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sábado, 21 de março de 2015 NBB | 04:17

Bauru supera série do Flamengo e estabelece novo recorde no NBB

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A temporada do Bauru está cada vez melhor. Campeão do Paulista, da Liga Sul-Americana e da Liga das Américas, o time viveu um novo momento especial nesta sexta-feira. Liderado pelos 14 pontos e oito assistências do armador Ricardo Fischer, bateu o Palmeiras fora de casa por 77 a 65 e chegou a 21 vitórias consecutivas no NBB. Trata-se de um novo recorde na história da competição durante a fase de classificação.

Ricardo Fischer: 14 pontos e oito assistências para liderar vitória de Bauru (Foto: Fábio Menotti/Ag. Palmeiras)

Ricardo Fischer: 14 pontos e oito assistências para liderar Bauru (Foto: Fábio Menotti/Ag. Palmeiras)

Antes desta sequência, a melhor marca pertencia ao Flamengo, que iniciou a temporada 2012/13 ganhando os 20 primeiros compromissos. A invencibilidade só caiu na 21ª rodada, quando Franca foi ao Rio de Janeiro, reverteu uma desvantagem de 12 pontos no último quarto e superou os mandantes pelo placar de 91 a 86.

O ala Jhonatan, que hoje está no Palmeiras, anotou 22 pontos para o time francano e foi o cestinha do encontro, além de ter apanhado cinco rebotes. Outro grande responsável pelo resultado foi o ala-pivô Teichmann, atualmente em Limeira, dono de 14 pontos, nove rebotes e três tocos.

“Nós e toda a cidade acreditávamos nessa vitória”, disse Teichmann naquele 16 de fevereiro de 2013. “Nosso time não desiste nunca. Nós marcamos, roubamos a bola, demos toco, corremos muito e ganhamos o jogo nessa defesa. Esse time tem muito futuro”, completou.

É curioso notar que apenas quatro jogadores que representaram Franca naquela oportunidade continuam no elenco: o armador Juan Pablo Figueroa, os alas Léo Meindl e Antonio e o pivô Lucas Mariano.

O resto se mandou, assim como Jhonatan e Teichmann. Cauê Borges foi para a Liga Sorocabana. Jefferson Socas é jogador do Basquete Cearense. Zanini está em Uberlândia. Kurtz, no Pinheiros. Romário disputa a Liga Ouro por Campo Mourão. E Jerônimo está sem time.

Jhonatan, hoje no Palmeiras, ajudou Franca a quebrar série do Flamengo em 2013 (Foto: Alexandre Vidal/Fla Imagem)

Jhonatan, hoje no Palmeiras, ajudou Franca a quebrar série do Flamengo (Foto: Alexandre Vidal/Fla Imagem)

Franca conseguiu chegar até as quartas de final naquela temporada. O Flamengo foi o campeão. Algo que parece ter chances cada vez maiores de acontecer neste ano com Bauru.

“É um resultado de um trabalho sério, mas não podemos viver de números”, afirmou o técnico Guerrinha sobre a invencibilidade histórica. “Estamos com foco total no NBB e não foi um jogo fácil. Ganhamos na defesa e entramos um pouco desligados no ataque. Uma vitória dessa, após conquistar um título e jogando na casa do adversário, é um resultado muito importante.”

Considerando também partidas de playoffs, o recorde de vitórias ainda é do Flamengo. Foram 24 triunfos consecutivos entre a 12ª rodada da temporada 2008/09 (a primeira do NBB) e a derrota para Brasília no segundo confronto da decisão — disputada no sistema melhor de cinco naquela época.

Bauru pode ultrapassar mais essa marca ainda na fase de classificação. Franca, Pinheiros, Mogi das Cruzes e São José serão os oponentes nas quatro últimas rodadas antes dos playoffs. Se passar por todos, chegará a 25 vitórias consecutivas. Número que impressiona e deixa bem claro o tamanho da dificuldade que a concorrência terá para evitar mais esse título na temporada da equipe paulista.

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sábado, 7 de março de 2015 NBB | 02:13

Jogo das Estrelas 2015 (2) – O restaurante em Franca que respira basquete

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O Pedrocão não é o único lugar onde é possível se medir a paixão do povo de Franca pelo basquete, obviamente. A cerca de 3km do ginásio existe um restaurante chamado Barão, bastante conhecido basicamente por duas coisas. Uma delas é o tradicional prato JK, que nada mais é do que um filé à milanesa recheado com presunto e queijo. A outra é a decoração, que tem como tema o esporte mais querido da cidade.

Foi esse o lugar do almoço desta sexta-feira. O visitante de primeira viagem consegue ter uma ideia do ambiente que encontrará pela frente logo na entrada, dando de cara com uma parede repleta de fotos de equipes que fizeram parte do início da rica história francana, lá na primeira metade do século passado. Mais para o fundo do restaurante, há um painel grande com a imagem do Pedrocão lotado no Jogo das Estrelas de 2011, o primeiro que a cidade sediou.

Barão Franca

Barao Franca

Quem já passou pelo estabelecimento outras vezes conta que costumava ter ainda mais coisas, como por exemplo uma camisa de Anderson Varejão dos tempos em que ele atuava em Franca — onde iniciou a carreira, aliás. Por algum motivo qualquer, ela não se encontra mais pendurada lá.

A única concorrência que os ídolos locais encontram dentro do estabelecimento é com o maior jogador de todos os tempos, o que dificilmente deve incomodar alguém. Michael Jordan aparece com o uniforme do Chicago Bulls em vários quadros pequenos pendurados por algumas outras paredes.

Barão Franca 3

Com relação ao prato escolhido para o almoço, não dava para aproveitar totalmente uma oportunidade única como essa sem provar o JK, não é verdade? Não é nada leve, ainda mais porque há queijo derretido e presunto nas fritas que vêm como acompanhamento, mas vale a pena encarar. É bom demais e cai muito bem ao lado de uma Coca-Cola em um copo com gelo e limão.

(blogueiro viaja a Franca a convite da Liga Nacional de Basquete) 

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sexta-feira, 6 de março de 2015 NBB | 16:34

Franca aposta em nova estrutura de gestão para quitar dívida de R$ 1,5 milhão e buscar autossustentabilidade

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Franca está em evidência por sediar o Jogo das Estrelas neste final de semana, mas chamou a atenção no cenário do basquete nacional por um outro motivo há alguns meses. Ameaçado por dificuldades financeiras, o time local correu o risco de encerrar as atividades durante as rodadas iniciais do NBB — algo que foi assunto por aqui na época, com a mobilização dos torcedores na tentativa de ajudar e a reflexão sobre como isso diz muito sobre o estado da gestão da equipe.

Pois foi justamente sobre isso que o prefeito de Franca, Alexandre Ferreira, conversou com o blog. Na coletiva de imprensa da quinta-feira, ele já havia explicado a mudança na estrutura administrativa do time, que passou a ser comandado por um grupo de sete gestores, formado por prefeitura, associações comerciais e a principal patrocinadora, a rede de lojas Magazine Luiza.

Alexandre Ferreira, prefeito de Franca (Foto: Fotojump/LNB)

Alexandre Ferreira, prefeito de Franca (Foto: Fotojump/LNB)

“Começamos a trabalhar efetivamente duas semanas atrás, quando suspendemos as ações do conselho deliberativo e formamos esse comitê interventor. Temos pouco tempo de trabalho, mas há vários projetos em vista. Como, por exemplo, fazer shows, promover encontros, levar os atletas nos locais dos patrocinadores, nas lojas de quem apoia o time, para promover. Isso também seria uma maneira de chamar outros investidores. Além disso, buscamos correr atrás de outros recursos financeiros, não só os projetos de incentivo do governo, e correr atrás desta segurança do retorno do investidor. Estamos começando agora, mas somos um grupo forte, que fará de tudo para resgatar a credibilidade do time em tudo, até em condição de pagamento”, disse Ferreira.

E o que foi feito na reta final de 2014, durante a época mais grave da crise financeira para segurar os atletas e garantir a sobrevivência da equipe? “Nós conversamos”, ele respondeu. “Dissemos que estávamos dispostos a resolver os problemas e pedimos um voto de confiança para organizar tudo. Os líderes do elenco entenderam nosso esforço. A postura do Lula (Ferreira, técnico do time) foi impressionante. Ele falou que ficaria independentemente do que iria acontecer. Isso foi muito gratificante para nós. Naquele momento, não havia dinheiro para os salários dos jogadores de novembro e de dezembro. Era um direito deles buscar outras condições, isso é normal. Mas eles decidiram ficar e tocar o barco.”

As coisas melhoraram um pouco a partir deste voto de confiança. “Nós começamos a trabalhar e a arrumar algum dinheiro. Levantamos recursos com alguns empresários da cidade para pagar umas contas e renegociar outras dívidas, enxugamos o custo da equipe e fizemos esse processo de gestão administrativa mais firme para que a gente possa pagar uma dívida que temos hoje de quase R$ 1,5 milhão”, esclareceu Ferreira.

Um dos planos para ajudar a fazer esse valor evaporar é a criação de novas receitas, algo que já foi cobrado por aqui em outra oportunidade. É indispensável que uma equipe profissional não dependa apenas do dinheiro de um grande patrocinador para se manter. “Vamos trabalhar muito para tornar o time de Franca autossustentável, através de mais patrocinadores, venda de camisas e de outros produtos mais, além desta mudança na politica de gestão”, afirmou o prefeito.

(blogueiro viaja a Franca a convite da Liga Nacional de Basquete) 

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NBB | 01:48

Jogo das Estrelas 2015 (1) – Franca tem público até em bate-bola da imprensa

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“Franca é tão sensacional que tem torcedor até em jogo da imprensa.” A frase, que na verdade teve um outro adjetivo ao invés de “sensacional”, foi dita por algum companheiro de profissão durante o bate-bola dos jornalistas na noite desta quinta-feira, em pleno Pedrocão.

Jogar em um ginásio tão rico em termos de momentos históricos e glórias para o basquete brasileiro foi mesmo marcante. Ainda mais porque a entrada para o local deu-se pelos vestiários, fazendo com que o acesso à quadra fosse idêntico ao dos jogadores de verdade.

Pedrocão recebe o Jogo das Estrelas pela terceira vez (Foto: Luiz Pires/LNB)

Pedrocão recebe o Jogo das Estrelas pela terceira vez (Foto: Luiz Pires/LNB)

É provável que tenha passado um filme pela cabeça de alguns jornalistas, ainda que apenas por alguns segundos. Quem chegou a sonhar em jogar em algum ponto da vida dificilmente não sentiu um gosto especial com a experiência, antes de o Pedrocão virar palco de cenas muito feias.

Sim, pois é. Afinal de contas, há uma razão pela qual todos ali não seguiram dentro de quadra e hoje se sustentam com o trabalho fora das quatro linhas, não é mesmo? Em pouco mais de uma hora de atividade, viu-se um festival de erros, andadas, arremessos que martelaram o aro e passes para ninguém. Tudo em um ritmo muito lento.

O que impressionou mesmo foi a existências de um público para isso. Algumas pessoas gastaram horas de uma agradável noite de quinta-feira, após uma tempestade que castigou a cidade durante a tarde, para assistir àquilo. Tudo bem que eram somente cerca de 15 pessoas, mas o normal seria não ter ninguém nas arquibancadas. Vai entender o motivo.

Parte dessa explicação, muito pequena neste caso, é óbvia. Franca é mesmo a capital do basquete brasileiro. O papo de que existe um clima diferente para quem adora a modalidade parece lenda, mas não é.

Já estive nas outras duas edições do Jogo das Estrelas realizadas na cidade, em 2011 e em 2012. A atmosfera não muda. Pelo contrário: parece cada vez mais intensa. É claro que o rodízio de sedes seria positivo, mas não teria problema nenhum se Franca fosse sempre a casa do evento.

Após a pelada no Pedrocão, a televisão na sala de refeições do hotel próximo ao ginásio, onde estão hospedados jornalistas e a maioria dos jogadores que participam do final de semana festivo, ficou ligada no duelo entre Oklahoma City Thunder e Chicago Bulls, transmitido pelo Space. Não é exagero afirmar que quase todo mundo que passava pelo local parava para dar uma olhada no que estava acontecendo, incluindo alguns funcionários. Deu até para ouvir a discussão do momento em uma conversa ao redor: “Será que o Russell Westbrook vai conseguir mais um triplo-duplo?”

Onde mais algo assim poderia acontecer?

(blogueiro viaja a Franca a convite da Liga Nacional de Basquete) 

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 NBB | 22:12

Vitória para aliviar a vida e evitar recorde negativo no NBB

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O pesadelo que parecia interminável acabou. Depois de 16 derrotas consecutivas, a Liga Sorocabana finalmente se reencontrou com a vitória no NBB. Fez isso em grande estilo na terça-feira, ao bater Franca dentro de casa por 88 a 67.

Tudo ocorreu sem grandes sustos. Depois de o marcador apontar igualdade em 21 pontos quando restavam sete minutos no segundo quarto, o time de Sorocaba engatou oito pontos em sequência e manteve-se na liderança até o fim.

Liga Sorocabana finalmente voltou a vencer (Foto: Carolina Bertolli/Divulgação)

Liga Sorocabana finalmente voltou a vencer (Foto: Carolina Bertolli/Divulgação)

É verdade que Franca jogou desfalcado do ala argentino Marcos Mata, um dos principais destaques individuais da temporada, mas não importa. Foi uma grande vitória para a Liga Sorocabana, que nem assim sai da última colocação. A campanha agora é de três triunfos e 17 derrotas. Mas a distância para o Basquete Cearense ficou menor, depois que a equipe nordestina perdeu para o Pinheiros.

O triunfo valeu também para garantir que a Liga Sorocabana não entre na parte negativa do livro dos recordes do NBB. Ao estancar a série de derrotas em 16 partidas, acabou com as chances de alcançar o que fez Vila Velha, que perdeu 26 vezes sem intervalo na temporada 2011/12.

Pior para Franca, que perdeu a chance de igualar as 12 vitórias do Flamengo e encostar no grupo dos quatro primeiros colocados. Lá na frente, quando a fase de classificação chegar ao fim, é possível que esse resultado em especial seja bastante lamentado por Lula Ferreira e seus comandados.

Força dos mandantes 

Outros resultados chamaram a atenção neste início de semana pelo NBB. Depois de seis vitórias seguidas fora de casa, Mogi das Cruzes deu sequência ao bom momento dentro de casa nesta quarta-feira ao vencer Limeira por 98 a 82, com shows de Shamell e Paulão — que finalmente começa a justificar o investimento feito pela diretoria. Foi a pontuação mais alta registrada até agora no campeonato de qualquer um diante dos limeirenses, que têm justamente a boa defesa como ponto forte.

Quem também conquistou um triunfo maiúsculo dentro de casa foi Brasília, que atropelou o Palmeiras por 89 a 62. Isso aconteceu graças aos 11 pontos de Guilherme Giovannoni no último quarto, mas também aos 11 pontos e oito assistências do norte-americano Kyle Lamonte, que se juntou agora à equipe. Foi a segunda vitória consecutiva da turma da capital federal. Será que a turbulência do primeiro turno finalmente ficou para trás? Veremos nas próximas rodadas.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 NBB | 08:59

Quem merece participar do Jogo das Estrelas do NBB?

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Qualquer coisa que dependa de um ponto de vista pessoal tem potencial para gerar muita discórdia. Isso vale para tudo, de discussão sobre o melhor sabor de pizza que existe a, por exemplo, quais jogadores merecem participar do Jogo das Estrelas do NBB neste ano.

O formato de brasileiros contra estrangeiros foi mantido, mas a LNB (Liga Nacional de Basquete) adotou um sistema de escolha diferente em relação a anos anteriores. Desta vez, a mecânica consiste em selecionar dez atletas e dois técnicos (que não precisam ser gringos) de cada lado. Os titulares receberão uma pontuação maior que os considerados reservas.

Jefferson faz bloqueio para Ricardo Fischer, cena que pode se acontecer no Jogo das Estrelas (Foto: LC Moreira/Divulgação)

Jefferson faz bloqueio para Ricardo Fischer. Pode acontecer no Jogo das Estrelas (Foto: LC Moreira/Divulgação)

Dito isso tudo, vamos às minhas escolhas, já enviadas à LNB. A intenção foi a de levar em consideração o desempenho individual dos atletas de acordo com o que foi possível observar na temporada e o impacto deles na campanha de suas respectivas equipes.

Vale questionar e cornetar à vontade, se for o caso. Mas sem xingamentos, é claro.

NBB Brasil
Titulares: Ricardo Fischer (Bauru), Alex (Bauru), Marquinhos (Flamengo), Rafael Hettsheimeir (Bauru) e Caio Torres (São José)
Reservas: Henrique Coelho (Minas), Léo Meindl (Franca), Jefferson (Bauru), Lucas Cipolini (Brasília) e Shilton (Minas)
Técnicos: Dedé (Limeira) e Demétrius (Minas)

NBB Mundo
Titulares: Jamaal Smith (Macaé), David Jackson (Limeira), Marcos Mata (Franca), Walter Hermann (Flamengo) e Jerome Meyinsse (Flamengo)
Reservas: Kenny Dawkins (Paulistano), Ronald Ramon (Limeira), Shamell (Mogi das Cruzes), Tyrone (Mogi das Cruzes) e Steven Toyloy (Palmeiras)
Técnicos: Guerrinha (Bauru) e Régis Marrelli (Palmeiras)

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 Euroliga, Fiba, NBA, NBB | 08:00

Dez jogadores para se prestar atenção especial em 2015

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Ainda dá tempo de aproveitar o clima de início de ano e fazer listas sobre o que podemos esperar para os próximos meses, não é verdade? Foi o que fizemos por aqui ao selecionar dez jogadores que merecem atenção especial em 2015 dos fãs de basquete ao redor do mundo.

Vamos a eles, dispostos abaixo sem nenhuma ordem específica.

Jimmy ButlerJimmy Butler, ala do Chicago Bulls

O fato de ter iniciado a temporada sem uma extensão contratual com o Bulls, algo que fará dele um agente livre restrito a partir de julho, parece tê-lo inspirado. A defesa forte no perímetro sempre foi uma característica marcante de Butler, mas o que tem chamado a atenção no atual campeonato é a postura ofensiva, com constantes ataques à cesta em infiltrações e idas ao lance livre.

As médias de 20,9 pontos, 6,2 rebotes e 3,4 assistências por partida são as melhores marcas da carreira e devem levá-lo a disputar o “All-Star Game” pela primeira vez em fevereiro. Será interessante acompanhar nos próximos meses os próximos passos deste desenvolvimento e por quanto ele assinará um novo contrato.

Shabazz muhammadShabazz Muhammad, ala do Minnesota Timberwolves

Escolhido na 14ª escolha do Draft de 2013, não teve muito espaço para mostrar serviço em sua temporada de estreia. Como calouro, entrou em quadra apenas 37 vezes, recebendo menos de oito minutos por duelo, e passou um tempo na D-League.

Agora, em uma equipe mergulhada no processo de reconstrução, as oportunidades apareceram, e ele tem aproveitado muito bem. Além das investidas perto da cesta, o ala vem apresentando melhora nos chutes de três, algo que o tem ajudado a atingir 13,7 pontos em pouco mais de 23 minutos por partida. Apenas Andrew Wiggins (14,7) e Kevin Martin (20,4) têm pontuação maior no Timberwolves.

Furkan AldemirFurkan Aldemir, ala-pivô do Philadelphia 76ers

O turco de 23 anos defendia o Galatasaray até novembro, quando decidiu deixar o clube por causa de salários atrasados e tentar a sorte na NBA. Foi assim que ele acabou assinando com o Philadelphia 76ers, time que tinha adquirido os seus direitos após o Draft de 2012.

Apelidado de “Mr. Rebound” na Europa, Aldemir vem justificando a sua reputação. Ele tem jogado apenas dez minutos por partida, mas sua média de rebotes a cada 36 minutos é de 14,4 — exatamente igual à de DeAndre Jordan, pivô do Los Angeles Clippers, líder da liga no fundamento.

Rudy GobertRudy Gobert, pivô do Utah Jazz

Com sua ótima defesa ao redor da cesta, impulsionada pela capacidade atlética fora do comum para alguém de 2,16m, foi um dos pontos de referência da seleção francesa na campanha que culminou no terceiro lugar na Copa do Mundo. Gobert tem continuado a mostrar essa marcação implacável nesta sua segunda temporada na NBA.

Apesar de jogar apenas 21 minutos por partida, ele é dono da quarta maior média de tocos da liga, com 2,2 por duelo. Mesmo quando não consegue bloquear os arremessos, o pivô consegue atrapalhar bastante a vida do adversário, forçando-os muitas vezes a saírem da zona de conforto. Fazer cesta contra ele, definitivamente, não é tarefa fácil.

Dario SaricDario Saric, ala do Anadolu Efes

Muita coisa já foi falada dele por aqui. Como, por exemplo, o fato de ele ter sido o mais jovem atleta da história a ganhar o prêmio de MVP de um mês na Euroliga. Habilidoso com a bola nas mãos, dono de uma visão de jogo privilegiada e facilidade para infiltrar, Saric parece ter um futuro brilhante pela frente.

O Philadelphia 76ers, que adquiriu os seus direitos no Draft de 2014, esfrega as mãos para contar com o croata no plantel. Isso, no entanto, só vai acontecer no próximo ano, depois que o contrato com o Anadolu Efes chegar ao fim. Até lá, será interessante verificar se ele conseguirá aparecer mais vezes em posição de protagonista no basquete europeu.

Mario HezonjaMario Hezonja, ala do Barcelona

Trata-se de outra promessa croata que é cercada de grande expectativa por olheiros da NBA há muito tempo e está cotado para aparecer em uma das escolhas de loteria no próximo Draft, apesar de ainda não ter tantos minutos assim no Barcelona. Com 2,03m, tem boa altura para a posição três.

De acordo com o Draft Express, referência quando o assunto é análise de futuros jogadores da NBA, o ala de 19 anos é “capaz de converter arremessos de qualquer canto da quadra” e tem uma “excelente mecânica de chute”. Além disso, é muito bom no jogo de transição, sabe usar o drible para quebrar a defesa adversária e apresenta uma “visão intrigante da quadra, especialmente a partir do ‘pick and roll’.” Em compensação, tem alguma dificuldade para trabalhar em grupo e precisa evoluir defensivamente.

Cristiano FelicioCristiano Felício, pivô do Flamengo

Em meio aos jogadores até 22 anos de idade da LDB (Liga de Desenvolvimento de Basquete), o pivô de 2,10m tem sobrado. Na edição passada, foi o grande responsável pelo título do Flamengo. Na atual, é o líder em eficiência da competição, com médias impressionantes de 16,8 pontos e 16,3 rebotes por partida. No time principal, vem tendo desempenho ligeiramente inferior ao da última temporada, é verdade, mas isso é algo que tem acontecido com praticamente todo o elenco.

Forte e atlético para brigar por rebotes e para finalizar perto do aro, Felício também tem buscado adicionar os tiros de média e longa distância ao seu arsenal ofensivo. A evolução

Lucas DiasLucas Dias, ala do Pinheiros

Trata-se de outro nome que tem sobrado na LDB. Na atual edição do torneio sub 22, o ala de 2,07m só está atrás de Felício no ranking de eficiência, com médias de 21,5 pontos e 9,4 rebotes por partida. Com um pouco mais de espaço no time principal do Pinheiros, chamou a atenção no início do mês com a atuação perfeita durante a vitória sobre Uberlândia pelo NBB, na qual acertou todos os arremessos que tentou e marcou 23 pontos.

Pela altura, pode jogar também como um ala-pivô que busca o chute longe da cesta parar abrir espaços na defesa adversária, mas não dá para saber ao certo o que mais ele terá a capacidade de fazer. Lucas ainda tem 19 anos e potencial para se consolidar em breve como um dos grandes jogadores brasileiros dos últimos tempos.

Henrique CoelhoHenrique Coelho, armador do Minas
Recheado de jovens atletas, Minas aparece em quinto lugar na tabela de classificação da atual temporada do NBB. O promissor armador de 21 anos certamente é um dos grandes responsáveis por essa surpreendente campanha. Em meio a tantos jovens, é ele quem mais se destaca.

Nas mãos de Demétrius, Henrique vem tendo cerca de 29 minutos de ação por partida, muito mais tempo do que estava acostumado a receber em temporadas anteriores. As médias apontam 13,6 pontos, 4,3 assistências e 2,8 rebotes por duelo, números nada ruins para quem aparece pela primeira vez com um papel importante dentro de uma equipe competitiva.

Léo MeindlLéo Meindl, ala de Franca
Está ficando cada vez mais madura uma convocação do ala de 21 anos para a seleção brasileira. Se na última temporada do NBB ele já tinha causado boa impressão e emplacado atuações dignas de elogios, as coisas têm sido ainda melhores no atual campeonato. Em cerca de 34 minutos de ação por jogo, Léo registra médias de 16,3 pontos, 4,9 rebotes e 2,8 assistências por partida. Todos os números representam um recorde em sua carreira até agora.

Ainda tem pontos a evoluir, é verdade. A postura defensiva é um deles, apesar de o jogador ter 1,8 roubo de bola por jogo. O que também pode ser melhorada é a distribuição nos arremessos, buscando ainda mais os ataques à cesta ao invés da insistência nas bolas de três. Até porque o desempenho nestes chutes não é nada mais do que mediano.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015 NBB | 12:51

Balanço geral do NBB. Como cada equipe começa 2015?

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O NBB parou pouco antes do Natal para as festas de fim de ano e só volta agora nesta semana. O blog aproveitou a oportunidade para fazer um balanço geral desta primeira parte do campeonato, com comentários rápidos sobre a situação cada uma das 16 equipes até o momento.

Vamos lá então.

Limeira (12-1): O time também liderou boa parte da fase de classificação na última edição do NBB, mas havia uma certa desconfiança em relação a essa temporada por causa de duas novidades: o técnico Dedé, que assumiu o cargo no lugar de Demétrius, e o armador Nezinho. Como o novo comandante se sairia em sua primeira experiência na função? E como ficaria a distribuição de bola em um perímetro que já contava com David Jackson e Ronald Ramon? Até o momento, tem dado tudo certo para a equipe, que consegue distribuir bem a pontuação entre os três, além de apresentar uma defesa eficiente. O desafio agora é conseguir se manter no topo e provar que, de fato, pertence à elite nacional.

Dedé orienta Limeira, líder do NBB (Foto: Raphael Oliveira/EAZ)

Dedé orienta Limeira, líder do NBB (Foto: Raphael Oliveira/EAZ)

Bauru (9-2): Contratações de impacto foram feitas antes do início da temporada, isso todo mundo sabe. O desafio era conseguir fazer as peças todas se encaixarem em quadra. É o que parece estar acontecendo. Explorando ao máximo a linha de três pontos, até pelas armas que tem à disposição, o time comandado por Guerrinha encerrou 2014 já tendo conquistado o título do Paulista e da Liga Sul-Americana. Mas os principais desafios ainda estão por vir. Conseguirá Bauru fazer frente ao Flamengo e acabar com o reinado dos cariocas no cenário nacional? Ainda é cedo para saber, mas a impressão que dá até agora é que isso pode perfeitamente acontecer.

Flamengo (8-3): Ainda não está perto dos melhores momentos das duas temporadas anteriores, o que é completamente natural. Mas ainda tem um elenco vasto, com muito talento individual e que se torna extremamente difícil de ser batido quando consegue encaixar seu jogo coletivo. Ainda está no trono do basquete brasileiro e continental, mas precisa atuar de maneira mais regular nos próximos compromissos para conseguir se manter onde está.

Minas (9-4): Talvez seja a maior surpresa deste início de temporada. Quem poderia imaginar que um grupo formado predominantemente por jovens que não vinham tendo tão espaço assim em quadra estaria entre os líderes, ao invés de brigar contra o rebaixamento? As vitórias sobre Mogi das Cruzes e Flamengo nas primeiras rodadas chamaram a atenção, mas o time mineiro manteve o ritmo e a ótima defesa nas partidas seguintes e mostrou que pode, sim, ser competitivo ao ponto de aparecer na parte de cima da tabela. Ótimo trabalho de Demétrius.

Mogi das Cruzes (7-4): Muito irregular. Em algumas partidas, consegue emplacar uma defesa sufocante, que gera muitos desperdícios dos oponentes e produz pontos em contra-ataques. Em outras, sofre para conter os ataques rivais de maneira inexplicável. Mas a instabilidade é maior ainda no que diz respeito ao sistema ofensivo, extremamente dependente de Shamell, que fica muito com a bola nas mãos e atrai a defesa. Quando ele consegue distribuir o jogo, deixa os companheiros em boa posição para os chutes. Mas nos momentos em que concentra demais a definição, corre o risco de facilitar o trabalho da defesa. Encontrar um equilíbrio nestas situações é justamente o grande desafio do técnico Paco Garcia na sequência do campeonato.

Franca (8-5): Os problemas financeiros, pelo menos de maneira momentânea, pararam de assombrar o time mais tradicional do basquete brasileiro. Mas o elenco à disposição de Lula Ferreira não economizou luta dentro de quadra nem mesmo quando a ameaça de fechar as portas era bastante real. Lucas Mariano voltou a jogar mais perto do garrafão, onde é mais eficiente. O argentino Marcos Mata caiu bem demais na equipe, e Léo Meindl tem feito a melhor temporada da carreira. Além do trio, a boa campanha de Franca passa por um velho conhecido do torcedor: o armador Helinho, que apareceu quando precisou em alguns momentos decisivos até aqui.

Léo Meindl: promesa francana está cada vez melhor (Foto: Newton Nogueira/Divulgação)

Léo Meindl: promessa francana está cada vez melhor (Foto: Newton Nogueira/Divulgação)

São José (8-5): A história recente mostra que não é recomendável descartar o time do Vale do Paraíba das fases mais agudas do NBB. O terceiro lugar da última edição foi um resultado que pouca gente poderia imaginar. Mas, desta vez, parece improvável que São José consiga ficar entre os quatro melhores, repetindo o que fez nos três anos anteriores. Fúlvio foi embora. Quem chegou para substituí-lo na armação foi Valtinho, que faz seu pior NBB da carreira — algo compreensível para quem está prestes a completar 38 anos. A equipe ainda tem bons jogadores no elenco, com bons chutadores de média e longa distância, e tem conseguido emplacar uma boa defesa. Mas parece estar um degrau ou dois abaixo dos melhores na escala de competitividade do campeonato.

Paulistano (7-6): Kenny Dawkins e Desmond Holloway ainda estão entre os dez jogadores de maior eficiência do NBB, mas o time da capital paulista ainda não é sombra daquele que conseguiu chegar à final na última edição e ficar muito perto de derrotar o Flamengo na disputa pelo título. A defesa não é tão agressiva quanto a de meses atrás. No ataque, apesar de a produção seguir em um ritmo satisfatório, não é raro ver alguns chutes de longa distância sendo arriscados de maneira precipitada.

Palmeiras (6-7): Depois de quase um ano afastado, desde que foi demitido de São José, o técnico Régis Marrelli voltou a aparecer no NBB ao assumir o Palmeiras. Pode não ter à disposição o mesmo talento que chegou a ter em alguns momentos no Vale do Paraíba, mas comanda um grupo muito lutador, que defende bem e conta com a visão de jogo acima da média do argentino Maxi Stanic para distribuir bastante as ações no ataque.

Pinheiros (5-7): As quatro derrotas consecutivas, incluindo a surra histórica diante de Bauru, fizeram o Pinheiros encerrar 2014 com uma impressão muito negativa. Ponto fraco mesmo nos momentos de protagonismo da equipe, a defesa continua sendo muito ruim, sofrendo muitos pontos e tendo pouco sucesso na hora de contestar arremessos adversários. Já o ataque não apresenta o mesmo alto nível dos últimos anos. Mas nem tudo é desgraça. O jogo duro contra Mogi das Cruzes e a vitória sobre Limeira mostraram que o time ainda pode deslanchar na sequência da temporada e subir na classificação.

Uberlândia (4-8): O começo de temporada até fez o torcedor imaginar que seria possível brigar na parte intermediária da tabela de classificação, mas as derrotas nos últimos cinco jogos de 2014 fizeram os mineiros despencarem. Situação nem um pouco espantosa para uma equipe que diminuiu bastante o investimento e perdeu aqueles que vinham sendo seus principais nomes. Para piorar ainda mais, o uruguaio Emilio Taboada, que teve 20,7 pontos por jogo na última temporada com o Goiânia, não vem produzindo nem metade disso. A média por enquanto é de 8,5 pontos por partida.

Taboada: produção não é nem metade a da última temporada (Foto: Randes Nunes/Divulgação)

Taboada: produção não é nem metade a da última temporada (Foto: Randes Nunes/Divulgação)

Brasília (4-8): Em tese, contratou muito bem para a temporada. Apesar de ter perdido Alex e Nezinho, adicionou o armador Fúlvio e o ala-pivô Lucas Cipolini para atuarem ao lado de Guilherme Giovannoni e Arthur. Outra novidade foi o norte-americano Darrington Hobson, ala que passou pelo Milwaukee Bucks e tem como característica ser um facilitador de jogadas para os companheiros no ataque. Reunião interessante, capaz de fazer Brasília voltar ao topo, certo? Errado. A campanha só não é pior porque o time venceu Macaé e Basquete Cearense nos dois últimos compromissos de 2014. Por enquanto, cabe a Brasília a condição de maior decepção do NBB.

Macaé (4-8): Ganhar do Flamengo, um adversário tão poderoso e rival local, é legal. Fazer isso graças a um lance incrível do armador norte-americano Jamaal, que fez cinco pontos nos últimos cinco segundos do confronto, torna o triunfo ainda mais especial. Mas o mais importante disso tudo é a conquista de uma vitória que pode ser importantíssima no final da fase de classificação, na hora de determinar quem se livra do rebaixamento.

Rio Claro (3-10):  Comandado por Chuí, o time que subiu da Liga Ouro começou sua história no NBB com oito derrotas em nove rodadas. O esboço de reação veio com as duas vitórias nos últimos quatro jogos, sobre Brasília e Uberlândia. Triunfos continuarão sendo um pouco mais frequentes para Rio Claro? Dá para sonhar com uma vaga nos playoffs logo no ano de estreia ou é ousadia demais? A conferir.

Basquete Cearense (2-9): O representante do Nordeste no NBB conseguiu carimbar com folga o passaporte nos playoffs nos dois primeiros anos de existência da equipe. Desta vez, a coisa anda bem diferente. Com um elenco limitado, formado por jogadores que estavam em baixa em times que disputam a parte de cima da tabela, o técnico Alberto Bial tem sofrido para conseguir montar uma equipe competitiva. O ataque é o que menos produz pontos por jogo, com 73,5. Enquanto isso, a defesa leva 84,64 portos por partida, segunda pior marca do campeonato.

Liga Sorocabana (2-11): Depois de ter começado o campeonato com duas vitórias em três rodadas, o time de Sorocaba chegou à lanterna depois de emplacar nove derrotas consecutivas. O rótulo de saco de pancadas não é totalmente justo, já que a equipe conseguiu fazer jogo duro contra Flamengo, Limeira e Mogi das Cruzes, três dos cinco primeiros colocados. Mas o fato é que nenhuma outra perdeu tanto. A esperança para a sequência da competição é que o armador norte-americano Worrel Clahar, que teve problemas com o visto de trabalho e demorou para estrear, consiga jogar bem ao ponto de fazer Rinaldo Rodrigues manter sua reputação de investidas de sucesso em atletas norte-americanos.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014 NBB | 08:00

Ex-Franca, Paulão vê times brasileiros ainda “longe de um cenário ideal”

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Vestindo o uniforme de Franca, o pivô Paulão Prestes foi um dos líderes em eficiência do último NBB, com médias de 18,7 pontos e 9,4 rebotes por partida. Valorizado após o bom desempenho, ele se transferiu para Mogi das Cruzes. Mas as ligações com o ex-time ainda existem, o que o leva a lamentar a situação delicada pela qual os francanos atravessam.

“Claro que fico chateado com a situação do time lá, ainda tenho muito carinho pela cidade”, afirmou Paulão ao blog nesta terça-feira, em conversa logo após a vitória de Mogi das Cruzes sobre o ComuniKT (Equador), na rodada de estreia do quadrangular semifinal da Liga Sul-Americana. “O basquete como um todo fica chateado, pois é uma equipe muito tradicional. Isso só mostra que nós ainda estamos longe de um cenário ideal. A liga nacional está forte, é verdade. Mas ainda precisamos de mais apoio. Isso é evidente”, completou.

Paulão sobe para enterrada em ataque de Mogi (Foto: Fiba Américas/Divulgação)

Paulão sobe para enterrada em ataque de Mogi (Foto: Fiba Américas/Divulgação)

Além do time de Franca, o pivô de 26 anos demonstrou ter uma consideração especial pelo homem que comanda as coisas por lá. “Estou onde estou hoje graças a ele, que me deu a oportunidade de jogar pelo COC, em Ribeirão Preto, no meu início de carreira e sempre acreditou em mim”, disse ele, referindo-se ao técnico Lula Ferreira.

O pivô de 26 anos falou ainda sobre o processo de entrosamento com os companheiros de Mogi das Cruzes, do trabalho com Paco Garcia e de como olha para a NBA nos dias de hoje, quatro anos depois de ter sido selecionado pelo Minnesota Timberwolves no Draft.

Veja a entrevista completa abaixo:

BLOG: Você está voltando agora, depois de passar por uma cirurgia no joelho esquerdo em agosto. Como se sente fisicamente?

Paulão: Eu sei que ainda não estou bem em termos de ritmo de jogo, mas não tem como recuperar isso agora só nos treinos. O que eu preciso é de jogo. Nas duas primeiras do NBB, tenho a noção de que não atuei no nível que eu preciso atuar. Mas acredito que já estou me recuperando, e as coisas vão caminhando gradativamente.

BLOG: Mogi mostrou um basquete extremamente altruísta na última temporada. O time hoje conta com você e Shamell, peças acostumadas a definir bastante os ataques. Como está sendo essa adaptação no elenco?

Paulão: Hoje (terça), tivemos cinco jogadores com pelo menos dez pontos. É assim que tem de ser. Temos aqui um time com muito talento, nosso desafio é justamente esse, o de dividir as responsabilidades nos dois lados da quadra. O espírito de jogo deve ser tão coletivo quanto o do ano passado. Acho que estamos no caminho certo.

Paulão, um dos líderes de eficiência do último NBB (Foto: Divulgação/LNB)

Paulão, um dos líderes de eficiência do último NBB (Foto: Divulgação/LNB)

BLOG: Paco Garcia é um técnico que gosta muito de estabelecer um homem ao redor da cesta e acioná-lo para dominar o garrafão. Como tem sido o trabalho no dia a dia com ele?

Paulão: O Paco é um técnico que cobra bastante. Ele e o Lula Ferreira, dos treinadores que já tive, são os que mais estudam o basquete, que o vivem 24 horas por dia. Quando ele cobra, a gente tem de escutar porque ele é uma pessoa que entende muito do jogo. O que ele quer aqui é um grupo forte no garrafão não só para definir as jogadas, mas também para atrair a atenção da defesa e abrir espaço para o nosso jogo exterior, que é muito forte.

BLOG: É por isso então que o passe precisa ser um fundamento bastante em dia no seu jogo, não?

Paulão: Eu gosto muito de passar a bola. É uma característica que faz parte do meu jogo. Nos primeiros jogos da temporada, forcei um pouco as jogadas quando percebi que as coisas não estavam dando muito certo para mim, mas é algo que não posso deixar acontecer. Temos um garrafão forte, mas precisamos saber passar bem porque temos um grupo exterior que, para mim, é um dos melhores do país.

BLOG: Falando no Lula, não dá para deixar de abordar o momento delicado de Franca. O que você sente ao ver seu ex-time nesta situação?

Paulão: Eu saí, mas ainda tenho amigos lá, como o Lucas Mariano e o Juan Pablo Figueroa. Nós nos falamos direto. Isso sem contar o Lula. Estou onde estou hoje graças a ele, que me deu a oportunidade de jogar pelo COC, em Ribeirão Preto, no meu início de carreira e sempre acreditou em mim. Claro que fico chateado com a situação do time lá, ainda tenho muito carinho pela cidade. O basquete como um todo fica chateado, pois é uma equipe muito tradicional. Isso só mostra que nós estamos ainda longe de um cenário ideal. A liga nacional está forte, é verdade. Mas ainda precisamos de mais apoio. Isso está evidente.

BLOG: Você foi escolhido pelo Minnesota Timberwolves na segunda rodada do Draft de 2010, mas nunca teve a chance de jogar lá. O que essa questão da NBA significa para a sua carreira?

Paulão: Experimentei um gosto bom e um gosto amargo. O bom é que fui selecionado no Draft de 2010, mas acabei sofrendo uma lesão nos ligamentos do pé um mês antes do recrutamento que me deixou parado por cinco. Foi a pior lesão que tive. Mesmo assim tive meu nome chamado. Fui para lá, treinei algumas vezes e joguei a Summer League. Hoje eu não penso muito nisso, não. Tudo o que acontece depois é em função do que você produz no momento. Agora eu só penso em Mogi das Cruzes. A NBA é um sonho para qualquer um, é claro, mas vejo como algo mais distante. Estou em Mogi e 100% focado. E se todo mundo se doar por inteiro também, podemos conseguir algo especial em nossas carreiras.

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terça-feira, 11 de novembro de 2014 NBB | 23:26

Momento delicado diz muito sobre falta de administração mais profissional em Franca

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Todo mundo que gosta de basquete e tem o mínimo de bom senso torce para Franca superar o momento delicado que atravessa, conseguindo captar o dinheiro necessário para honrar seus compromissos e não encerrar as atividades. A mobilização dos torcedores, o apelo da diretoria junto às empresas locais e ao poder público para levantar recursos e o pedido para as pessoas lotarem o Pedrocão são atitudes compreensíveis diante de uma situação desesperadora. Mas tudo isso forma um cenário bem distante do ideal e que ajuda a entender por que as coisas chegaram a esse ponto.

Qualquer equipe profissional, seja qual for a modalidade, precisa ter uma administração igualmente profissional, capaz de enxergar as atividades todas como um negócio. Franca pode até reunir doações de seus adoradores e arrumar um patrocínio pelo restante do ano de uma empresa comandada por algum apaixonado pela equipe, motivado pelo desejo de não vê-la fechando as portas. E daí? Como fica depois disso? Será assim, na gambiarra, para sempre? Não, né? Não dá para viver de migalhas.

Lucas Mariano continuará jogando diante do público no Pedrocão?(Divulgação/LNB)

Lucas Mariano continuará jogando diante do público no Pedrocão? (Foto: Divulgação/LNB)

Os times não podem depender apenas de apaixonados. A empresa que relacionar seu nome a um deles deve fazer isso porque realmente terá algum tipo de retorno, não como um favor. O patrocínio existe para que as duas partes sejam beneficiadas. O empresário precisa ver no esporte uma oportunidade atraente de investimento, e cabe aos clubes trabalharem para proporcionar esse cenário. A mentalidade da doação precisa ser deixada para trás.

Mas o patrocínio é apenas uma das maneiras de se levantar fundos. Depender tanto de um da maneira como Franca dependia da Vivo é um erro, fazendo que o futuro depois do fim da parceria seja incerto e bastante perigoso. Uma administração profissional tem o dever de desenvolver outras formas de se fazer dinheiro.

O uso do ginásio é uma delas. Não adianta viver apenas implorando para os torcedores comprarem ingressos e irem assistir aos jogos da equipe na cidade. Muito mais eficiente e correto do que isso é transformar a praça das partidas em um local atraente para aqueles que optarem por sair de casa e irem até lá.

Nisso, os norte-americanos são especialistas. Quem já teve a experiência de visitar algum dos ginásios na NBA sabe como as coisas são. Lá, os torcedores não assistem simplesmente a um jogo. Há sempre uma atividade para prender a atenção das pessoas nos momentos em que a bola para. Sorteio de brindes, apresentações artísticas, competições, qualquer coisa. O entretenimento é contínuo. É uma aula, e não tem nada de errado copiar quem faz algo com perfeição.

Momento delicado diz muito sobre a falta de profissionalismo da administração de Franca (Foto: Divulgação/LNB)

Momento delicado diz muito sobre a falta de profissionalismo da administração de Franca (Foto: Divulgação/LNB)

Isso para não falar em venda de produtos. Implorar por doação de torcedores é compreensível em situação de desespero. Mas, em condições normais, é como pedir esmola. O correto, ao invés disso, é buscar tirar esse dinheiro em troca de algo.

De novo, vale a pena usar o modelo norte-americano como exemplo. Ao fim das partidas, as lojas dos times da NBA espalhadas ao redor do ginásio ficam abertas por alguns minutos para atender aos torcedores — que podem ficar um pouco mais dispostos a gastarem dependendo do resultado do jogo. Além das camisas de jogo de todos os atletas do elenco, é possível comprar uma infinidade de outros itens. Copos, xícaras, ímã de geladeira, chaveiro, qualquer coisa. Com curiosidade, o céu é o limite.

É por aí que os times devem andar. Não adianta o NBB apresentar evolução de um campeonato para o outro, com maior visibilidade e jogos transmitidos pela internet, se as equipes continuarem correndo o risco de fechar as portas. Já passou da hora de elas contarem com gestão profissional. É o básico do esporte de alto rendimento.

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