski definir os 12 atletas que levaria à Espanha, havia muita dúvida se o armador conseguiria resistir à sequência de jogos.

Neste ponto, a resposta foi positiva. Rose entrou em quadra em todos os confrontos dos Estados Unidos na competição. Não foi poupado nem mesmo na série de rodadas em três dias consecutivos na primeira fase. Em algumas oportunidades, até mostrou flashes do jogador que foi no passado, com dribles cheios de explosão em direção à cesta. A bandeja na vitória sobre a Eslovênia talvez seja o melhor exemplo.

“Ele mostrou que pode resistir a jogos em dois ou até em três dias consecutivos. Isso tudo é positivo. Fisicamente, está ótimo. Mentalmente, também está ótimo”, elogiou Tom Thibodeau, técnico do Chicago Bulls que foi um dos auxiliares de Krzyzewski na Espanha.

O próprio Rose ficou satisfeito com essa trajetória toda ao longo das últimas semanas. “Olhando para trás, minha ideia era a de entrar no time. Tinha (à disposição) alguns armadores mais jovens que tiveram grandes anos na liga desde que me ausentei. Eu tentei mostrar a eles que ainda sou um dos melhores do pedaço. Fui para os treinos com a intenção de provar o meu trabalho”, disse ele.

Sob esse ponto de vista, deu tudo certo mesmo. Os joelhos, aparentemente, resistiram bem à carga intensa de jogos. O controle de bola e os dribles rápidos ainda estão lá. Apesar disso tudo, as atuações recentes causam preocupação. Justamente pelos números elevados de desperdícios de posse de bola e de arremessos errados.

Muitos destes chutes que bateram no aro e não entraram foram dados de média e longa distância, não apenas em bandejas que finalizam infiltrações em garrafões adversários. O baixo aproveitamento nestas oportunidades abre a possibilidade para as defesas apostarem sem medo em fechar as portas da área pintada e induzir o armador ao arremesso.

Se isso de fato acontecer, ele se transformará em um jogador bem mais fácil de ser marcado, o que fatalmente dificulta os planos do Chicago Bulls para a próxima temporada. Afinal de contas, uma das principais ideias da comissão técnica é utilizar os dribles de Rose para quebrar as defesas adversárias e abrir espaços para as contribuições de especialistas em chutes de longe, como os novatos Doug McDermott e Nikola Mirotic.

Rose realmente tem motivos para encarar de maneira positiva o fato de ter conseguido disputar a Copa do Mundo porque os joelhos operados responderam bem. Mas só isso não basta. Se quiser mesmo mostrar que ainda está entre os melhores da sua posição, como ele próprio falou depois do título na Espanha, terá de aprimorar com certa urgência a parte técnica, que não lembra em nada a apresentada durante os primeiros anos como profissional.

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domingo, 14 de setembro de 2014 Fiba | 20:08

Parecia que concorrência poderia ameaçar os EUA. Não foi desta vez

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“Até eles mostrarem para a gente por 40 minutos que são o melhor time, eu não vou dizer que eles são os melhores”, disse Sasha Djordjevic antes da decisão da Copa do Mundo. Foi um discurso corajoso e que precisava mesmo ser dito pelo técnico sérvio, evitando que seus comandados entrassem em quadra já derrotados pelos Estados Unidos.

Foi o que aconteceu. A Sérvia conseguiu se impor e tomou conta da partida… por quatro minutos. Depois de explorar cada espaço livre que aparecia dentro do garrafão para pontuar e abrir 15 a 7 no placar, viu os rivais responderem com uma corrida de 15 pontos consecutivos e pronto. Acabou. Como bem alertou Jonas Kaslauskas, técnico da Lituânia, logo após o duelo pelas quartas de final, “o jogo pode escapar muito rapidamente” quando se encara os EUA.

EUA: nove passeios em nove jogos ao longo de duas semanas (Foto: Fiba/Divulgação)

EUA: nove passeios em nove jogos ao longo de duas semanas (Foto: Fiba/Divulgação)

A entrada de DeMarcus Cousins no lugar de Anthony Davis, que rapidamente acumulou duas faltas, acabou freando as investidas adversárias perto da cesta. Mas foram dois outros dois caras que lideraram o processo de transformação completa do cenário da final: James Harden e, principalmente, Kyrie Irving, que acertaram tudo o que tentaram durante o primeiro quarto e carregaram a equipe à liderança por 35 a 21.

Vantagem que só aumentou daí em diante. Os EUA venceram por 129 a 92 e faturaram o título pela quinta vez. A conquista aumenta a sequência de triunfos em competições importantes, iniciada em 2008 com o ouro olímpico em Pequim. O último revés do país aconteceu já há oito anos, quando a caminhada no Mundial do Japão em 2006, terminou na semifinal, diante da Grécia. Faz muito tempo.

O time à disposição de Mike Krzyzewski passou longe de se mostrar perfeito ao longo da Copa do Mundo. Algumas das fraquezas que insistiram em aparecer durante a campanha foram destacadas aqui mesmo neste espaço. Além disso, viajou para a Espanha sem força máxima. Não custa lembrar que LeBron James, Carmelo Anthony, Dwight Howard, Blake Griffin, Kevin Love e uma série de outros craques nem sequer se apresentaram. Paul George fraturou a perna no início da fase de preparação, e Kevin Durant pediu dispensa poucos dias depois. Apesar disso tudo, os norte-americanos voltam para casa com nove vitórias absolutamente tranquilas em nove jogos.

Kyrie Irving, o MVP da Copa do Mundo (Foto: Fiba/Divulgação)

Kyrie Irving, o MVP da Copa do Mundo (Foto: Fiba/Divulgação)

Dos 12 atletas que integraram esse time, dois foram selecionados para o quinteto ideal da competição: Kenneth Faried e Kyrie Irving, escolhidos ao lado de Pau Gasol, Nicolas Batum e Milos Teodosic. O armador do Cleveland Cavaliers acabou sendo eleito o MVP, mas é bastante óbvio que a campanha vitoriosa norte-americana conta com outros destaques tão importantes quanto os dois, ao ponto de até se levantar o debate do quanto a premiação foi injusta com alguns nomes. Anthony Davis e Klay Thompson são dois deles.

Mas isso tudo fica em segundo plano. O que importa é que Krzyzewski, desde que retornou ao comando dos EUA, jamais viajou para uma competição com uma equipe tão cheia de dúvidas. Nenhuma outra causou tanto nos adversários a sensação de que a vitória era possível. Até mesmo o próprio treinador chegou a admitir em determinado momento que o grupo não era imbatível. Ainda assim, o título veio. Depois de nove passeios em duas semanas.

Mesmo quando tinha motivos para ser otimista, a concorrência nem viu a cor da bola. O que faz ficar bastante difícil imaginar o dia que essa situação será diferente.

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Fiba | 10:39

Bronze com time desfalcado simboliza força do basquete francês

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Duas semanas atrás, quando a Copa do Mundo estava começando, a França não aparecia em muitas projeções de semifinalistas da competição. Afinal de contas, Tony Parker não estava à disposição. Nem Joakim Noah, nem Nando de Colo, nem alguns outros nomes conhecidos. Quem poderia imaginar que um time desfalcado assim conseguiria chegar tão longe?

Bom, o técnico Vincent Collet levantaria a mão prontamente se ouvisse essa pergunta. Ele parece nunca ter duvidado da capacidade do grupo que tinha em mãos, apesar dos pesares. “Quando começamos essa aventura em julho, tínhamos como meta terminar entre os três primeiros”, disse ele neste sábado, logo após a França bater a Lituânia por 95 a 93 na disputa do terceiro lugar.

França: pódio inédito em Mundiais (Foto: Fiba/Divulgação)

França: pódio inédito em Mundiais (Foto: Fiba/Divulgação)

Pois é, eles conseguiram. Superaram as expectativas de muita gente e voltarão para casa com uma medalha de bronze que representa o melhor resultado do país no Mundial, superando o quarto lugar da edição de 1954.

Foi uma trajetória bem curiosa, a dos franceses. Noah e Parker anunciaram cedo que não se juntariam à seleção desta vez. A impossibilidade de contar com a dupla já seria um problema e tanto, mas a lista de ausências estava apenas no início. Antes do período de preparação, o pivô Alexis Ajinca também informou que não atenderia o chamado por preferir acompanhar a reta final de gravidez da mulher e o nascimento do filho do casal. O ala-pivô Kevin Seraphin, por sua vez, não se recuperou totalmente de uma cirurgia no joelho esquerdo.

Já durante a fase de amistosos que precederam a Copa do Mundo, outras duas baixas consideráveis surgiram. O armador Nando de Colo fraturou a mão esquerda, ao passo que o pivô Ian Mahinmi sofreu uma lesão no ombro esquerdo que o deixará fora de combate por até três meses.

Era um cenário nada promissor. Os desfalques todos colocavam ponto de interrogação em dois setores do time comandado por Collet. Conseguiria Thomas Heurtel assumir a responsabilidade de ser o armador principal? O garrafão continuaria bem servido?

Thomas Heurtel assumiu bem a responsabilidade de armar o time francês (Foto: Fiba/Divulgação)

Thomas Heurtel assumiu bem a responsabilidade de armar o time francês (Foto: Fiba/Divulgação)

A derrota na estreia para o Brasil certamente não ajudou a esclarecer essas dúvidas, mas a equipe cresceu demais na sequência da competição justamente porque cada um destes atletas encarados com alguma desconfiança renderam de maneira bastante positiva. Heurtel teve atuações seguras atrás de atuações seguras, surgindo com grandes jogadas em momentos críticos das partidas. Já os jovens pivôs Joffrey Lauvergne e Rudy Gobert mostraram uma ótima combinação de tamanho e agilidade, contribuindo de forma importante para a excelente defesa da seleção. Todos deram conta do recado, fornecendo uma ajuda e tanto aos líderes do grupo: Boris Diaw e Nicolas Batum.

Os três seriam peças que teriam tempo de quadra bastante reduzido caso a França levasse força máxima ao Mundial. Heurtel teria de dividir espaço com Parker e De Colo — um craque e outro armador bem sólido. Lauvergne e Gobert, então, correriam sério risco de nem sequer serem chamados se Noah, Seraphin, Mahinmi e Ajinca não tivessem nenhum tipo de problema.

Antes da Copa do Mundo, Collet afirmou que teria de encontrar um balanço coletivo ideal para a equipe e que verificaria o real nível de competitividade dela depois da primeira fase, nos jogos eliminatórios. O treinador, então, tem motivos de sobra para voltar para casa bem satisfeito. Ele precisou apostar em atletas que não eram sua primeira escolha e os viu conquistarem uma medalha inédita.

Essa história toda mostra o quanto a França está bem servida de talento para os próximos anos.

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014 Fiba | 20:31

Show de bolas de três faz França reagir, mas Sérvia vê estratégia prevalecer e vai à final

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A França conseguiu proporcionar uma outra ótima partida para quem acompanha a Copa do Mundo. Depois da surpreendente vitória sobre a Espanha que acabou com o sonho dos anfitriões de conquistarem o título dentro de casa, tirou forças para reagir e endurecer as coisas contra a Sérvia no duelo pela semifinal. Acabou perdendo por 90 a 85, mas deu um prêmio e tanto àqueles que insistiram em assistir ao confronto até o último segundo.

Teodosic comemora vaga sérvia na final do Mundial (Foto: Fiba/Divulgação)

Teodosic comemora vaga sérvia na final do Mundial (Foto: Fiba/Divulgação)

Por três quartos, parecia que os franceses não dariam nem para o cheiro. A Sérvia tomou conta do jogo e o administrou da maneira que quis desde os primeiros minutos. Duas coisas em especial chamaram a atenção na estratégia dos comandados de Sasha Djordjevic. Uma delas foi a tática de parar com falta cada ameaça de contra-ataque adversário, algo que já foi feito contra o Brasil, evitando assim ao máximo os pontos fáceis e obrigando os atletas do outro lado a atacarem do zero, contra a defesa devidamente postada. O que leva ao outro ponto, ainda mais importante: a marcação dominante perto da cesta.

Sempre que a França se aproximava da cesta, a defesa fechava ao lado do pivô Miroslav Raduljica e congestionava a área pintada. Era como se os sérvios mandassem um recado claro a cada posse de bola: “se vocês quiserem pontuar aqui, terão de fazer isso bem longe”.

Os números ao final do jogo evidenciam isso. Os franceses anotaram apenas 20 pontos dentro do garrafão e realizaram 33 dos seus 63 arremessos de trás da linha de três pontos. É muita coisa. O ala Nicolas Batum, por exemplo, cuja média de pontos antes da semifinal não chegava aos dois dígitos, foi o cestinha do encontro com 35. Destes, 24 foram produzidos em tiros de longa distância.

Nicolas Batum: 35 pontos pelos franceses (Foto: Fiba/Divulgação)

Nicolas Batum: 35 pontos pelos franceses (Foto: Fiba/Divulgação)

Além do trabalho na defesa, a Sérvia se estabeleceu desde cedo no controle da situação com um ataque muito produtivo, que explorou bastante o grandalhão do Milwaukee Bucks nas jogadas de pick and roll com o maestro do time. Os bloqueios bem feitos de Raduljica abriam muitos espaços ao armador Milos Teodosic, que ora acionava o pivô ao redor do aro, ora definia. Algum buraco os franceses deixavam, e a dupla tratava de castigar cada um deles.

Isso tudo deu muito certo até o último quarto, que começou com o placar apontando 15 pontos de vantagem para a Sérvia: 61 a 46. Mas a França conseguiu dar um jeito de transformar em emocionante um duelo que tinha tudo para ser sem graça. A defesa mostrou-se mais ágil, conseguindo cobrir mais espaços e forçando alguns erros preciosos do ataque rival. No outro lado da quadra, aceitou o desafio do chute de três pontos imposto pelo oponente e teve sucesso. Caiu bola atrás de bola.

A série de acertos de longe ajudou bastante a deixar o final eletrizante, mas não bastou para tirar a vitória da Sérvia, que novamente impôs sua estratégia desde o início e viu a aposta dar resultado. Resta saber agora que coelho Djordjevic e companhia conseguirão tirar da cartola na decisão diante dos Estados Unidos.

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NBA | 09:00

História de Jordan começou há 30 anos e quase foi totalmente diferente

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Michael Jordan

A imagem acima é do dia 12 de setembro de 1984. Há exatos 30 anos, Michael Jordan assinava o seu primeiro contrato como jogador de basquete. Quem observa tudo sorridente ao lado é Rod Thorn, gerente-geral do Chicago Bulls na época.

Jordan foi selecionado na terceira posição do Draft daquele ano. O que aconteceu depois disso todo mundo sabe: ele levou uma equipe de pouca tradição na NBA a seis títulos, comandou a explosão de popularidade da liga ao redor do mundo, redefiniu os padrões de excelência de um atleta no basquete e tudo mais.

Mas o interessante mesmo é que a história esteve muito perto de um desenrolar completamente diferente, como mostra a notícia abaixo, publicada pelo jornal Chicago Tribune no dia 27 de maio de 1984:

Chicago Tribune

Basicamente, o texto diz que o Bulls deu um azar danado na ordem do Draft porque não conseguiria escolher Sam Bowie na terceira posição. A intenção seria usar o pivô de Kentucky em uma troca com o Seattle Supersonics pelo também pivô Jack Sikma, que tinha 28 anos naquela época e já havia se consolidado como estrela da NBA. Tanto é que participou de sete edições consecutivas do “All-Star Game”, entre 1979 e 1985. O negócio por ele só seria concretizado se um atleta da mesma posição fosse envolvido.

De acordo com a publicação, o Portland Trail Blazers estava decidido a recrutar um homem de garrafão. Se ganhasse a disputa com o Houston Rockets, optaria por Hakeem Olajuwon. O time do Texas não iria atrás de Bowie caso tivesse ficado com a segunda posição, deixando livre a ida dele para Chicago. Mas não foi o que aconteceu. Então, o Bulls viu-se forçado a dar um outro jeito. A possibilidade de envolver essa terceira escolha em alguma troca ainda era bem real.

O Philadelphia 76ers estava disposto a oferecer o armador Andrew Toney e o pivô Clemon Johnson para recebê-la. O Los Angeles Clippers e o Atlanta Hawks também tentaram fechar negócio. Não conseguiram. Nenhuma oferta se apresentava tão atraente quanto a ideia de contar com Jack Sikma. O dia do Draft chegou, e o Bulls decidiu selecionar Jordan mesmo.

Não era o plano inicial. Os torcedores em Chicago na época devem até ter encarado tudo isso com frustração. Como se nada desse certo para uma equipe que tinha alcançado os playoffs uma única vez nas sete temporadas anteriores. Disputar o título, então, era sonho bem distante.

Mas aí o jogador que quase não veio tratou de mudar isso tudo.

Além de tudo, Jordan deve ser o plano B mais bem-sucedido da história.

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quinta-feira, 11 de setembro de 2014 Fiba | 23:11

Qualquer segundo de desatenção custa muito caro contra os EUA

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A final que todo mundo esperava ver nesta Copa do Mundo só não se tornará realidade por causa dos donos da casa mesmo. Ao contrário da Espanha, os Estados Unidos fizeram tudo aquilo que se imaginava deles e alcançaram a decisão. O último passo rumo à partida que vale a medalha de ouro foi dado nesta quinta-feira, com uma vitória por 96 a 68 sobre a Lituânia.

Anthony Davis rejeita arremesso de Jonas Valanciunas (Foto: Fiba/Divulgação)

Anthony Davis rejeita arremesso de Jonas Valanciunas (Foto: Fiba/Divulgação)

A história do jogo lembrou bastante o triunfo sobre a Eslovênia na fase anterior. Os norte-americanos não tiveram vida fácil no início e foram para o intervalo vencendo por vantagem magra. Mas aí veio o terceiro quarto e eles deslancharam em um piscar de olhos, transformando o resultado em uma lavada. Ou algo perto disso.

“Quando você enfrenta os EUA, não dá para perder o controle por um ou dois minutos. O jogo pode escapar muito rapidamente”, disse Jonas Kaslauskas, técnico da Lituânia.

Foi o que aconteceu. Uma corrida de dez pontos consecutivos dos norte-americanos nos dois minutos iniciais da segunda metade colocou a diferença em 18 pontos. E aí? Como faz para reagir depois disso?

Não faz. Contra aquela defesa intensa dos comandados de Mike Krzyzewski? Que coloca uma pressão gigantesca na bola e ainda conta com dois postes absurdamente atléticos no garrafão, prontos para defenderem o aro? Não dá. É uma tarefa que beira o impossível.

O time à disposição de Krzyzewski neste Mundial passa longe de ser perfeito, o que chega a ser compreensível diante de tantos desfalques. E é exatamente pelo fato de não ser perfeito que apresentou algumas fraquezas ao longo da campanha.

A principal delas voltou a dar as caras no primeiro tempo contra os lituanos: o ataque contra defesas por zona, que insistia em não fluir, sem abrir tantos espaços na marcação do outro lado. Mas aí a bola caia nas mãos de Klay Thompson, a quem basta a menor fresta para colocar a bola na cesta arremessando de longe.

Klay Thompson, um dos líderes dos EUA contra a Lituânia (Foto:Fiba/Divulgação)

Klay Thompson, um dos líderes dos EUA contra a Lituânia (Foto:Fiba/Divulgação)

O talento individual é enorme, capaz de proporcionar soluções em casos como esse. Não é a única razão pela campanha invicta até o momento, longe disso. Mas ajuda bastante passar por problemas tendo gente tão qualificada assim em quadra.

Não é um time perfeito, mas é muito bom. Tem inúmeras qualidades. Por isso está na decisão e só voltará para casa sem o ouro se uma surpresa enorme acontecer — bem maior do que a proporcionada pelos espanhóis nas quartas de final.

Se o vencedor do duelo entre França e Sérvia quiser fazer essa zebra aparecer, terá de ir mais longe do que foram os adversários norte-americanos até aqui. Será necessário endurecer o jogo por 40 minutos, e não apenas no primeiro tempo.

É esse o grande desafio. Como bem observou o técnico lituano, um instante de desatenção pode custar caro demais contra esse time de Krzyzewski.

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Fiba | 19:33

Pontuação contra a Sérvia foi a pior do Brasil em 44 anos

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Assim que terminou o jogo contra a Sérvia, o jornalista Marcelo Romano perguntou no Twitter se o Brasil tinha registrado ali a pontuação mais baixa em toda a sua história no Mundial. Depois de alguns números levantados, veio a resposta: não. Mas fazia tempo que o ataque não produzia tão pouco assim na competição.

Para encontrar uma soma de pontos inferior a apresentada contra os sérvios na Espanha, é necessário voltar a 1970, quando a competição foi disputada na antiga Iugoslávia. A partida diante dos donos da casa na fase final acabou com derrota por 80 a 55. O rival se sagrou campeão daquele Mundial. A prata ficou justamente com o Brasil.

Nenê tomou toco do aro contra a Sérvia. Não foi fácil para o Brasil pontuar (Foto: Fiba/Divulgação)

Nenê tomou toco do aro contra a Sérvia. Não foi fácil para o Brasil pontuar (Foto: Fiba/Divulgação)

No meio dos quase 44 anos que separam esses dois jogos, o país só falhou ao alcançar os 60 pontos uma única vez. Foi na edição de 1998, quando perdeu na estreia dos EUA por 83 a 59. Vale lembrar que o adversário naquela oportunidade mandou à Grécia uma equipe que não contava com ninguém da NBA. O locaute que se instalou na liga e que reduziu a temporada regular seguinte a apenas 50 partidas impediu a participação dos atletas.

Para efeito de curiosidade, os 12 jogadores selecionados antes de o impasse tomar conta da NBA e impedir o funcionamento normal das coisas foram: Tim Duncan, Tim Hardaway, Vin Baker, Gary Payton, Terrell Brandon, Kevin Garnett, Tom Gugliotta, Grant Hill, Allan Houston, Christian Laettner, Glen Rice, e Chris Webber.

Seria um timaço. No lugar deles, foi mandado um grupo formado por alguns universitários e gente da extinta CBA (liga norte-americana infinitamente menos importante que a NBA, obviamente). Dos caras daquele time, o único que conseguiu engatar uma carreira sólida na NBA foi Brad Miller, pivô que disputou dois All-Star Games. Viveu os melhores dias no Indiana Pacers e no Sacramento Kings.

Mesmo com um elenco bem menos fraco em relação àquele que esperavam levar, os norte-americanos chegaram à semifinal e ficaram com o bronze. Já a equipe comandada na época por Hélio Rubens teve de se contentar com o décimo lugar.

Brad Miller, o único do time dos EUA de 1998 que brilhou na NBA (Foto: Getty Images)

Brad Miller, o único do time dos EUA de 1998 que brilhou na NBA (Foto: Getty Images)

A pontuação mais baixa em um único jogo da seleção brasileira em Mundiais aconteceu em 1950, edição de estreia da competição. O duelo contra a Argentina, sede do torneio, terminou com derrota por 40 a 35. Mas eram outros tempos, aqueles. Os placares eram todos muito apertados mesmo. Nem existia ainda o relógio de posse de bola.

Dos seis embates que realizou naquele torneio em solo argentino, o Brasil fez menos de 56 pontos em cinco deles. A exceção foi o duelo contra a França, que teve triunfo pelo placar de 59 a 27.

Em 1954, ainda sem o cronômetro que fazia os ataques se apressarem na definição dos lances, o Brasil fez menos pontos do que os 56 anotados contra a Sérvia em duas oportunidades: na vitória por 49 a 36 sobre a França e na derrota por 62 a 41 diante dos EUA, que conquistaram o ouro. A prata ficou em mãos brasileiras.

Portanto, os 56 pontos sobre a Sérvia representam a nona pior marca do país em Mundiais. Mas se forem desconsiderados os jogos disputados sem o relógio que controla as posses de bola, a partida sobe para o segundo lugar no ranking. Atrás apenas do revés de 1970.

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014 Fiba | 22:00

Excelência defensiva faz a França acabar com sonho espanhol

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O dia que começou com a eliminação da seleção brasileira terminou com a maior zebra desta Copa do Mundo. A final entre Espanha e Estados Unidos que (quase) todo mundo esperava não vai acontecer. Os donos da casa foram surpreendidos pela França por 65 a 52, dando adeus ao sonho do título diante dos seus torcedores nas quartas de final.

É claro que o resultado não seria zebra nenhuma se tivesse acontecido em condições normais. Os franceses são os atuais campeões europeus, tendo passado justamente pela Espanha no decorrer da campanha. Mas foram ao Mundial com um time cheio de desfalques. Tony Parker, Nando De Colo, Kevin Seraphin, Joakim Noah, Ronny Turiaf, Alexis Ajinca e Ian Mahinmi formam uma lista de ausências extremamente considerável.

Festa francesa na casa espanhola (Foto: Fiba/Divulgação)

Festa francesa na casa espanhola (Foto: Fiba/Divulgação)

No encontro da primeira fase entre as seleções, a Espanha venceu com alguma tranquilidade pelo placar de 88 a 64. Diferença de 24 pontos. Mas já foi dito por aqui que cada jogo é um jogo, certo?

A partida pelas quartas de final não lembrou em nada a anterior. A França pulou imediatamente para a liderança ao anotar os oito primeiros pontos. Os espanhóis chegaram nos minutos seguintes, mas a tônica do duelo já estava bem anunciada: defesa intensa o tempo todo, o que explica a baixíssima pontuação.

Quem fez isso melhor, venceu. A França marcou demais, de maneira muito inteligente. Uma estratégia clara foi a de induzir Ricky Rubio aos arremessos, uma das deficiências no jogo do armador — apesar de ele achar, mesmo assim, que merece assinar contrato pelo salário máximo com o Minnesota Timberwolves.

Deu certo. Durante os 27 minutos que ficou em quadra, Rubio conseguiu dar uma única assistência. Por outro lado, chutou sete vezes e acertou somente uma. Não foi o único que amassou o aro pela seleção local. Ao todo, os espanhóis converteram apenas 20 bolas em 62 tentativas, o que resulta em um aproveitamento pobre de 32,3%. Isso porque Pau Gasol, dono de 17 pontos e oito rebotes, fez sete dos seus 12 arremessos.

Enquanto o mais velho ainda conseguiu se destacar contra uma defesa tão boa, o mais novo dos irmãos Gasol sofreu. Marc viveu um pesadelo diante de Boris Diaw, responsável por vigiá-lo na maioria das vezes, e saiu de quadra com apenas um arremesso certo em sete arriscados. Desempenho idêntico ao de Rubio.

Boris Diaw: rechonchudo, mas extremamente útil e versátil em quadra (Foto: Fiba/Divulgação)

Boris Diaw: rechonchudo, mas extremamente útil e versátil em quadra (Foto: Fiba/Divulgação)

Aliás, vale uma observação aqui. Rechonchudo deste jeito, Diaw conseguiria virar jogador de basquete se fosse um garoto tentando a sorte em alguma peneira brasileira? Provavelmente, seria mandado imediatamente para casa por causa do físico. Ainda bem que tudo acabou dando certo para ele. É alguém extremamente útil em várias esferas. Não é o cara mais atlético do universo, mas também passa longe de ser um cone. Muito longe.

Mas não é justo deixar de apontar outros franceses que tiveram participação fundamental nesta classificação. A lista de desfalques antes da competição colocou pontos de interrogação na armação e no garrafão do time comandado por Vincent Collet. Diante dos espanhóis, gente destes dois setores apareceu bem demais.

Os pivôs Joffrey Lauvergne e Rudy Gobert, ambos de 22 anos, somaram apenas nove pontos, mas pegaram 23 rebotes — cinco a menos que toda a equipe espanhola. Já o armador Thomas Huertel, visto com certa desconfiança por muita gente antes da Copa do Mundo, brilhou ainda mais ao contabilizar 13 pontos, quatro assistências e três rebotes, alcançando 16 de eficiência.

“Foi ótimo, ele está melhorando a cada jogo”, disse Diaw sobre o Huertel.

Na verdade, o time todo está. Por isso, é semifinalista. E com ótimas chances de alcançar uma final inédita.

Azar da Espanha.

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Fiba | 16:40

Brasil tem defeitos bem explorados e dá adeus à Copa do Mundo

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Nenhuma partida é igual a outra. São todas únicas, com uma infinidade de características diferentes que as tornam próprias. Seria um erro, portanto, imaginar que o duelo da seleção brasileira diante da Sérvia pelas quartas de final da Copa do Mundo teria a mesma história do encontro anterior, lá na primeira fase. O resultado de 84 a 56 em favor dos europeus tratou de comprovar isso.

Tiago Splitter luta no garrafão. Brasil teve dificuldade imensa para atacar a cesta  (Foto: Fiba/Divulgação)

Tiago Splitter luta no garrafão. Brasil teve dificuldade imensa para atacar a cesta
(Foto: Fiba/Divulgação)

Houve um trecho em comum entre os dois embates: o terceiro quarto. Em ambos, o Brasil foi dominado nos dois lados da quadra e não conseguiu acompanhar o ritmo do rival, que movimentou o placar com uma freqüência absurda. Mas foi só isso.

No confronto da primeira fase, o time de Rubén Magnano teve um desempenho na metade inicial que beirou a perfeição. Por isso, se manteve vivo mesmo com a produção paupérrima apresentada na volta dos vestiários. Desta vez, houve equilíbrio antes do intervalo, o que tornou fatal uma queda tão acentuada assim.

Cada jogo é mesmo único.

A Sérvia entrou em quadra com duas mudanças em relação ao quinteto inicial que encarou o Brasil na primeira fase. As novidades foram o ala Nikola Kalinic, que não havia atuado um minuto sequer naquela ocasião, e o armador Milos Teodosic.

Esse último dispensa apresentações. É um craque. Aparece em qualquer lista dos melhores armadores do mundo fora da NBA. Mostrou um pouco disso nestas quartas de final, explorando ao máximo a dificuldade brasileira em marcar jogadas com bloqueios — algo que gerou muito bate cabeça durante toda a Copa do Mundo e que rendeu mais problemas desta vez.

Não foi à toa que Teodosic marcou 16 dos 37 pontos da Sérvia no primeiro tempo. Essa deficiência de se virar diante dos bloqueios fez com que o Brasil permitisse muitas infiltrações da turma de perímetro do outro lado. Quem também se aproveitou foi Nemanja Bjelica, dono de uma partidaça. Mais alto que os armadores e mais rápido que os pivôs, representava um grande problema quando atacava. Funcionou bem ainda como ala-pivô aberto, levando um grandalhão da marcação para longe da cesta, o que criou espaços para seus companheiros.

Milos Teodosic: craque sérvio explorou bem as falhas defensivas do Brasil (Foto: Fiba/Divulgação)

Milos Teodosic: craque sérvio explorou bem as falhas defensivas do Brasil (Foto: Fiba/Divulgação)

Com a bola nas mãos, o Brasil viu as portas completamente fechadas na área pintada com seus homens grandes. Mas eles exploraram bastante Marquinhos, que se aproveitou bem da concentração de marcadores lá embaixo para aparecer e definir, movimentando-se bastante ao invés de se limitar apenas à linha de três. Algo que já tinha sido bem feito em outras oportunidades. Até mesmo contra a Sérvia.

Mas o grande mérito dos europeus foi anular completamente uma das maiores forças do Brasil, que tinha dado resultado naquele primeiro tempo avassalador do último duelo entre os países: os pontos fáceis em contra-ataque. Foram raros os momentos nos quais os comandados de Magnano conseguiram imprimir velocidade no sistema ofensivo. Quando fizeram isso duas vezes seguidas, passaram à frente. Abriram 32 a 29, pouco antes do intervalo.

Magnano mexeu pouco no time durante o primeiro tempo. Deixou no banco caras que costumavam participar mais tempo do jogo. Um deles foi Larry, que tanto ajudou Raulzinho a colocar uma pressão absurda na bola dos rivais nos segundos quartos em outras partidas, aumentando os contra-ataques — justamente o que faltou desta vez.

A Sérvia fez oito pontos seguidos e chegou à metade do duelo vencendo por cinco: 37 a 32. Com os mesmos defeitos da primeira metade, os brasileiros viram o adversário continuar em melhor momento no início do segundo tempo. Até que uma falta de Anderson Varejão e duas técnicas marcadas em cima de Marquinhos e Tiago Splitter no mesmo lance acabou definindo a disputa. Os europeus tiveram a chance de arremessar seis lances livres seguidos. Acertaram cinco. Mataram o jogo.

Depois disso, o que se viu foi um Brasil com pressa para definir os ataques, definidos de maneira precipitada. Melhor para a Sérvia, que aproveitou o desespero para construir uma vantagem ainda mais folgada, carimbando a vitória e a passagem à semifinal com autoridade.

Brasil cai nas quartas de final. Placar dilatado não anula boa campanha (Foto: Fiba/Divulgação)

Brasil cai nas quartas de final. Placar dilatado não anula boa campanha (Foto: Fiba/Divulgação)

Acabou o Mundial para o Brasil. Mas antes que se inicie qualquer caça às bruxas, é importante colocar as coisas sob uma perspectiva correta. Foi uma boa campanha. Sim, boa. Que alcançou as quartas de final e que incluiu vitórias sobre outros adversários fortes — incluindo o próprio responsável pela eliminação. Teve pontos críticos, é verdade. Muitos deles destacados neste espaço desde os amistosos de preparação. Mas passou longe da porcaria que alguns poderão tentar pintar. Nada de oito ou oitenta.

O placar dilatado não é normal, mas também não quer dizer nada. Para não viajar tão longe na história, fiquemos com uma lembrança de 2013, quando o San Antonio Spurs massacrou o Miami Heat em uma das partidas da final da NBA. Acabou não conquistando o título.

Cada jogo é único.

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