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Posts com a Tag Argentina

domingo, 22 de março de 2015 Fiba | 11:00

Um novo Ginóbili à disposição do basquete argentino

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Ao longo da última década e meia, Manu Ginóbili foi um dos líderes dentro de quadra da geração que permitiu ao basquete argentino viver os melhores momentos da sua história. A carreira dele já se aproxima do fim, é verdade, mas a safra futura de jogadores do país contará com os serviços de um outro representante da família. Isso porque Sebastian, irmão mais velho do ala-armador do San Antonio Spurs, foi anunciado como o novo técnico da seleção sub 19.

Sebastian Ginóbili: irmão de Manu é técnico da Argentina sub 19

Sebastian Ginóbili: irmão de Manu é técnico da Argentina sub 19

Sepo, como é conhecido na Argentina, tem 42 anos de idade. Passou 20 como atleta e foi campeão nacional uma vez, em 2008, com o Libertad Sunchales. Aposentou-se em 2012 e está apenas na segunda temporada como técnico.

À frente da seleção nacional sub 19, terá um grande desafio logo de cara: a disputa do Mundial da categoria, que acontece na Grécia entre os dias 27 de junho e 5 de julho. “Eu me sinto muito feliz porque é um grande evento”, afirmou Sepo, em entrevista ao site da Fiba, além de revelar o que Manu falou quando soube da notícia. “Ele me disse que atingi meu objetivo muito rápido, em somente dois anos. Ficou muito feliz por mim. Talvez ele acompanhe o torneio”, contou.

A Argentina fará parte do Grupo B no Mundial sub 19, ao lado de Espanha, China e Turquia. A classificação para a competição foi conquistada graças ao quarto lugar na Copa América sub 18 de 2014, da qual o Brasil foi eliminado ainda na primeira fase depois de perder todos os três jogos que disputou.

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domingo, 7 de setembro de 2014 Fiba | 20:54

Com domínio do garrafão e boa defesa sobre Scola, Brasil finalmente elimina a Argentina

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A espera foi longa, mas a seleção brasileira finalmente espantou um fantasma que tanto a assombrou ao longo dos últimos anos. Sofreu no início, mas dominou no fim e ganhou da Argentina por 85 a 65. Os 20 pontos de diferença representam uma vitória com propriedade. Para acabar com a freguesia em grande estilo e encher de confiança para as quartas de final da Copa do Mundo.

Pesadelo na vida dos brasileiros em oportunidades anteriores, Luis Scola teve desempenho bastante discreto. Em cerca de 34 minutos de ação, somou nove pontos, sete rebotes e três assistências. Mas cometeu três desperdícios de posse de bola e acertou apenas dois chutes em dez tentativas. Desta vez, o ala-pivô foi dominado pela defesa. Mas não quer dizer que os argentinos não incomodaram.

Nenê ataca a marcação de Luis Scola. Desta vez, não deu para o argentino (Foto: Fiba/Divulgação)

Nenê ataca a marcação de Luis Scola. Desta vez, não deu para o argentino (Foto: Fiba/Divulgação)

Pelo contrário. Se a marcação funcionou bem em cima do principal homem de garrafão do outro lado, o grupo comandado por Rubén Magnano falhou para conter as investidas de longe. Algo que, na verdade, já aconteceu mais de uma vez em rodadas anteriores deste Mundial.

Os argentinos buscaram bombardear nas bolas de três pontos no primeiro quarto. Deram sinal claro de que tentariam fazer isso antes mesmo do tapinha inicial, ao mandarem o experiente Leo Gutierrez, especialista neste tipo de arremesso, no quinteto titular. Deu certo: muito por causa dos cinco chutes certos de longe, abriram 21 a 13.

Três destes cinco chutes certeiros de longe saíram das mãos de Pablo Prigioni, que acabou compensando a baixa produtividade de Scola até aquele momento. Mas não foi só ele que deu dores de cabeça à defesa brasileira ao longo da primeira metade. Facundo Campazzo explorou muito bem as trocas da marcação que aconteciam após os bloqueios, aproveitando ao máximo o fato de cair em um confronto individual com gente mais alta e menos móvel. Fez a festa.

Apesar de o perímetro seguir permitindo esse tipo de situação, o desempenho nas bolas de três dos argentinos caiu de maneira drástica no segundo quarto. De seis bolas tentadas, apenas uma acertou o alvo. Ainda assim, o Brasil continuou em desvantagem e foi para o intervalo perdendo por 36 a 33. Ao invés de explorar o jogo interno, o ataque fez tudo o que a defesa por zona dos rivais desejava e insistiu em também arriscar chutes de longa distância. Sem sucesso.

O esforço todo que a Argentina fez nos dois primeiros quartos para tentar neutralizar o garrafão brasileiro deu resultado. Além do sucesso em evitar que as bolas fossem definidas pelos grandalhões perto da cesta, a batalha pelos rebotes teve equilíbrio, apontando empate em 18 a 18 ao final da metade inicial.

Brasileiros controlaram o garrafão a partir do segundo tempo (Foto: Fiba/Divulgação)

Brasileiros controlaram o garrafão a partir do segundo tempo (Foto: Fiba/Divulgação)

Mas a história do duelo mudou completamente depois disso. Os brasileiros voltaram dos vestiários dispostos a forçar o jogo interno a qualquer custo, explorando a vantagem física e atlética dos seus homens de garrafão — algo que Andrés Nocioni já havia destacado às vésperas do confronto. Foi justamente ao parar de fazer aquilo que a defesa do outro lado mais gostaria e partir em busca da imposição do seu jogo que o time chegou à virada e não deu mais chances ao rival.

Nenê, Tiago Splitter e, principalmente, Anderson Varejão tomaram conta da área pintada. Lutaram incansavelmente pela segunda chance no ataque e controlaram as sobras também na defesa, possibilitando que o domínio nos rebotes finalmente se concretizasse. Nos dois lados da quadra, a Argentina não teve mais chances perto da cesta. Isso explica a insistência nas bolas de longe, que já não caíam mais com tanta frequência.

Mas não foram apenas os pivôs que impulsionaram a grande exibição brasileira nos dois últimos quartos do duelo. É imprescindível que o nome de Raulzinho apareça em qualquer análise sobre o que aconteceu neste duelo.

O armador já vinha saindo bem do banco de reservas em partidas anteriores, mas o impacto que causou no duelo desta vez foi monstruoso. Com nove arremessos certos em dez tentados, anotou 21 pontos. Todos eles na segunda metade, através de bolas de longe, de média distância e de infiltrações. Além disso, deu duas assistências e roubou uma bola. No total, somou 24 de eficiência, mais do que qualquer outro atleta no confronto.

Raulzinho: 21 pontos na segunda metade (Foto: Fiba/Divulgação)

Raulzinho: 21 pontos na segunda metade (Foto: Fiba/Divulgação)

Individualmente, Raulzinho foi quem mais se destacou. Pelo menos nas estatísticas. Mas o jogo não se resume a apenas números, obviamente. O armador foi um dos fatores que ajudaram o Brasil a enfim espantar o fantasma argentino. Não o único.

Sozinho, ele não conseguiria carimbar a vaga do país na fase seguinte. Principalmente sem o trabalho dos homens de garrafão, que dominaram um setor importante da quadra, despertaram preocupação grande o suficiente da defesa adversária para abrir espaços em outros lugares e anularam a grande peça ofensiva argentina.

Ao contrário do que aconteceu exatos quatro anos atrás, os brasileiros passarão as últimas horas do dia 7 de setembro livres de traumas de Luis Scola. Desta vez, o pensamento é com a sequência na competição. O oponente nas quartas de final será a Sérvia, seleção que venceu na fase de grupos depois de altos e baixos. A partida acontecerá na quarta-feira, às 13h (de Brasília).

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sábado, 6 de setembro de 2014 Fiba | 18:42

As possibilidades de Brasil x Argentina. É hora de acabar a freguesia?

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A seleção brasileira terá novamente a Argentina pela frente em uma competição importante. Os dois países já se encontraram nos Mundiais de 2002 e 2010 e nas Olimpíadas de 2012. Nestas três oportunidades, os argentinos levaram a melhor. Avançaram e transformaram os brasileiros em grandes fregueses — como mostra de maneira mais clara o levantamento do Fábio Balassiano no blog dele. Mas as coisas podem ser diferentes desta vez, certo?

Para Andrés Nocioni, certo. “Esse é o melhor Brasil em muitos anos. Vamos lutar, mas eles têm vantagens. Contam com um grande jogo interno, então vai ser muito difícil”, disse o ala argentino ao La Nación, às vésperas do duelo pelas oitavas de final da Copa do Mundo da Espanha. Que acontece, como muita gente já deve ter percebido, exatos quatro anos depois da eliminação de 2010.

Nenê e o Brasil voltam a encontrar a Argentina pelo caminho (Foto: Getty Images)

Nenê e o Brasil voltam a encontrar a Argentina pelo caminho (Foto: Getty Images)

É justo dizer que a seleção brasileira entra em quadra neste domingo com nível de confiança muito maior em relação aos encontros anteriores com os argentinos. As partidas contra França e Sérvia na primeira fase, por exemplo, provavelmente terminariam com derrotas em tempos anteriores. Foram situações nas quais o time de Rubén Magnano apresentou inteligência emocional o suficiente para resistir a momentos de adversidade e buscar a vitória em jogos duros. Algo que será testado, talvez até em uma escala maior, neste duelo com o país vizinho.

Mas não é só o aspecto emocional que vai determinar a história do confronto, é claro. O garrafão, como bem disse Nocioni, é o ponto forte da equipe brasileira. Isso não é segredo para ninguém. Durante a primeira fase, sobrou para ele marcar alguns dos grandalhões que mediram forças com a Argentina — como Andray Blatche, das Filipinas, e Gorgui Dieng, de Senegal. Algo que seguramente acontecerá de novo neste domingo.

Só que o oponente desta vez não concentra a força do seu jogo interno apenas em um nome específico, o que tende a aumentar consideravelmente o nível de dificuldade de Nocioni e seus parceiros perto da cesta. As chances de sucesso do Brasil no duelo passam por um bom envolvimento dentro do garrafão de Nenê, Tiago Splitter e Anderson Varejão — mais altos, mais fortes e mais rápidos do que os argentinos.

Caso os três consigam de fato se estabelecer na área pintada, a tendência é que a marcação argentina se feche mais para tentar diminuir esse jogo ofensivo ao redor do aro. Como fez, por exemplo, nos dois amistosos entre os países na fase de preparação para o Mundial. Mas esse tipo de ação acaba abrindo espaços para os chutes de três, situação que o Brasil aproveitou tão bem no último quarto da partida contra a Sérvia. Vale lembrar que três bolas de longa distância que Marquinhos fez nos minutos finais saíram de passes de Splitter.

O problema é que o outro lado também conta com uma arma no garrafão capaz de causar o mesmo tipo de estrago. A peça em questão atende pelo nome de Luis Scola, craque que parece se inspirar de maneira especial quando enfrenta o Brasil. O ala-pivô terminou a primeira fase do Mundial em segundo lugar no ranking de cestinhas, com média de 21,6 pontos por jogo. Essa produção acontece, principalmente, a partir dos bloqueios que ele faz para os armadores, seja girando para a cesta em seguida (pick and roll) ou permanecendo no lugar para arriscar o chute de média distância (pick and pop).

Luis Scola, o terror dos brasileiros (Foto: Fiba/Divulgação)

Luis Scola, o terror dos brasileiros (Foto: Fiba/Divulgação)

Não custa lembrar que os bloqueios foram justamente algo com o que a defesa brasileira teve muita dificuldade para conter ao longo das partidas da primeira fase. Na maioria das vezes, os atletas de perímetro encontravam a parede do outro lado e acabavam demorando o suficiente para não conseguirem voltar a dificultar o ataque adversário.

Outro ponto de preocupação para os brasileiros é não repetir algo que aconteceu nos duelos de 2010 e 2012. Em ambas as oportunidades, Marcelinho Huertas começou o jogo comandando a pontuação, levando a melhor sobre a marcação rival o tempo todo e encontrando a cesta com certa facilidade. Era, na verdade, uma armadilha dos argentinos. A ideia era fazer com que o armador definisse mesmo ao máximo, consequentemente, envolvendo os companheiros o menos possível. Deu certo. É uma isca que não pode ser mordida pela terceira vez consecutiva.

Além do jogo interno, uma arma que pode ser bem explorada pela equipe brasileira é Leandrinho, que tem ajudado nos dois lados da quadra com toda a capacidade atlética que tem. Se continuar explorando mais a velocidade para atacar a cesta ao invés de pegar a bola e procurar o chute de longe a qualquer custo, o novo ala-armador do Golden State Warriors pode representar um problema para a defesa argentina, que não conta com gente tão rápida assim no perímetro.

É um duelo cheio de possibilidades, que pode ter qualquer um dos dois lados como vencedor. O histórico dos encontros recentes entre os dois países em competições de peso acaba fazendo com que o time brasileiro entre em quadra assombrado por um fantasma. Mas uma das coisas que o grupo comandado por Magnano mostrou neste Mundial foi justamente a capacidade de superar situações pelas quais não conseguia em um passado não muito distante.

Acostumada a ser derrotada pela seleção do país vizinho, a atual geração brasileira pode até não conseguir acabar com essa freguesia. Mas é seguro dizer que o duelo deste domingo representa a melhor oportunidade para isso.

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quarta-feira, 3 de setembro de 2014 Fiba | 23:05

Nocioni amassa o aro, mas inspira companheiros argentinos

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“Prêmio Nobel da generosidade para Nocioni. Antes de ontem, foi Blatche. Hoje, Dieng. Sempre o dão a tarefa mais feia.”

A frase acima apareceu no Twitter do ótimo site argentino Básquet Plus, que faz uma cobertura muito boa da Copa do Mundo. O comentário refere-se ao fato de o ala Andrés Nocioni ter sido o escolhido do técnico Julio Lamas para marcar Gorgui Dieng, pivô senegalês que lidera a surpreendente campanha dos africanos.

Andrés Nocioni: inspiração para os argentinos na defesa (Foto: Fiba/Divulgação)

Andrés Nocioni: inspiração para os argentinos na defesa (Foto: Fiba/Divulgação)

Na partida anterior da Argentina, Nocioni foi quem encarregado na maior parte do tempo para marcar Andray Blatche, como o próprio Básquet Plus observou. O problema é que são dez centímetros a menos do que o norte-americano naturalizado filipino. O argentino fez o que pôde para tentar atrapalhar o grandalhão, apostando em tomar a frente na marcação para cortar o passe. Afinal de contas, se deixasse o oponente pegar a bola e virar para a cesta, não teria muito o que fazer. Mais baixo e mais fraco, só conseguiria parar o lance com falta.

Blatche saiu de quadra com um duplo-duplo, é verdade: 14 pontos e 15 rebotes. Mas arriscou apenas nove arremessos o jogo inteiro, o que representa um volume bem inferior em relação a partidas anteriores.

Diante de Dieng, Nocioni novamente se viu dez centímetros mais baixo. A história foi a mesma: não conseguiu frear completamente o gigante do outro lado, mas pelo menos o fez diminuir bastante o ritmo. O senegalês foi limitado a 11 pontos e oito rebotes, desempenho que não lembra nem de longe os que vinha tendo no Mundial e que também ajuda a explicar o resultado do confronto: um passeio da Argentina por 81 a 46.

“Tínhamos a defesa como algo pendente neste torneio, mas hoje conseguimos marcar de maneira bárbara. A (defesa) de Nocioni foi uma barbaridade”, elogiou o ala-pivô Leo Gutierrez após o jogo. “Ele é quem contagia a todos por aquilo que entrega. Quem entra em quadra se vê obrigado a ter essa mesma intensidade, pois ele deixa o corpo e a alma em cada bola disputada”, completou.

É difícil que um prêmio qualquer por generosidade seja dado a alguém que arrancou seis dentes do croata Dario Saric no início do torneio. Mas o reconhecimento pelo esforço e por se sacrificar desta maneira sem dúvida é algo que ele merece.

Nocioni não tem medo de nada. Nem de levar enterrada na cabeça (Foto: Fiba/Divulgação)

Nocioni não tem medo de nada. Nem de levar enterrada na cabeça (Foto: Fiba/Divulgação)

Sacrifício, sim. Pois quem olhar apenas para as estatísticas não vai enxergar nada de especial na atuação de Nocioni. Pelo contrário: um arremesso certo em oito tentados, três pontos, três rebotes e quatro desperdícios. O ala passou longe de brilhar ofensivamente. Quem fez isso, mais uma vez, foi Luis Scola, dono de 22 pontos e 14 rebotes.

Quatro seleções seguem ganhando tudo. Mas uma delas quase perdeu

Os invictos em questão são Espanha, Estados Unidos, Grécia e Eslovênia. Os espanhóis bateram a França com propriedade pelo placar de 88 a 64, liderados pelos 17 pontos de Marc Gasol e oito rebotes de Serge Ibaka. Os norte-americanos novamente começaram devagar, mas no fim atropelaram a República Dominicana por 106 a 71. Os gregos tiveram um pouco mais de trabalho porque tiveram um compromisso mais difícil, mas venceram a Croácia por 76 a 65. Já os eslovenos escaparam por pouco.

O adversário dos europeus foi Angola — que só tem uma vitória na competição porque já enfrentou a Coreia do Sul, saco de pancadas do Grupo D. Quem esperava um confronto desigual, se enganou. Foi um duelo bastante parelho, tanto é que um tapinha de Eduardo Mingas a seis minutos e meio do fim fez os africanos deixarem o placar empatado em 74 a 74. Mas, depois disso, a Eslovênia respondeu com uma corrida de dez pontos consecutivos e resolveu a parada.

O interessante é que isso aconteceu com uma equipe formada predominantemente pelos reservas. Depois de ver os titulares acumularem 14 desperdícios de posse de bola nos três primeiros quartos, o técnico Jure Zdovc optou por tirar todo mundo, com exceção do ala-armador Dormen Lorbek. Deu certo.

“Eles foram mais agressivos”, afirmou o treinador após o jogo. “Disse para eles pressionarem a quadra inteira e isso foi a chave (para a vitória). Eles podem não ser tão talentosos quanto os titulares, mas eles colocam a defesa em um nível mais alto, e é isso mesmo o que eles devem fazer. O banco deve ser mais agressivo e elevar o seu jogo, não fazê-lo cair. E isso me deixou muito satisfeito”, completou.

Domen Lorbek, o único titular que se salvou na Eslovênia (Foto: Fiba/Divulgação)

Domen Lorbek, o único titular que se salvou na Eslovênia (Foto: Fiba/Divulgação)

Três seleções seguem perdendo tudo. Mas uma delas quase ganhou

Egito, Filipinas e Coreia do Sul são os grandes sacos de pancada do Mundial até agora. Dos três, só os filipinos podem dizer que flertaram com a vitória. nesta quarta rodada Afinal de contas, os egípcios foram presa fácil para o Irã e perderam por 88 a 73, ao passo que os sul-coreanos acabaram sendo aniquilados pela Lituânia por 79 a 49.

Os filipinos não fizeram feio, não. Faltando cerca de três minutos e meio para o término do duelo diante de Porto Rico, abriram 70 a 67 no placar graças a uma bola de três de Andray Blatche (sim, isso mesmo). Mas o ataque parou de funcionar depois disso, tendo produzido somente outros três pontos até o fim, todos na linha do lance livre. No fim, revés por 77 a 73.

Somando os placares das quatro derrotas, o time das Filipinas tem um saldo de cestas de apenas 23 pontos negativos, o que mostra que elas não foram tão acachapantes assim.

“Nós seguimos nos colocando em posição de vencer e podemos sentir o gosto da vitória”, afirmou Blatche após o jogo. “Nós não a conquistamos ainda, o que é bastante doloroso. Mas a gente segue lutando”, completou o pivô, dono de 25 pontos e 14 rebotes contra Porto Rico.

Treta

A confusão foi causada por causa do confronto da rodada anterior entre EUA e Nova Zelândia. O norte-americano Andre Iguodala, que não está disputando o Mundial, fez um comentário no Twitter sobre o haka. O neo-zelandês Steven Adams, que também vê tudo pela televisão, não gostou e respondeu. Veja abaixo:

Twitter

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014 Fiba | 18:47

A grande zebra do Mundial vem de Senegal

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“Estamos muito felizes pela nossa primeira vitória na Copa do Mundo. Nos sentimos muito honrados em poder disputar essa competição. Ninguém esperava que fossemos ganhar um jogo sequer a não ser nós mesmos. Temos de ser gananciosos, dizer que queremos mais e olhar para frente agora.”

As palavras foram ditas por Cheikh Saar, técnico de Senegal, logo após o triunfo sobre Porto Rico no domingo, resultado que já havíamos mencionado por aqui. Acontece que o discurso de querer mais realmente não foi dito da boca para fora. Nesta segunda-feira, o país africano voltou a vencer e causou uma surpresa ainda maior no mundo inteiro. Isso porque o algoz da vez foi a Croácia, que estava invicta até então e tinha batido a Argentina no dia anterior.

Gorgui Dieng, um monstro em quadra para Senegal (Foto: Fiba/Divulgação)

Gorgui Dieng, um monstro em quadra para Senegal (Foto: Fiba/Divulgação)

Feito impressionante para uma seleção nada acostumada a superar os oponentes em Mundiais. Até chegar à Espanha, tinha vencido apenas duas vezes ao longo das três edições anteriores que participou. Ainda assim, foram triunfos em fases nas quais a eliminação já estava concretizada e tudo o que estava em jogo era apenas a definição de posições inferiores. Em 1998, por exemplo, ganhou apenas a partida que valia o 15º lugar. Em compromissos nos quais estavam vivos no torneio, os senegaleses jamais haviam tido sucesso.

Contra a Croácia, Senegal esteve na liderança durante praticamente todo o jogo. Após um primeiro quarto equilibrado, abriu distância no segundo e foi para o intervalo vencendo por 41 a 32. Em seguida, segurou a reação do oponente e conquistou a segunda vitória, aumentando consideravelmente as chances de classificação às oitavas de final.

O grande destaque foi o pivô Gorgui Dieng, é claro. Líder da equipe africana na Espanha, o grandalhão do Minnesota Timberwolves somou 27 pontos, oito rebotes, três assistências e dois tocos. Atingiu os 30 de eficiência, o que definitivamente não é pouco.

Sem dentes

Pelos lados da Croácia, quem brilhou com mais intensidade diante de Senegal foi Dario Saric. O ala somou 15 pontos, seis rebotes, quatro assistências e três roubos de bola, contabilizando 24 de eficiência. Os números são ótimos, mas o que realmente impressionou foi o fato de ele ter feito isso tudo sem seis dentes na boca, resultado de um choque com o cotovelo de Andrés Nocioni no dia anterior, durante a vitória sobre a Argentina.

Após o embate, Saric telefonou para um dentista em Sevilha, mas ficou sabendo que não conseguiria ter os dentes recolocados sem que virasse desfalque contra os senegaleses. A solução encontrada por ele então foi adiar o procedimento e jogar assim sem mesmo.

Andrés Nocioni: mais do que um cavalo (Foto: Fiba/Divulgação)

Andrés Nocioni: mais do que um cavalo (Foto: Fiba/Divulgação)

Sabe jogar

Por falar em Nocioni e nos demais argentinos, eles se recuperaram do tropeço da rodada anterior, mas não sem sufoco. A vitória por 85 a 81 diante das Filipinas só foi confirmada nos instantes finais. Luis Scola, mais uma vez, foi o cestinha da equipe com 19 pontos e ainda pegou sete rebotes. Mas é justo destacar também a participação de Nocioni, extremamente útil na luta dentro do garrafão nos dois lados da quadra, seja para brigar pelas segundas chances no ataque ou para tentar ajudar a conter Andray Blatche na defesa.

Apesar de realmente tirar os oponentes do sério com frequência por causa do jogo extremamente físico, que muita gente já chegou a classificar como sujo ao longo dos anos, Nocioni sabe, sim, jogar basquete e faz isso muito bem. Não que isso seja um segredo para quem o acompanha há algum tempo, mas vale a pena deixar claro novamente.

Grupo do Brasil

Deu a lógica nos dois confrontos entre times mais frágeis e aqueles considerados favoritos para o avanço à próxima fase no Grupo A, mas as histórias das partidas foram bem diferentes. Enquanto a França não permitiu que o Egito enxergasse a cor da bola e atropelou por 94 a 55, a Sérvia encontrou certa dificuldade para despachar o Irã. Ganhou por 83 a 70, é verdade. Mas a diferença de 13 pontos é baixa em comparação aos e 30 e 29 impostos por Espanha e Brasil, respectivamente, nas rodadas anteriores.

Isso porque a Sérvia foi para o intervalo apenas quatro pontos à frente. Só conseguiu disparar no terceiro período, quando abriu 20. Ainda assim, permitiu uma aproximação no fim. Muito dessa resistência dos iranianos passou pela atuação do pivô Hamed Haddadi. Neutralizado contra o Brasil, acertou 10 dos 12 arremessos que tentou e somou 29 pontos, além de ter somado cinco rebotes. “Tivemos dificuldade para marcá-lo individualmente, mas também não conseguimos segurá-lo nas jogadas de pick and roll. Ele é um bom jogador e nós não encaixamos uma boa defesa sobre ele”, disse o sérvio Miroslav Raduljica.

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terça-feira, 26 de agosto de 2014 Fiba | 06:00

Os países da Copa do Mundo: Argentina

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Em abril de 2011, logo após o Obras Sanitarias derrotar o Pinheiros e comemorar o título do Interligas dentro do ginásio do clube paulista, o técnico Julio Lamas reconheceu o óbvio. Recém-nomeado substituto de Sergio Hernandez no comando da seleção argentina naquele momento, ele admitiu que encontraria dificuldades no processo de renovação da equipe nacional, já que a “geração dourada” elevou demais o padrão de exigência.

“Será uma tarefa complicada, pois essa safra de jogadores é extraordinária”, constatou Lamas, em conversa com iG Esporte. “O melhor ala-armador da história do basquete argentino é Manu Ginobili, e o segundo melhor é Carlos Delfino. O melhor ala-pivô que já tivemos é Luis Scola e o melhor pivô é Fabrício Oberto. Por isso, é difícil seguir com o mesmo nível de talento”, completou.

Três anos se passaram desde então. Prestes a comemorar uma década do histórico ouro olímpico de Atenas, a Argentina vai para o Mundial com uma seleção que conta com cinco jogadores nascidos nos anos 1990. Lesionados, Manu Ginóbili e Carlos Delfino são desfalques. Até por isso, Lamas leva à Espanha um elenco recheado de caras novas. Remanescentes da “geração dourada”, Luis Scola, Andrés Nocioni, Walter Herrmann e Leo Gutierrez ainda estão à disposição e serão os pontos de confiança do treinador. Mas o sucesso na competição passará também pelo desempenho de um processo de renovação que já está em andamento.

Julio Lamas: processo de renovação na seleção já começou (Foto: Fiba/Divulgação)

Julio Lamas: processo de renovação na seleção já começou (Foto: Fiba/Divulgação)

Grupo da Argentina na Copa do Mundo: B, ao lado de Croácia, Finlândia, Grécia, Porto Rico e Senegal
Desempenho na última edição: perdeu da Lituânia nas quartas de final e terminou na quinta posição
Como se classificou para a Espanha: ficou em terceiro lugar no Campeonato das Américas de 2013
Ranking da Fiba: 3º lugar

O que fez nos últimos anos: após a quinta posição no Mundial da Turquia, a Argentina conquistou o título das Américas em 2011 dentro de casa, com vitória sobre o Brasil na final, e carimbou passaporte para as Olimpíadas do ano seguinte. Em Londres, conseguiu novamente chegar à semifinal. Mas, ao contrário do que ocorreu nas duas edições anteriores, voltou para casa sem medalha depois de perder a disputa do terceiro lugar para a Rússia. No Campeonato das Américas de 2013, ficou apenas com o bronze, após cair diante do México na semifinal.

O que pode fazer na Espanha: tem tudo para terminar a primeira fase na liderança do grupo. Não se pode duvidar da capacidade da Argentina de passar por duelos duros que tendem a aparecer a partir das oitavas e brigar por medalha. Mas também não será um grande choque se a campanha terminar antes da semifinal.

Elenco
Armadores: Facundo Campazzo (Peñarol), Nicolás Laprovittola (Flamengo/Brasil) e Pablo Prigioni (New York Knicks/EUA)
Ala-armador: Selem Safar (Obras Sanitarias)
Alas: Walter Herrmann (Flamengo/Brasil), Marcos Mata (Franca/Brasil) e Andrés Nocioni (Real Madrid/Espanha)
Alas-pivôs: Matias Bortolín (Regatas Corrientes), Tayavek Gallizzi (Quilmes), Leo Gutiérrez (Peñarol) e Luis Scola (Indiana Pacers/EUA)
Pivô: Marcos Delia (Obras Sanitarias)

Técnico: Julio Lamas, que retornou ao cargo em dezembro de 2010, após a saída de Sergio Henandez — de quem era assistente. A primeira passagem aconteceu em 1998, quando levou a Argentina ao oitavo lugar no Mundial. Além dos trabalhos na seleção, constam ainda no currículo três títulos nacionais em clubes do seu país e atuações na liga espanhola. Hoje, comanda também o Obras Sanitarias.

Fique de olho: Luis Scola

Luis Scola ainda desequilibra com a camisa da Argentina (Foto: Getty Images)

Luis Scola ainda desequilibra com a camisa da Argentina (Foto: Getty Images)

Aos 34 anos, o cestinha do Mundial de 2010 não vem de uma temporada impressionante na NBA. Longe disso. Contratado pelo Indiana Pacers para comandar a produção dos reservas, o ala-pivô não correspondeu exatamente da maneira que se esperava, e o time foi eliminado tendo como um dos pontos mais fracos justamente o rendimento do banco. As médias dele ao longo do campeonato foram de 7,6 pontos e 4,8 rebotes em cerca de 17 minutos por partida — números mais baixos da carreira desde que chegou à liga norte-americana.

Mas sempre que Scola veste o uniforme da seleção argentina, algum tipo de mágica parece acontecer. A dose de insegurança e a falta de agressividade que demonstra vez ou outra na NBA somem completamente e o transformam em outro jogador, sem medo nenhum de mostrar seu amplo arsenal ofensivo. Ele deixa bem claro o quanto é técnico, inteligente, capaz de pontuar dentro do garrafão e de arremessar com eficiência de média distância. A combinação faz dele alguém extremamente difícil de ser contido pelas defesas rivais. A prova mais recente disso aconteceu no torneio continental do último ano. Apesar de a Argentina ter ficado apenas com o bronze, ele foi eleito o melhor jogador da competição ao registrar médias de 18,8 pontos e 6,9 rebotes por embate.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014 Fiba | 14:01

Gigantes argentinos

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Manu Ginóbili, Luis Scola, Andrés Nocioni e companhia chocaram o planeta em 2004, quando colocaram a Argentina no lugar mais alto do pódio no torneio masculino de basquete das Olimpíadas de Atenas. A conquista acabou rendendo ao grupo a alcunha de “Geração Dourada”, que seguiu disputando as principais competições internacionais desde então na condição de protagonista. Hoje, às vésperas do Mundial, eles podem celebrar um outro feito importante na história do esporte do país. Desta vez, obtido fora das quatro linhas.

"Geração Dourada": vencedores dentro e fora de quadra

“Geração Dourada”: vencedores dentro e fora de quadra (Foto: Getty Images)

Nesta terça-feira, Ricardo Siri, que estava no comando da CABB (confederação argentina) após outros dois presidentes pedirem renúncia nos últimos meses, deixou o cargo. Outros seis dirigentes fizeram o mesmo e se mandaram. Resultado de uma pressão muito grande feita nos últimos dias pelos membros da “Geração Dourada”, que têm cobrado mudanças profundas na administração da entidade e não vão sossegar até verem gente em quem confiam na gestão. Algo que já foi explorado com mais profundidade neste espaço.

Veteranos que estão bem próximos da aposentadoria, Ginóbili, Scola e Nocioni poderiam muito bem se contentar em fazer do Mundial deste ano uma espécie de última reunião de um dos grupos mais especiais da história do esporte argentino. Seria apenas a competição de despedida da seleção nacional de atletas que fizeram muito por ela dentro de quadra. Mas isso tudo ficou em segundo plano. Até por estarem na fase final de suas respectivas carreiras, trataram de comprar uma briga para defender a situação daqueles que ocuparão seus lugares nos próximos anos.

Posicionaram-se com firmeza, mas não pediram nada de outro mundo daqueles que são responsáveis pela gestão da modalidade no país. Transparência e honestidade. Não é muita coisa, certo? Ameaçaram cruzar os braços e não entrar em quadra se não fossem atendidos, alegando que não seriam cúmplices de uma administração “horrorosa”, como classificou o próprio Scola.

A Argentina pode perder todos os jogos que disputar na Espanha e ser eliminada do Mundial logo na primeira fase. Não importa. Os representantes da “Geração Dourada” já deram mais uma amostra do quanto são vencedores.

E nunca é demais manifestar a torcida para que o movimento no país vizinho sirva de exemplo para os jogadores daqui. Afinal de contas, a CBB terminou o último ano com dívida acumulada de R$ 9,5 milhões. Na confederação argentina, para efeito de comparação, esse valor é de R$ 5,4 milhões.

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quinta-feira, 24 de julho de 2014 CBB | 23:14

Argentinos cobram mudanças na gestão e dão aula aos brasileiros

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“Não é querendo defender ninguém, não, mas nós acreditamos na boa fé das pessoas quando a gente não tem provas para acusar nada, que é o que acontece”. A declaração foi dada à ESPN por Guilherme Giovannoni, ala-pivô da seleção brasileira que preside a AAPB (Associação dos Atletas Profissionais de Basquetebol do Brasil), ao ser questionado sobre a razão de os jogadores terem aprovado as contas da CBB (Confederação Brasileira de Basketball). A entidade, para quem não se lembra, encerrou 2013 com uma dívida acumulada no valor de R$ 9,5 milhões.

Acreditar na boa fé das pessoas quando não se tem provas para acusar. Vamos guardar essa parte do discurso e observar algo que tem acontecido na Argentina, onde o basquete indiscutivelmente apresentou mais resultados ao longo da última década. Apoiados pelo secretário de Esportes do país, os jogadores forçaram a renúncia de Germán Vaccaro da presidência da confederação no fim de abril.

Gutierrez, Scola e Nocioni: nova aula aos brasileiros (Foto: Getty Images)

Gutierrez, Scola e Nocioni: nova aula aos brasileiros (Foto: Getty Images)

O que motivou tal ação? O ala Leo Gutierrez, um dos remanescentes da seleção argentina que conquistou o ouro nas Olimpíadas de 2004, esclareceu isso em entrevista recente ao jornal Olé. “A suspeita de que há alguma coisa errada além da má gestão é grande, mas não temos prova de nada, então é melhor não acusar. Para isso existe a auditoria. Torço para que o que seja descoberto é que apenas a confederação trabalhou mal, que não vendeu bem o produto que ela tem nas mãos”, disse. As demais declarações podem ser encontradas no texto que o companheiro Fábio Balassiano publicou no último sábado.

Assim como Giovannoni, Gutierrez não acusa sem ter provas. A diferença é que os jogadores argentinos não deixam isso os impedirem de separar as coisas. Pode não ter existido má fé nos lados de lá, mas não importa. Os atletas viram que o trabalho não estava sendo bem feito, e isso bastou para que uma ação fosse tomada.

De acordo com o Olé, só a jogadores e comissão técnica, a confederação argentina deve 5 milhões de pesos (cerca de R$ 2 milhões). Após Ricardo Siri substituir Vaccaro de maneira interina, Daniel Zanni foi eleito o presidente da entidade no último dia 8. Ele já manifestou o desejo de se encontrar com os atletas para discutir a situação. “Nós não temos problemas com a nova administração e vamos encontrá-lo, mas queremos mais do que palavras”, disse o ala Andrés Nocioni, também em entrevista ao jornal argentino. “Nós não queremos que tudo siga igual depois do Mundial”, completou.

Luis Scola e Andrés Nocioni: líderes argentinos colocam cartolas contra a parede (Foto: Getty Images)

Luis Scola e Andrés Nocioni: líderes argentinos colocam cartolas contra a parede (Foto: Getty Images)

Na busca por mudanças na forma como o basquete é administrado em seu país, Nocioni mostra o mesmo espírito lutador que o fez ficar conhecido dentro das quadras ao longo da última década. Um dos principais símbolos desta geração vitoriosa do esporte argentino, ele esclarece que a luta dele e dos companheiros não é simplesmente pelo dinheiro. “Só estamos buscando que as próximas seleções não sofram os mesmos problemas”, disse. Com razão. Afinal de contas, dívida é dívida, seja com quem for. E se ela existe é porque a gestão dos recursos não está sendo bem feita.

Luis Scola foi ainda mais contundente. Outro nome importantíssimo da geração dourada argentina, o ala-pivô defende que a crise na administração do basquete do seu país seja mais repercutida que a preparação para o Mundial e cogita até mesmo deixar de disputar a competição.

“Tudo bem que se fale mais sobre isso do que se Ginóbili vai jogar ou não”, disse Scola, em entrevista ao Clarín. “Se não houver uma mudança drástica, tudo terminará da pior maneira. O Mundial é muito menos importante que isso. O que me importa se formos campeões e desfiliados da Fiba daqui a dois anos se a confederação falir? Não quero ser cúmplice de algo tão tenebroso. Se eu não jogar o Mundial, será por culpa de uma gestão horrenda”, completou.

Gutierrez defende o Peñarol de Mar del Plata, mas Scola e Nocioni atuam fora da liga argentina já há algum tempo. Ainda assim, não cortam a ligação que têm com o basquete do país. Poderiam simplesmente chegar, treinar, vestir a camisa da seleção em competições nacionais e pronto. Seria bem cômodo, mas eles preferiram fazer o contrário. Estão usando o status de grandeza que adquiriram nos últimos anos para forçar a confederação nacional a gerir a modalidade da melhor maneira.

Ao longo da última década, os brasileiros assistiram de longe a muitas coisas boas alcançadas pelo basquete argentino. Agora, depois de muitas aulas dentro de quadra, o país vizinho dá fora das quatro linhas uma nova aula aos atletas daqui. Uma que talvez seja ainda mais importante que as anteriores.

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